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Clubes do Brasileirão avaliam paralisação após medida contra casas de apostas

Dirigentes pressionam por transição após restrições às casas de apostas

Brasileirão pode ter paralisação diante de impasse envolvendo publicidade das bets
Brasileirão pode ter paralisação diante de impasse envolvendo publicidade das bets

Dirigentes de clubes brasileiros começaram a discutir a possibilidade de paralisar o Brasileirão como forma de reação à medida provisória que proibiu as bets no país. De acordo com informações do Estadão, a possibilidade ainda está em discussão e seria utilizada como mecanismo de pressão sobre o Governo Federal.



A principal reivindicação dos clubes é conseguir um período de transição entre seis meses e um ano para o encerramento da publicidade das casas de apostas. Além disso, os dirigentes pretendem aproveitar a mobilização para buscar outras medidas, além da linha de crédito com juros baixos que já vinha sendo negociada antes da publicação da MP.

A estratégia também envolve a CBF. Os clubes querem que a confederação participe da pressão junto ao governo. Nesse cenário, os dirigentes consideraram relevante a iniciativa do Sinafut, que solicitou participação no processo contra a MP que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).



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Sinafut solicita prazo de transição ao STF

O Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut), entidade que representa clubes e federações, apresentou o pedido nesta segunda-feira (28). O sindicato pretende integrar as ações contra a Medida Provisória 1.394/2026, que estão sob relatoria do ministro Luiz Fux.

Na solicitação apresentada ao STF, o Sinafut pede que a MP seja suspensa até que o Congresso Nacional tome uma decisão ou até que o próprio Supremo julgue as ações. Caso isso não aconteça, a entidade requer que todos os prazos sejam prorrogados por pelo menos seis meses.



Como outra possibilidade, o sindicato propõe que os contratos ligados ao futebol profissional tenham um período de transição até 31 de dezembro de 2026. A proposta engloba contratos de patrocínio, publicidade, naming rights, transmissão e licenciamento.

A interpretação dos dirigentes sobre a relação com a CBF também possui elementos concretos. A direção do Sinafut conta com dois vice-presidentes da confederação, responsáveis pelas federações do Amazonas e do Pará.

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Além disso, a própria CBF comercializou para a Betano os naming rights do Campeonato Brasileiro.

O Sinafut também sustenta que a MP retirou mecanismos previstos na legislação de 2023 para combater a manipulação de resultados. Entre os instrumentos mencionados estão a obrigação de comunicar indícios às autoridades e a possibilidade de suspender preventivamente apostas relacionadas a eventos considerados suspeitos.

Clubes têm até 5 de outubro para retirar publicidade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a medida provisória na sexta-feira (25), em São Paulo. A partir da nova regra, os clubes ficaram impedidos de estabelecer novos contratos publicitários com casas de apostas.

De acordo com as regras definidas pelo Ministério da Fazenda, marcas e materiais publicitários das bets precisam deixar de circular até 5 de outubro.

Na avaliação do Sinafut, o prazo coincide com a fase decisiva das competições nacionais, período em que a exposição das marcas costuma atingir seu maior nível. Paralelamente, os clubes estão elaborando os orçamentos para 2027 e também planejando os campeonatos estaduais, que terão início em janeiro.

Maioria dos clubes da Série A tem bets como patrocinadoras

A medida atinge uma parcela significativa dos principais clubes brasileiros. Atualmente, 14 dos 20 times da Série A possuem casas de apostas como patrocinadoras máster.

Segundo a petição apresentada pelo Sinafut, o setor de apostas destinou aproximadamente R$ 1,14 bilhão aos clubes da elite em 2025. O valor correspondeu a 7,9% do faturamento conjunto das equipes.

Linha de crédito também enfrenta obstáculos

A possibilidade de paralisação do Brasileirão também seria utilizada pelos dirigentes para ampliar a discussão sobre compensações financeiras.

Até o momento, uma das principais alternativas discutidas era a criação de uma linha de crédito com juros baixos. Entretanto, o BNDES afirmou que não participa de qualquer discussão sobre financiamento para clubes.

Em nota, o banco informou que existe uma vedação estatutária para esse tipo de operação.

Enquanto isso, o governo pretendia reunir dirigentes para avaliar os prejuízos provocados pela medida provisória. O Ministério do Esporte chegou a convocar clubes e federações para uma reunião nesta terça-feira (29), mas o encontro acabou adiado e ainda não possui uma nova data definida.

Flamengo calcula impacto de R$ 400 milhões

Entre os clubes que podem sofrer impactos relevantes está o Flamengo. A Betano repassa R$ 268,5 milhões por temporada ao Rubro-Negro, em um contrato que permanece válido até o fim de 2028.

A patrocinadora já indicou informalmente que pretende encerrar o acordo.

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, calculou em R$ 400 milhões o impacto que a mudança poderá provocar nas receitas do clube no próximo ano.

Em entrevista ao Metrópoles, o dirigente reconheceu que o Flamengo ainda não possui uma alternativa definida para substituir essa receita:

“É muito difícil, no curto prazo, a gente dizer o que pode fazer, porque está sendo uma medida muito drástica. Eu estaria mentindo se dissesse que a gente tem um plano B para isso. Não temos.”

MP ainda será analisada pelo STF e pelo Congresso

No STF, o ministro Luiz Fux poderá tomar uma decisão individual sobre o caso ou encaminhar a questão para análise do plenário.

Antes disso, a Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou um prazo de 72 horas para apresentar sua manifestação.

Além do Sinafut, entidades ligadas ao setor de apostas, entre elas a ANJL e o IBJR, também já solicitaram a suspensão imediata da medida provisória.

Depois da tramitação no Judiciário, o texto ainda precisará ser analisado pelo Congresso Nacional para que possa se transformar em lei.

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