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Raça Rubro-Negra promete revolução no Maracanã em retorno aguardado

Torcida organizada do Flamengo prepara reestreia com surpresas na bateria, mudança de postura e pacto por paz nas arquibancadas

Bateria da Raça Rubro-Negra
Bateria da Raça Rubro-Negra

O retorno da Raça Rubro-Negra está marcado para o dia 20 de julho, no clássico entre Flamengo e Fluminense, no Maracanã. Considerada a principal organizada do clube, a torcida promete transformar a experiência na arquibancada com uma proposta ousada: reformular a cultura de apoio ao time dentro do estádio, com mais entrega, consciência e menos samba em momentos inoportunos.



Com mais de 2 mil cadastros já entregues ao BEPE (Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios), o movimento se prepara para retomar o “pulmão” da arquibancada. Em entrevista ao portal MundoBola Flamengo, Isaac Nascimento, diretor de bateria da torcida, destacou que o retorno será um marco na história rubro-negra, não só pela presença física, mas pela nova proposta de atuação da torcida.

Torcida quer mudar o perfil de quem frequenta o Maracanã

Isaac fez duras críticas ao atual comportamento do público que frequenta os jogos no estádio, alegando que a nova geração vai apenas assistir, sem o compromisso de cantar os 90 minutos ou de chegar cedo para os tradicionais “esquentas”.

“A galera, hoje, não se importa mais em cantar os 90 minutos. Não vai mais com essa responsabilidade de deixar a vida na arquibancada. Só vai para assistir ao jogo”, disparou.

Ele ainda ressaltou que movimentos como o AeroFla mostram que existe uma massa torcedora engajada que, muitas vezes, fica fora do estádio. Por isso, o trabalho da Raça será de reeducação da cultura de torcer, algo que, segundo ele, não se constrói com imposição, mas com conscientização.



Menos samba e mais sintonia com o jogo

Uma das grandes críticas dos torcedores nos últimos tempos é a execução de sambas de exaltação em momentos que exigem apoio tático ao time. Sobre isso, Isaac foi direto:

“Será um trabalho árduo. Faremos o que sempre fizemos. Flamengo está atacando, 0 a 0, vamos insistir nas músicas ‘Vai para cima deles, Mengo’, voltar com o ‘Mengo’ no lance de perigo. O povão fica perdido, não sabe quem seguir.”

Ele elogiou a atuação da Fla Manguaça durante a ausência da Raça e disse que a intenção agora é resgatar os cânticos antigos, resgatar o sentimento do jogo e guiar a arquibancada com mais inteligência. O samba, garante ele, só no fim do jogo, e isso fará parte de uma “lavagem cerebral” que a torcida pretende implementar:

“Cantar samba de exaltação só no final do jogo. Levamos isso a sério. Para mudar, será uma lavagem cerebral que teremos que fazer.”



Bateria promete novidade nunca vista antes

A volta da Raça será acompanhada de surpresas na bateria, segundo Isaac. Sem entrar em detalhes, ele afirmou que o grupo prepara algo inédito nas arquibancadas brasileiras:

“Vai ter uma parada aí que nunca foi vista na arquibancada. A bateria vai ficar uma parada marcante”, garantiu.

A torcida, que recentemente esteve na Grande Rio, pode trazer elementos da escola de samba para o estádio. O diretor de bateria contou que integrantes da bateria são ligados ao samba e que a sinergia com a escola pode render bons frutos:

“Chamei o diretor de repique da Grande Rio. Quando a gente precisar, estaremos com ele. Vamos colocar uns negócios aí na bateria… Vai ficar maneira nossa bateria.”

Nova postura: paz, união com outras torcidas e apoio irrestrito

Em outra frente, a Raça também trabalha pela redução da violência. Segundo Isaac, um TAC foi assinado com o Ministério Público e o BEPE, em que a torcida se comprometeu a identificar autores de brigas e afastar os responsáveis:



“Hoje, a pessoa que for pega brigando, vai responder. Vai isentar o CNPJ da torcida, não vai sofrer mais punições. A pessoa reconhecida será punida, no CPF.”

A união com outras organizadas também está no radar. A Raça pretende se reunir com torcidas coirmãs para que haja alinhamento na forma de torcer, dando protagonismo à organizada na condução dos cânticos no estádio:

“A Raça Rubro-Negra que puxa as músicas no Maracanã. Vamos conversar com as demais torcidas para unificar a voz.”

Imagem a ser reconstruída: mais do que festa, uma missão social

A torcida quer mudar a imagem negativa que carregou nos últimos anos. Para isso, irá mostrar à sociedade que a Raça é, antes de tudo, um movimento social, com ações concretas fora dos estádios:



“Tem meses que a gente doa sangue, visita orfanato. É uma parada de consciência, a Raça é um movimento social.”

O diretor lembrou ainda das perseguições sofridas por integrantes da organizada nos últimos anos e disse que o momento agora é de renascimento:

“Sofremos, mas agora tudo mudou. É apoiar o Flamengo incondicionalmente.”

A Raça Rubro-Negra retorna ao Maracanã com outra visão, novos compromissos e uma missão clara: resgatar a essência da arquibancada rubro-negra, com paixão, organização, respeito e força popular.



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