A declaração de José Boto no fim de junho — de que “o Flamengo não tem dinheiro infinito” — já indicava a postura que o clube adotaria nesta janela de transferências. O Rubro-Negro estabeleceu um limite para investimentos e sinalizou ao mercado que não ultrapassaria determinados valores. No entanto, após negociações frustradas, a busca por reforços passou a gerar maior pressão interna e externa.
O Flamengo decidiu não participar de um leilão pela contratação do meia argentino Thiago Almada, que está próximo de acertar com o River Plate. Já nas conversas por Luiz Henrique, o clube interrompeu as tratativas depois que o Zenit elevou a pedida inicial em 10 milhões de euros, cerca de R$ 58,8 milhões. Pouco tempo depois, o estafe do atacante comunicou oficialmente o encerramento da negociação, alegando uma “série de acontecimentos que dificultaram o andamento do negócio”.
Mudança de estratégia no mercado
Os dois casos tiveram um ponto em comum: o Flamengo preferiu reduzir o ritmo das negociações após mudanças nas condições financeiras impostas pelos clubes ou representantes dos jogadores. A diretoria avaliou o custo-benefício de seguir com as conversas e optou por não extrapolar os limites estabelecidos.
Com Almada e Luiz Henrique cada vez mais distantes da Gávea, a diretoria passou a concentrar esforços em outras opções para preencher as necessidades identificadas por Leonardo Jardim. O treinador deseja a chegada de um meia, um ponta e um centroavante.
“O Flamengo não tem dinheiro infinito. (…) É óbvio que temos necessidades, mas não queremos gastar mais do que é devido, queremos acertar o máximo possível.”
Pressão aumenta sem reforços
A janela de transferências, que inicialmente era tratada com tranquilidade pelo clube, passou a ser motivo de preocupação neste reinício de temporada. Até o momento, nenhum reforço foi anunciado, enquanto Leonardo Jardim trabalha para corrigir problemas da equipe após os empates diante de São Paulo e Internacional, resultados que permitiram ao Palmeiras ampliar a vantagem na liderança do Campeonato Brasileiro.
Na última quinta-feira, um grupo de torcidas organizadas divulgou uma nota cobrando respostas da comissão técnica e da diretoria.
“Jardim e Boto, mais do que nunca, são responsáveis diretos pelo caminho a ser trilhado no restante da temporada”
Necessidades apontadas por Leonardo Jardim
A intenção de contratar um meia com características diferentes das de Arrascaeta e Carrascal já havia sido revelada por Leonardo Jardim após a partida contra o Coritiba, último compromisso antes da paralisação para a Copa. Depois da retomada da temporada, o treinador reforçou a necessidade de buscar também um ponta com características específicas.
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“Já falei sobre a importância de ter jogadores técnicos e com velocidade de execução na parte da frente, principalmente para essas equipes que começam a baixar os blocos e têm linhas de cinco mais quatro. Temos de ter jogadores criativos, com velocidade e que desequilibram. Hoje, só o Arrascaeta e o Lino, pontualmente, conseguiram esses movimentos. Outros jogadores não conseguiram.”
Conforme destacou o próprio treinador, a chegada de novos reforços está diretamente ligada ao objetivo da comissão técnica de adaptar o time a um novo estilo de jogo, diferente daquele utilizado no início da temporada, ainda sob o comando de Filipe Luís.
Investimento bilionário no elenco
Mesmo adotando cautela nesta janela, o Flamengo já ultrapassou a marca de R$ 1 bilhão investidos na contratação e manutenção do elenco durante a gestão do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap.
Mergulhe na História Rubro-Negra:
O levantamento considera os números apresentados pelo próprio clube em seus balanços financeiros. Em aproximadamente um ano e meio de administração, Bap autorizou investimentos que totalizam R$ 1,13 bilhão, incluindo direitos econômicos, luvas e comissões de intermediação, conforme metodologia utilizada pelo Flamengo em seus documentos oficiais.
O clube segue sustentando esses investimentos com o crescimento contínuo das receitas. Em 2025, impulsionado pela participação no Mundial de Clubes e pelas conquistas da Libertadores e do Campeonato Brasileiro, o Rubro-Negro alcançou um faturamento de R$ 2 bilhões.













