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José Boto critica nova regra de estrangeiros e alerta para possível queda de nível no Brasileirão

Boto questiona nova regra do Brasileirão e defende mais liberdade para os clubes

José Boto, diretor do Flamengo
José Boto, diretor do Flamengo

José Boto, diretor de futebol do Flamengo, manifestou oposição à decisão dos clubes de reduzir gradualmente a quantidade de jogadores estrangeiros permitidos no Brasileirão. A proposta foi aprovada nesta segunda-feira (21) e terá início na temporada de 2027.



Pelas regras atuais, cada equipe pode relacionar até nove estrangeiros por partida. A partir da próxima temporada, o número cairá para oito e continuará sendo reduzido progressivamente até atingir o limite de cinco jogadores em 2030.

O Flamengo e o Bahia foram os únicos clubes que votaram contra a mudança. Atualmente, o Rubro-Negro possui dez estrangeiros no elenco e, mesmo com a regra vigente, precisa deixar pelo menos um atleta fora da relação quando todos estão à disposição.



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Para José Boto, entretanto, a questão não se restringe às dificuldades que a nova regra pode provocar no planejamento do Flamengo. O dirigente considera que a redução também pode afetar o nível técnico do Campeonato Brasileiro.

“Não me parece que essa medida vá ajudar o futebol brasileiro. Pelo contrário, vai por a liga mais fraca, porque os jogadores vão continuar saindo para a Europa muito novos, e os clubes não tendo a possibilidade de reter esses jogadores de valor, vão ter que jogar com jogadores com menos valia, e isso vai abaixar a qualidade da liga brasileira”, afirmou Boto.



A CBF sustenta que a alteração tem como objetivo aumentar as oportunidades para jogadores formados no Brasil. Segundo o entendimento da entidade, o aumento da presença de estrangeiros mais experientes no futebol brasileiro nos últimos anos acabou reduzindo o espaço disponível para atletas mais jovens.

Marcos Motta apresenta alternativa para valorizar jogadores formados no Brasil

O vice-presidente de Administração do Flamengo, Marcos Motta, também se manifestou contra a diminuição do limite. Ao falar como advogado especializado, o dirigente utilizou como referência o modelo da Premier League e afirmou que existem outras formas de proteger os jogadores formados no país.

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“Acho que isso não engrandece o produto, acho que existem outras maneiras de se proteger o mercado local. Essa não é uma discussão nova, é uma discussão que já acontece há muito tempo, inclusive a nível europeu. A Premier League tem as regras dela, o que eles chamam de ‘Home-grown Player‘”.

“Você tem uma limitação de 25 atletas seniores, sendo que 17 podem ser acima de 25 anos. A diferença tem que ser de jogadores formados, mas não importa a nacionalidade, importa o tempo de formação”, afirmou à ESPN.

Marcos Motta avalia ainda que a discussão não deve ser encerrada com a votação realizada na segunda-feira. Para o dirigente, o assunto deve continuar sendo debatido nos próximos meses por clubes e profissionais que atuam no direito esportivo.

“Acho que esse debate tem que ficar vivo. Acho que essa proposta, essa discussão de ontem não deve terminar ali, eu acho que ela deve seguir. E pela conversa que eu tenho tido desde ontem com colegas, enfim, de clubes e advogados também que militam na área, eu acredito que essa agenda vai continuar viva nos próximos dias ou nos próximos meses.”

Boto também questiona limite para transferências dentro do Brasileirão

Além da discussão envolvendo os estrangeiros, José Boto aproveitou o momento para defender outra alteração nas regras do Campeonato Brasileiro. Atualmente, um atleta que chega a 12 partidas por um clube fica impedido de defender outra equipe na mesma edição da Série A.

Na visão do dirigente, essa regra dificulta as negociações entre os próprios clubes brasileiros e contribui para que recursos financeiros deixem o mercado nacional em direção a outros mercados.

“Acho que há uma medida que essa sim faria todo o sentido, que era a de não limitar as transferências entre clubes brasileiros a um número de jogos, porque isso é algo que não existe em mais nenhuma parte do mundo e isso faz com que o dinheiro saia daquilo que é o ecossistema do futebol brasileiro”, disse.

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