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Jardim justifica escalação do Flamengo com Pedro, Paquetá e Varela no banco contra o Cruzeiro

Com Pedro, Paquetá e Varela no banco, Jardim explica escalação do Flamengo contra o Cruzeiro

Leonardo Jardim em entrevista coletiva após empate do Flamengo com o Cruzeiro no Mineirão
Leonardo Jardim em entrevista coletiva após empate do Flamengo com o Cruzeiro no Mineirão

O técnico Leonardo Jardim avaliou de maneira positiva o empate por 1 a 1 entre Flamengo e Cruzeiro, na noite desta quarta-feira, no Mineirão, pelo confronto de ida das oitavas de final da Libertadores. Depois do duelo, o comandante rubro-negro ressaltou o equilíbrio da partida, mas alertou que o time precisará manter a atenção no jogo de volta, que será disputado no Maracanã.



— Foi um jogo equilibrado, pelo que vimos dos números, entre duas boas equipes. O resultado foi positivo, mas vamos ver no segundo jogo. Não é à toa que todos os jogos (da rodada) empataram. Temos que, na nossa casa, voltar a repetir uma boa exibição. Temos que ter atenção com o Cruzeiro — disse.

Justificativa para a escalação

Antes da partida, a escalação escolhida por Jardim gerou diversos questionamentos entre os torcedores, principalmente pelo fato de Pedro, Paquetá e Varela começarem no banco de reservas. O treinador explicou suas decisões e destacou a quantidade de alternativas disponíveis no elenco do Flamengo.



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— Acho que não mudamos muito daquilo que tem sido o nosso cenário na Libertadores. Muitos destes jogadores têm jogado na Libertadores e, no campeonato, às vezes, coloco outros. O importante é termos soluções. Temos soluções para, em cada jogo, sermos competitivos e buscarmos os resultados, porque é isso que os torcedores querem: resultados. E eu, como treinador, também.

Disputa entre Varela e Royal

Jardim também explicou a utilização de Varela e Royal na lateral e ressaltou que considera os dois jogadores importantes, com características diferentes para determinados tipos de partida.

— São dois jogadores de grande qualidade, tanto o Varela quanto o Royal. Quando nós queremos um jogo mais envolvente e um jogo em que a bola fique muito mais no nosso poder, muitas vezes utilizamos o Varela. Nos jogos da Libertadores, normalmente são partidas mais agressivas, com mais duelos, e o Royal também é extremamente forte nisso. Por isso, estou extremamente satisfeito com as duas opções. São dois jogadores muito importantes para mim, como treinador.



Motivos para as substituições

O treinador afirmou que as alterações realizadas durante o confronto tiveram como objetivo dar mais energia ao setor ofensivo e ao meio-campo. Segundo Jardim, Arrascaeta e Bruno Henrique apresentavam desgaste, enquanto Pedro e Paquetá estavam entre as alternativas disponíveis.

— A gente deu um pouco de frescor na meia ofensiva e no ataque. O Arrasca e o BH não estavam prontos, estavam um pouco desgastados. Temos jogadores como o Pedro no banco e o Paquetá. Mesmo que o Paquetá ainda não esteja no seu melhor, porque vem de muita inatividade e ainda tem dificuldade de ter algum ritmo, a gente refrescou o time. E acabou surgindo o gol de empate através desse jogador. E foi importante, porque não mudamos o esquema, só refrescaram as peças.

Recepção da torcida do Cruzeiro

Jardim comentou a maneira como foi recebido pelos torcedores do Cruzeiro e afirmou ter um carinho especial pelo clube. O técnico, entretanto, lamentou o que classificou como uma criação de grande ódio direcionado à sua pessoa.

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— Em relação à recepção, é assim: eu tenho um carinho especial por essa torcida. Mas, pena minha, que houve pessoas que criaram um ódio muito grande. Criaram um ódio em relação à minha pessoa, porque é mais fácil, na vida, a gente se esconder do que encarar a verdade. Mas eu estou muito tranquilo comigo mesmo. E acho que os torcedores fizeram o papel deles. Agora eu quero falar dos nossos torcedores que vieram aqui, gritaram, apoiaram o time. E isso, para mim, é o que há de se destacar. E que, no Maracanã, a gente tenha o apoio de todo mundo.

Carrascal no aquecimento

O comandante explicou ainda por que Jorge Carrascal chegou a iniciar o aquecimento durante a partida. A movimentação aconteceu depois de Samuel Lino sofrer uma pancada e apresentar dificuldades momentâneas.

— O Carrascal foi aquecer porque o Lino levou uma pancada e sentiu alguma dificuldade, mas depois voltou ao jogo.

Alternativas para a lateral esquerda

Sobre a possibilidade de utilizar um jovem na lateral esquerda, Jardim citou Johnny, jogador que estava entre as opções no banco. O treinador revelou confiar bastante no atleta, mas considerou que uma partida de tamanha intensidade não seria o cenário adequado para lançá-lo.

— É assim: o nosso lado esquerdo tem um jovem jogador no banco, o Johnny. É um jogador em que eu acredito muito. Acredito que, a médio prazo, vai jogar mais jogos pelo Flamengo e, no futuro. Mas, com certeza, com um jogo com esta intensidade, não era o momento correto para estar lançando um jovem. Porque um erro podia acabar com a carreira dele, não é? Mas acredito que, se houver algum problema na lateral, ele, em um jogo ou outro, vai ter que ser utilizado. E como já foi utilizado em Portugal, e foi muito bem.

Marcação individual do Cruzeiro

Jardim explicou que o Cruzeiro adotou uma estratégia de marcação individual tanto no meio-campo quanto na linha defensiva. Para ele, esse tipo de abordagem dificultou a participação de alguns jogadores mais técnicos do Flamengo, embora a movimentação da equipe tenha ajudado a encontrar espaços.

— Hoje em dia, todo mundo vê os jogos. O Cruzeiro vê os nossos jogos, e nós vemos os jogos do Cruzeiro. É uma estratégia de marcação individual no meio-campo e na linha defensiva. E nós, como adversários, temos que tentar superar essa situação. Cada um utiliza a sua estratégia. Nós utilizamos a nossa, e o Cruzeiro utiliza a dele. O que aconteceu? Claro que, com uma marcação homem a homem, às vezes, fica mais difícil ter a bola, principalmente para alguns dos nossos jogadores mais técnicos. Mas, ao mesmo tempo, acho que houve alguma mobilidade, algumas trocas de posição que permitiram criar espaços para conseguirmos ter a bola.

Empate considerado justo?

Ao analisar novamente o placar, o treinador afirmou que o confronto foi equilibrado, mas apontou uma superioridade do Flamengo. Jardim também valorizou o gol marcado por Arroyo e destacou que o Cruzeiro possui qualidade no contra-ataque.

— Eu volto a repetir aquilo que disse logo no início. Acho que foi um jogo equilibrado, com um excedente do Flamengo. O Cruzeiro acabou por chegar ao gol num golaço, não é? Os grandes gols também têm que ser valorizados. E dar os parabéns ao Arroyo pelo gol que ele fez. Nessa altura, o jogo estava um pouco equilibrado. Nós fomos à procura da virada do jogo e acabamos por empatar. O Cruzeiro tem um contra-ataque também bom.

Preparação para o jogo de volta

Jardim evitou projetar neste momento os detalhes do segundo confronto com o Cruzeiro. O treinador lembrou que o Flamengo terá um compromisso pelo campeonato dentro de três dias e que a equipe não pode tratar essa partida de maneira negligente.

— É uma pergunta muito difícil, porque eu ainda tenho que pensar no jogo do campeonato, que jogamos daqui a três dias, e é um jogo importante. Vocês sabem que nós diminuímos agora a distância para o Palmeiras e não podemos encarar o jogo do próximo domingo de forma leviana. Temos que pensar primeiro nesse jogo para depois pensarmos no jogo de volta contra o Cruzeiro, como fizemos com o Vitória e depois pensamos neste jogo de hoje.

O técnico também afirmou que não pretende antecipar decisões sobre quem será titular no próximo compromisso. Jardim ressaltou que considera tanto Paquetá quanto Pedro jogadores titulares, mas destacou que o elenco conta com muitos atletas que podem iniciar as partidas.

— Não vale a pena dar um passo à frente do outro. Nós sabemos que tanto o Paquetá quanto o Pedro são jogadores titulares. Mas a gente tem 15 ou 16 jogadores que são titulares. Depois, isso vai depender do momento, da escolha, da análise que eu fizer do adversário e daquilo que eu quero para começar o jogo. Com certeza, se esses começarem, os outros vão entrar. Se esses não entrarem, os outros vão começar. Mas a minha preocupação agora é o jogo contra o Mirassol, daqui a três dias.

Ausências de Luiz Araújo e Wallace Yan

O treinador também esclareceu as situações de Luiz Araújo e Wallace Yan. Segundo Jardim, Luiz ainda está em processo de retorno após um problema físico, enquanto Wallace ficou fora por uma decisão técnica diante da disponibilidade do elenco.

— O Luiz Araújo é por um problema físico. Ele está fora há umas quatro ou cinco semanas, não é? Começou a treinar há dois dias e ainda não estava em condições de estar com a gente. O Wallace foi uma opção em relação à escolha, porque, com todo mundo disponível, começa a ser necessário deixar alguém de fora.

Relação com os jogadores do Cruzeiro

Jardim voltou a falar sobre seu relacionamento com atletas e profissionais do Cruzeiro. O técnico lembrou a proximidade que mantém com jogadores, comissão técnica, funcionários e diretoria, mas afirmou que informações incorretas acabam influenciando a percepção dos torcedores.

— Eu tenho uma relação muito próxima com os jogadores. Vocês viram isso já no primeiro jogo, no Maracanã. Hoje viram também com a comissão técnica, com os funcionários do clube. Tenho uma boa relação com a diretoria. Mas, quando passam informações erradas para fora, os torcedores… Mas eu não vou criticar os torcedores. Às vezes, eles acreditam naquilo que passam para eles.

O treinador reforçou que continua tendo carinho pelo Cruzeiro e afirmou que prefere assumir eventuais prejuízos pessoais a causar problemas a pessoas com quem possui uma relação especial.

— Mas continuo gostando do Cruzeiro. O Cruzeiro é uma equipe que vou levar sempre no coração. Infelizmente, as coisas aconteceram dessa forma. Mas eu prefiro ser eu o prejudicado do que prejudicar outras pessoas com quem eu até tenho uma relação especial.

Decisão de deixar o Cruzeiro

Questionado se havia abdicado de continuar no comando do Cruzeiro, Jardim afirmou que a decisão partiu das duas partes, rejeitando a interpretação de que somente ele teria optado por deixar o clube.

— Eu abdicar, não. As duas partes abdicaram. É fácil vender a ideia de que o Jardim abdica. As duas partes abdicaram.

Cruzeiro de Tite e de Artur Jorge

O técnico também comparou as equipes do Cruzeiro comandadas por Tite e Artur Jorge. Jardim apontou diferenças nos modelos de jogo, destacando que o time atual trabalha mais com marcação individual e apresenta maior confiança e organização.

— São Cruzeiros que jogam em modelos diferentes. Hoje em dia, o Cruzeiro joga num modelo mais de marcação, homem a homem. O Tite não era assim. Com certeza, neste momento, está um time mais confiante, mais organizado. Por isso, tem mostrado os resultados que tem feito, em termos de campeonato, de Libertadores e de Copa. Mas, pronto, os jogadores continuam lá. Os jogadores que eram as mais-valias nessa altura continuam a ser outra vez as mais-valias, como era o Gerson, o Matheus, o Kaio, o Fabrício… Todos eles. Por isso, acabam por ser dois estilos diferentes, mas sempre uma equipe competitiva. Aquele jogo, lembro, foi no Maracanã e foi extremamente competitivo.

Diferenças na construção do jogo

Jardim explicou que a posse de bola é um componente relevante na construção das equipes, mas destacou que o contexto de cada clube e a postura dos adversários influenciam diretamente o estilo apresentado.

— A posse de bola é uma coisa importante na construção. Não é quando nós temos uma ideia de construção. O Flamengo, com certeza, é um time que hoje em dia tem mais posse de bola, porque também os adversários baixam mais as linhas. Você lembra quando eu cheguei ao Cruzeiro. O Cruzeiro estava num momento também difícil, em que os adversários não respeitavam o clube, não respeitavam o time e, muitas vezes, vinham para cima de nós.

O treinador lembrou que, naquela época, os adversários ofereciam espaços nas costas da defesa, algo que o Cruzeiro conseguia explorar. Segundo Jardim, alguns desses conceitos de transição permanecem presentes, embora a equipe também tenha jogadores capazes de controlar a posse.

— Davam espaço nas costas, e nós aproveitávamos essa situação. Mas, com certeza, muitas dessas ideias de transição ainda aparecem hoje em dia. Ainda procuro a profundidade, vejo os pontas procurando. Mas, com certeza, há jogadores que também conseguem manter a posse de bola. São estilos diferentes e adaptados à situação que cada um está vivendo.

Declaração sobre treinar somente o Cruzeiro no Brasil

Por fim, Jardim voltou a explicar a declaração anterior de que treinaria apenas o Cruzeiro no futebol brasileiro. O português afirmou que sua intenção inicial não era retornar ao país, pois pretendia permanecer no Oriente Médio, mas acabou aceitando a oportunidade quando surgiu o Flamengo.

— Não, eu já disse que aquela informação sobre esse assunto foi uma questão que eu pensava que ia ficar aqui mais um tempo no Brasil. Acabou por não acontecer. Como eu já disse, as partes entenderam não continuar. A minha ideia não era voltar ao Brasil, sinceramente. Era ficar. Acabou por não ter espaço lá (Oriente Médio), que era o que eu pretendia. Apareceu o Flamengo, e ninguém pode dizer não ao Flamengo.

Jardim reforçou a dimensão do Flamengo no futebol sul-americano e disse que reconheceu o erro de ter afirmado anteriormente que não retornaria ao Brasil. Apesar disso, declarou estar tranquilo sobre as demais circunstâncias envolvendo sua saída do Cruzeiro e chegada ao clube carioca.

— O Flamengo, queira ou não, é o maior clube da América do Sul. E ninguém pode dizer não ao Flamengo. E por isso eu aceitei voltar ao Brasil. Já pedi desculpas em relação a essa situação de ter dado uma opinião de que não voltava e voltei atrás na minha palavra. Mas, em relação às outras situações, estou muito tranquilo, porque sei muito bem o que aconteceu. E, amigos, vocês sabem. Só que, às vezes, é melhor chutar para o lado e fechar os olhos.

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