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Mansur: Bayern impõe ritmo avassalador e Flamengo cai com honra em confronto de alto nível

Mesmo eliminado, rubro-negro mostrou maturidade tática e conseguiu competir contra um dos maiores clubes da Europa

Rossi e jogadores em campo na derrota do Flamengo contra o Bayern de Munique
Rossi e jogadores em campo na derrota do Flamengo contra o Bayern de Munique

Durante muito tempo, a lembrança do torcedor do Flamengo sobre a eliminação diante do Bayern de Munique na Copa do Mundo de Clubes estará marcada por erros cruciais que resultaram em três dos quatro gols sofridos. No entanto, reduzir a atuação rubro-negra apenas a esses momentos seria ignorar a dimensão do desafio enfrentado diante do campeão alemão e o desempenho coletivo da equipe de Filipe Luís, que mostrou coragem e organização diante de um oponente de altíssimo nível.



Desde o início do jogo, a pressão do Bayern se mostrou implacável, dificultando qualquer respiro ao time brasileiro. O primeiro gol veio logo após um erro de saída de bola de Rossi, que culminou na sequência de escanteios que terminou com Pulgar desviando contra o próprio gol. Já no segundo gol, Arrascaeta perdeu a bola próximo à área e viu Harry Kane ampliar o placar. O terceiro tento alemão nasceu de um corte malfeito de Luiz Araújo, e o quarto aconteceu após nova tentativa frustrada do camisa 7 em driblar num setor perigoso. Cada erro, embora individual, foi consequência de uma pressão feroz que raramente é enfrentada em jogos na América do Sul.

O desafio, portanto, não era apenas técnico, mas mental e físico: pensar e executar sob pressão intensa durante 90 minutos. A partida não ofereceu trégua, exigindo decisões corretas em ritmo alucinante. Luiz Araújo, por exemplo, teve bons momentos no jogo, mas seu desgaste ficou evidente no lance que originou o quarto gol do adversário.



Mesmo diante dessas adversidades, o Flamengo conseguiu equilibrar a partida e propor um jogo que fugiu do padrão habitual de confrontos entre clubes sul-americanos e gigantes europeus. A equipe rubro-negra teve 52% da posse de bola, superior ao que o Bayern costuma permitir, e finalizou 12 vezes contra apenas sete dos alemães. Com bons momentos protagonizados por Jorginho, Gérson e Arrascaeta, o time carioca construiu seu gol e ainda conquistou o pênalti que resultou no segundo.

Filipe Luís, com seu plano de jogo bem definido, demonstrou que o Flamengo sabe o que fazer em campo, mesmo quando encurralado. O time conseguiu avançar com trocas de passes conscientes e demonstrou personalidade, sem se encolher diante do peso do adversário. Não foi uma derrota tática, mas sim uma queda diante das limitações impostas por uma diferença econômica e estrutural que ainda separa clubes sul-americanos dos europeus.



E é justamente aí que entra a diferença que o dinheiro impõe no futebol moderno. Ter um Harry Kane em campo significa contar com um jogador que, ao menor espaço, define. Kimmich, por sua vez, mostra uma inteligência rara ao ditar o ritmo e encontrar passes verticais. A presença física de Goretzka, a qualidade técnica de Olise e a partida impecável de Stanisic representam o topo da pirâmide futebolística.

Nesse nível de exigência, os erros aparecem. Wesley, importante para atacar a última linha do Bayern, teve dificuldade na construção e foi pressionado. Rossi, Arrascaeta e outros nomes também sentiram o impacto de um ritmo acima do habitual. O uruguaio só conseguiu mostrar seu talento quando o Flamengo teve mais controle e ocupou o campo ofensivo com mais calma.

No fim, não se escolhe o resultado — mas se escolhe a forma como se compete. E o Flamengo, mesmo eliminado, mostrou um futebol corajoso, bem treinado e digno. Dentro da realidade sul-americana, é um time forte. Na lógica financeira atual do futebol global, isso ainda não é suficiente. Mas o desempenho deixa marcas positivas.



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