O dia 6 de agosto de 1990 está gravado com letras douradas na memória rubro-negra. Foi nessa data que o Flamengo aplicou uma goleada histórica por 7 a 0 sobre a Real Sociedad, da Espanha, em plena Arena Tokyo Dome, no Japão.

Era a estreia do meia Bobô, e a torcida estava ansiosa para ver a tão aguardada linha de frente formada por Bobô, Renato Gaúcho e Gaúcho. A atuação superou qualquer expectativa. Com um hat-trick de Gaúcho, dois gols de Renato Gaúcho, um de Bobô e outro de Bujica, o Flamengo massacrou o quinto colocado do Campeonato Espanhol da temporada anterior.

Jair Pereira, técnico rubro-negro, aproveitava a exaustiva excursão no Japão para moldar o time visando o Campeonato Brasileiro. Após deixar boa impressão nas edições do Mundial de 1981 e da Copa Kirin de 1988, o clube voltou a encantar os japoneses, mesmo enfrentando um adversário forte e jogando pela primeira vez em grama sintética. Com mais de 50 mil torcedores estupefatos nas arquibancadas, o time rubro-negro deu um verdadeiro show, culminando na conquista da Sharp Cup. Três passagens pelo Japão, três taças na bagagem.

O show no Tokyo Dome
Na temporada 1989/90, a Real Sociedad havia terminado a La Liga na quinta colocação, garantindo vaga na Copa da UEFA 1990/91. Era, portanto, um teste de peso para o Flamengo, que trazia novidades no elenco após uma troca com o São Paulo: o Rubro-Negro enviou Leonardo e Alcindo e recebeu Nelsinho e Bobô.
Bobô, camisa 10 e ídolo do Bahia campeão brasileiro de 1988, fazia sua estreia pelo clube da Gávea. A linha ofensiva com Renato Gaúcho, Gaúcho, Bobô e Zinho prometia. E cumpriu. A adaptação à grama sintética foi imediata. O Flamengo encurralou o adversário desde o início, e com apenas 19 minutos, abriu o placar. Bobô iniciou jogada pela direita, Renato Gaúcho disparou em velocidade e cruzou para Gaúcho marcar o primeiro.
Aos 40 minutos, veio o segundo: Renato recuperou a bola, deu de calcanhar para Zinho, recebeu de volta e, da entrada da área, mandou para as redes.

Uma segunda etapa avassaladora
O segundo tempo começou em ritmo acelerado. Com apenas 1 minuto, Gaúcho marcou o terceiro após erro da defesa. Aos 12 minutos, mais um contra-ataque fulminante: Gaúcho lançou Renato, que fez o quarto. Era goleada no Japão!
Aos 19 minutos, foi a vez de Bobô brilhar em sua estreia: driblou o goleiro e empurrou para o fundo do gol. 5 a 0!

Em seguida, Gaúcho completou seu hat-trick com chute preciso da entrada da área. E pra fechar com estilo, Bujica, que havia entrado no segundo tempo, marcou um golaço aos 38 minutos após lançamento milimétrico de Júnior.
Veja TODOS os gols da histórica goleada do Flamengo:
Declarações e repercussão

A torcida japonesa aplaudia de pé. Bobô, empolgado, declarou:
“Jogando ao lado do maestro Júnior, em pouco tempo serei ídolo da torcida do Flamengo”.
Mas a realidade se mostrou mais dura. A trajetória de Bobô no Flamengo acabou sendo discreta, assim como no São Paulo, e ele também não brilhou no Fluminense, onde jogou em 1991 e foi vice-campeão carioca perdendo para o próprio Flamengo.
O técnico Jair Pereira também exalava confiança:
“Este time é uma bomba de mil megatons que vai explodir no Campeonato Brasileiro”.
O desempenho, porém, não correspondeu totalmente às expectativas. Após a excursão, o Flamengo ainda venceu um quadrangular em Nova Iorque contra Seleção dos EUA, Sporting (POR) e Alianza Lima (PER). A temporada teve altos e baixos: ficou em 11º no Brasileirão, mas conquistou a Copa do Brasil diante do Goiás.

Ficha técnica
06/08/1990 – Flamengo 7 x 0 Real Sociedad
Local: Arena Tokyo Dome, Tóquio, Japão
Público: 56 mil (estimado)
Gols: Gaúcho (18’1T), Renato Gaúcho (40’1T), Gaúcho (1’2T), Renato Gaúcho (9’2T), Bobô (16’2T), Gaúcho (25’2T), Bujica (38’2T)
Flamengo: Zé Carlos, Zanata (Josimar), Vítor Hugo, Rogério Lourenço e Nelsinho; Ailton (Uidemar), Júnior, Bobô (Djalminha) e Zinho; Renato Gaúcho e Gaúcho (Bujica). Técnico: Jair Pereira.
Real Sociedad: José Luis González, Alberto Górriz, Mikel Roteta, Jon Andoni Larrañaga e Agustín Gajate; Javier Bengoetxea, John Aldridge (José María Lumbreras), Kevin Richardson e Carlos Martínez (Enrique Irazoki); Miguel Ángel Fuentes e Juan Antonio Mentxaka (Mikel Loinaz). Técnico: Marco Antonio Boronat.












