Carlo Ancelotti se posicionou favoravelmente à nova regra aprovada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para diminuir gradualmente o número de jogadores estrangeiros que podem ser relacionados pelas equipes do Brasileirão. A decisão foi contestada pelo Flamengo, que votou contra a proposta, mas recebeu o apoio do técnico da Seleção Brasileira.
A medida prevê uma redução progressiva do limite de atletas estrangeiros nas partidas. Atualmente, os clubes podem relacionar nove jogadores de outras nacionalidades, número que cairá para oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e, a partir de 2030, ficará limitado a cinco.
Ancelotti comentou o assunto durante entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira (24) e defendeu que a mudança pode abrir mais espaço para jogadores brasileiros, além de contribuir para o próprio campeonato.
LEIA TAMBÉM:
— Eu acho que a redução de estrangeiros no futebol brasileiro é um aspecto muito importante para dar oportunidade ao talento brasileiro, que é muito, mas é também uma oportunidade para todo o Campeonato Brasileiro. Me parece que não é um demérito reduzir, ano após ano. É uma coisa muito positiva para o futebol —, disse o treinador em entrevista coletiva nesta quinta-feira (24).
Flamengo esteve entre os clubes contrários
Entre os 40 clubes das Séries A e B, somente Flamengo, Bahia e Londrina votaram contra a redução. Com a aprovação da proposta, o limite atual de nove estrangeiros será reduzido gradativamente até chegar a cinco por partida em 2030.
A mudança atinge diretamente o Flamengo, que atualmente possui 11 jogadores estrangeiros em seu elenco.
Fazem parte dessa relação os uruguaios Arrascaeta, Varela, De La Cruz e Viña, sendo que Viña está emprestado; os argentinos Rossi e Freitas; os equatorianos Plata e Valencia; o chileno Pulgar; o colombiano Carrascal; e o espanhol Saúl.
Apesar de ter defendido anteriormente a Seleção Italiana, Jorginho não é considerado estrangeiro para essa regra. O meio-campista nasceu no Brasil, no estado de Santa Catarina.
Mergulhe na História Rubro-Negra:
José Boto critica decisão da CBF
A posição do Flamengo foi reforçada pelo diretor de futebol José Boto. O dirigente português criticou a nova regulamentação e avaliou que a redução poderá diminuir a qualidade do Campeonato Brasileiro ao longo dos próximos anos.
Boto destacou sua experiência profissional em diferentes ligas e afirmou que, embora respeite os estudos que levaram à decisão, não acredita que a medida terá o efeito esperado pela CBF.
— Como estrangeiro, que trabalha no Brasil, mas que já trabalhou em outras ligas, vou dar a minha opinião, embora respeite, como é óbvio, quem fez esses estudos. Não me parece que essa medida vá ajudar o futebol brasileiro, antes, pelo contrário, vai pôr a liga mais fraca, porque os jogadores vão continuar saindo —, disse Boto.
Na avaliação do diretor, os principais talentos brasileiros continuarão deixando o país ainda jovens para atuar na Europa. Com menos estrangeiros disponíveis para os clubes, Boto entende que as equipes terão de recorrer a jogadores de menor valor técnico, o que, segundo ele, poderá afetar o nível da competição nacional.
— Os melhores jogadores vão continuar a sair para a Europa muito novos, e os clubes não tendo a possibilidade de reter esses jogadores de valor, vão ter que jogar com jogadores com menos valia, e isso vai baixar a qualidade da liga brasileira —, acrescentou o dirigente português.
Ancelotti prepara próximo compromisso do Brasil
Ao mesmo tempo em que defende a decisão da CBF sobre os estrangeiros, Carlo Ancelotti concentra seu trabalho na preparação da Seleção Brasileira para seu primeiro amistoso depois da Copa do Mundo.
O Brasil entra em campo nesta sexta-feira (25), a partir das 7h, no horário de Brasília, para enfrentar a Austrália.
Dois jogadores do Flamengo foram convocados para o compromisso. Samuel Lino e Pedro estarão à disposição de Ancelotti, mas começarão a partida no banco de reservas.













