Os clubes brasileiros estão avaliando os impactos financeiros provocados pela Medida Provisória que proibiu as bets, e existe o temor de que as equipes precisem negociar atletas para reforçar o caixa e conseguir cumprir seus compromissos.
A avaliação foi apresentada pelo colunista Rodrigo Mattos, durante o programa UOL News Esporte, do Canal UOL. Segundo o jornalista, uma das consequências possíveis é uma venda em massa de jogadores caso não haja uma reversão da medida.
No caso específico do Flamengo, Mattos explicou que o acordo com a Betano está temporariamente suspenso enquanto o Congresso Nacional analisa a MP. O principal problema, de acordo com o jornalista, está relacionado ao fluxo de caixa previsto para 2027, período em que o clube terá diversos compromissos financeiros.
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Contrato do Flamengo com a Betano está em espera
Segundo Rodrigo Mattos, Flamengo e Betano realizaram uma reunião e decidiram manter o contrato em stand-by até que exista uma definição sobre a medida provisória das apostas.
“O que teve foi o seguinte: teve uma reunião do Flamengo e da Betano e eles decidiram manter o contrato em stand-by, foi o que me explicaram. Vão prolongar até ter uma definição da MP das bets, que ainda vai para o Congresso. Ou seja, o Flamengo vai ficar esses quatro meses esperando para ter uma definição do Congresso. Para esse ano não tem uma questão financeira, como você falou, já recebeu. Agora, o problema é para ano que vem. (…) A principal preocupação é essa questão dos direitos federativos. O contrato está em stand-by. Isso não é uma exclusividade do Flamengo. Ontem eu falei com vários clubes e todos estão com o cenário parecido. O que vai acontecer é uma venda em massa de de jogador, se não tiver uma reversão da questão da bet” – Rodrigo Mattos.
O jornalista ressaltou que o cenário não é exclusivo do Flamengo. Segundo ele, outros clubes brasileiros também estão enfrentando uma situação semelhante diante da indefinição sobre os contratos com empresas de apostas.
Flamengo esperava R$ 120 milhões da Betano em janeiro
Mattos também detalhou que o planejamento financeiro do Flamengo contava com um repasse de R$ 120 milhões da Betano em janeiro. O valor já estava inserido na programação de despesas do clube e seria utilizado para cumprir compromissos financeiros previamente estabelecidos.
Mergulhe na História Rubro-Negra:
Entre eles está uma parcela referente à contratação de Paquetá. O jornalista explicou ainda que o Flamengo possui outros pagamentos relacionados aos direitos federativos de jogadores contratados recentemente.
“Em janeiro ele tem que pagar o West Ham, o Atlético de Madrid, no caso do Samuel Lino, Milan, que é o Royal, e o Al Saad, que é o Plata. E em julho tem que pagar o River e o Antuérpia, que são desses jogadores jovens aí que chegaram, o Joaquín Freitas e o Valencia. Então a preocupação é principalmente relacionada a essa questão de você ter o pagamento dos direitos federativos do que estava previsto, porque tem um fluxo, a Betano tem uma previsão de um pagamento muito grande em janeiro, são 120 milhões, então o clube contava com esse fluxo de caixa” – Rodrigo Mattos.
Dessa forma, a preocupação maior do Flamengo está concentrada na capacidade de manter o fluxo financeiro planejado, especialmente diante dos pagamentos previstos para janeiro e julho.
Flamengo recorre ao STF contra a medida
Na terça-feira (29), o Flamengo acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) e reforçou a iniciativa das empresas de apostas que contestam a medida provisória do governo.
O presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, vem se posicionando entre as principais vozes contrárias à medida. O argumento utilizado é de que a proibição representa uma perda significativa de receitas para as equipes.
Patrocínios podem perder valor no futebol brasileiro
Na avaliação de Rodrigo Mattos, os valores pagos pelos patrocinadores também tendem a diminuir diante do novo cenário.
O jornalista explicou que praticamente todos os clubes brasileiros possuíam empresas de apostas como patrocinadoras master. Com a retirada simultânea dessas marcas das camisas, haverá uma grande quantidade de espaços disponíveis no mercado, o que pode reduzir os valores dos novos acordos.
“O que eu tenho ouvido de muitos clubes é o seguinte: vai ter alguma reposição sim, só que quando você abre todas as camisas de futebol brasileiro ao mesmo tempo, todas sem patrocinador, você desvaloriza de todo mundo” – Rodrigo Mattos.













