A passagem de Juninho pelo Flamengo ainda não deslanchou. Contratado junto ao Qarabag, o atacante vem acumulando poucas chances sob o comando de Filipe Luís, e sua adaptação ao clube não tem ocorrido da forma como se esperava. Em entrevista ao ge, o diretor de futebol José Boto revelou os bastidores da chegada do jogador e explicou o cenário atual, reforçando que a contratação teve um propósito específico — e esse objetivo foi alcançado.
“É óbvio que esperávamos que ele tivesse uma adaptação melhor, mas isso é algo muito difícil de prever. Achamos que ele tem mais para dar. Agora, quando você tem jogadores de nível à frente, é difícil ter essas oportunidades de desenvolver mais. Isso depende muito do jogador, da resiliência dele”, disse Boto, reconhecendo a dificuldade do atleta em se firmar.
Apesar disso, o dirigente garante que o clube sabia exatamente o que buscava no mercado, e Juninho foi contratado para suprir uma necessidade pontual do elenco.
“Mas o que era o objetivo da contratação foi conseguido. Nós nunca fomos buscar o Juninho a pensar que seria o nosso centroavante e faria 50 gols. Era para suprir uma falta que havia, e o jogador tinha características que nós queríamos e não era caro. Ele cumpriu isso e tem ainda mais para dar, tem que trabalhar para isso e aproveitar todos os minutos que tiver para mostrar que está a evoluir”, completou.
Volta de Pedro interfere diretamente na minutagem de Juninho
Na época da negociação, o Flamengo lidava com a ausência de Pedro, lesionado, o que impactou diretamente na necessidade de um nome para o setor ofensivo. Segundo José Boto, Juninho chegou com o papel de ser uma alternativa imediata a Bruno Henrique, que era o único jogador disponível para a função.
“Quando contratamos um jogador, contratamos para uma determinada função em campo, mas também para uma determinada circunstância. Naquela altura, o Pedro estava lesionado, nós só tínhamos um atacante praticamente, que era o Bruno Henrique, e precisávamos de alguém com determinadas características, que eram aquelas que o Juninho tinha, para poder ser o número dois do Bruno”, explicou.
Com o retorno de Pedro, a concorrência aumentou e naturalmente o espaço para Juninho diminuiu. Ainda assim, o dirigente rebate a ideia de que a contratação tenha sido um erro.
“É óbvio que essa circunstância muda, e nós sabíamos disso, a partir do momento em que o Pedro retorna. Isto não quer dizer que foi uma contratação falhada. Foi uma contratação que teve um objetivo e cumpriu esse objetivo que nós visualizávamos, que era alguém que pudesse fazer aquela posição porque só tínhamos um jogador para fazer isso”, afirmou.
Adaptação em processo e necessidade de evolução
Boto também comentou sobre a evolução do atacante nos treinamentos e o desafio de se destacar diante de um elenco tão competitivo. Ele afirma que o Flamengo já tinha consciência de que o jogador teria uma queda natural no número de minutos ao longo da temporada.
“Isso depende mais do jogador do que de nós. Não sendo fácil quando a concorrência é grande. É mais fácil quando a concorrência não é grande e tu tens que insistir no jogador, insistir, insistir… E tem uma altura em que ele vai ao encontro das expectativas que tínhamos”, ponderou.
Encerrando sua análise, o diretor revelou que o planejamento já considerava a redução de oportunidades, mas que o atleta está mais ambientado e deve usar os minutos que receber para mostrar sua utilidade.
“Neste caso, e nós sabíamos disso, por isso não fomos buscar um jogador que custasse 15 (milhões de euros). Sabíamos que haveria uma altura da temporada em que ele ia ter menos minutos do que no início. Daquilo que vejo nos treinos, ele hoje está mais adaptado do que estava. Ele tem que aproveitar esses minutos que vai ter para mostrar que podemos contar com ele”, concluiu José Boto.













