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Bap diz que Argentina comemora veto às bets e alerta: “Vai enfraquecer o futebol brasileiro”

Presidente do Flamengo afirma que Argentina será beneficiada com veto às casas de apostas

Bap, presidente do Flamengo
Bap, presidente do Flamengo

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, voltou a se manifestar contra a Medida Provisória que determina a proibição das casas de apostas no Brasil. Em participação na FlamengoTV nesta segunda-feira (28), o dirigente utilizou a contratação de Lucas Paquetá para exemplificar compromissos financeiros assumidos pelo clube que, segundo ele, podem ficar ameaçados pela mudança.



A MP foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (25) e passou a produzir efeitos imediatamente após a publicação. O texto determina a interrupção das operações das bets no país, com prazo para retirada dos valores pelos usuários até 5 de outubro e desligamento das plataformas a partir de 6 de outubro.

Bap também classificou a decisão como “intempestiva e extemporânea” e questionou o momento em que a medida foi adotada, próximo ao primeiro turno das eleições. O dirigente ainda afirmou que o Flamengo não necessita de auxílio governamental para quitar suas obrigações.



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Bap explica preocupação com compromissos de longo prazo

Durante a entrevista, o presidente rubro-negro defendeu a maneira como o Flamengo administra suas obrigações financeiras e explicou que a mudança nas regras interfere diretamente no planejamento realizado pelo clube.

Segundo Bap, o Flamengo assumiu compromissos de médio e longo prazo por meio de contratos considerados legais e, diante da alteração no cenário, existe uma preocupação com a capacidade de cumprir essas obrigações nas condições originalmente previstas:



“Tema que pegou todo mundo de surpresa e traz impactos materiais para o ecossistema do futebol, não só no Flamengo, como alguns tentam minimizar. Ao longo desse processo de mudança do Flamengo, fomos desenvolvendo uma sensibilidade de que não basta fazer, tem que ter transparência nos atos, explicar relações de causa e efeito. O Flamengo é um clube responsável, que faz tudo dentro da lei, é cumpridor de todas as obrigações.

Nós assumimos obrigações e compromissos de médio-longo prazo, fruto de contratos legais que nós celebramos. Temos respeito enorme pela credibilidade e reputação da gente. Ficou muito claro que uma série de compromissos futuros estão seriamente ameaçados. Vamos ter aí uma dificuldade enorme de cumprir, nos termos atuais, fruto dessa medida intempestiva e extemporânea que nós enfrentamos.”

Mergulhe na História Rubro-Negra:

Na sequência, Bap voltou a abordar os efeitos da medida e citou diretamente a contratação de Paquetá. O presidente também afirmou que a decisão pode reduzir a capacidade de investimento do futebol brasileiro e atingir diferentes áreas dos clubes:

“Causa insegurança jurídica, mas também causa estupefação, surpresa e preocupação para os que são responsáveis como o Flamengo. Isso foi discutido durante anos no Congresso Nacional, a sociedade toda envolvida. Em 80% dos países do mundo, o jogo controlado é permitido. Isso foi discutido amplamente no Brasil. Banimento unilateral, da forma que foi, no momento que foi, é muito difícil de entender a uma semana da eleição. Como vou pagar o Paquetá em janeiro?

Eu assumi um compromisso importante para o Flamengo, e tudo que o Flamengo faz é dentro da lei. Não precisamos de ajuda do Governo para pagar dívidas. Essa medida compromete as receitas do futuro. Afeta folha do futebol, contrações, pagamentos, esportes olímpicos. Os campeonatos regionais estão dizimados. Na Argentina estão celebrando isso. Vai enfraquecer o futebol brasileiro, e o futebol argentino ficará mais forte. Você não reduz o endividamento do brasileiro com essa decisão.”

Paquetá é citado como exemplo dos compromissos do Flamengo

A referência de Bap a Lucas Paquetá já havia aparecido em uma declaração anterior. Em entrevista ao Poder360 na sexta-feira (25), o presidente do Flamengo também mencionou a contratação do meio-campista como uma das obrigações assumidas pelo clube com expectativa de receitas provenientes do setor.

O Flamengo contratou Paquetá junto ao West Ham (GBR) com pagamento parcelado. Na mesma ocasião, Bap estimou que a mudança poderia provocar um prejuízo de até R$ 430 milhões ao Flamengo em 2027 e reconheceu que, naquele momento, o clube não possuía um plano B de curto prazo para substituir a receita.

Patrocínio da Betano preocupa o Flamengo

Uma das principais preocupações financeiras envolve o espaço nobre da camisa rubro-negra. A Betano, atual patrocinadora máster do Flamengo, havia sinalizado informalmente ao clube a possibilidade de encerramento do vínculo diante da nova legislação.

O contrato está estimado em aproximadamente R$ 268 milhões por temporada e possui validade até o fim de 2028. A possibilidade de perda dessa receita é apontada como um dos fatores de maior impacto no planejamento financeiro do Flamengo.

Clubes discutem alternativas para amenizar perdas

A declaração de Bap sobre não precisar de ajuda do Governo ocorre em meio às discussões entre clubes brasileiros sobre alternativas financeiras. As equipes vinham debatendo uma possível linha de crédito com juros reduzidos para ajudar a enfrentar perdas e reorganizar dívidas. As tratativas envolvem o BNDES e preveem um programa de financiamento para clubes e SAFs, embora o formato tenha passado por discussões e ainda esteja em processo de definição.

Ao mesmo tempo, o tema chegou ao Supremo Tribunal Federal. Nesta segunda-feira (28), entidades ligadas ao setor de apostas solicitaram ao ministro Luiz Fux a suspensão da MP que proibiu as bets no Brasil. A Advocacia-Geral da União pediu prazo de 72 horas para se manifestar antes de uma eventual decisão do ministro.

Antes da publicação da MP, o Flamengo já havia participado, ao lado de outros clubes, do manifesto “Fim do futebol”, divulgado em 17 de setembro. O documento defendia a permanência do mercado regulado de apostas no Brasil.

Como funciona a MP das bets

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a Medida Provisória na sexta-feira (25), em São Paulo. O texto foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União e passou a valer imediatamente, proibindo a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país.

Pelo cronograma estabelecido, os apostadores têm até as 23h59 de 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores disponíveis nas plataformas. A partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos deverão sair do ar. A retirada de publicidade e materiais de patrocínio relacionados às bets também possui prazo até 5 de outubro.

A proibição, porém, ainda precisa passar pelo Congresso Nacional. A Medida Provisória tem prazo de até 120 dias para ser analisada e convertida em lei; caso não seja aprovada dentro desse período, perde a validade. No âmbito judicial, entidades do setor também contestam a medida no STF, onde Luiz Fux é o relator das ações relacionadas ao tema.

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