O espanhol Saúl Ñíguez vive um momento de maior confiança no Flamengo depois de enfrentar um período complicado ao longo de 2026. Após voltar a atuar e aproveitar uma oportunidade entre os titulares, o meio-campista também ganhou destaque fora de campo pelas músicas que publica nas redes sociais.
“Agora que tem Data Fifa, que não tem muito do que falar, vocês falam somente de mim”
A brincadeira envolvendo as músicas escolhidas pelo jogador acabou ganhando espaço entre os próprios companheiros. Léo Ortiz, por exemplo, entrou na brincadeira e afirmou que o espanhol está “passando vergonha”. Outros integrantes do elenco também fizeram comentários em tom descontraído e chegaram a ameaçar bloquear Saúl nas redes sociais.
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O próprio meio-campista explicou que não costuma procurar especificamente as músicas que publica e afirmou que elas aparecem para ele nas próprias redes ou são enviadas por outras pessoas.
— As pessoas acham que eu saio procurando a música, mas ela normalmente aparece nas redes sociais. Muitas vezes, as pessoas também me mandam. É bom, também é uma maneira de me comunicar com as pessoas. Mas acho que, nesta semana sem jogo, dá para fazer. Depois, eu vou parar. Eu sei que isso pode acontecer em breve, com jogadores me bloqueando, mas acho que é preciso parar quando os jogos começarem. Tem mais uma semana de Data Fifa; depois, tem que esperar a próxima — disse Saúl.
Músicas ajudam Saúl a se aproximar da cultura brasileira
Além do aspecto descontraído, as publicações também representam uma maneira encontrada por Saúl para se aproximar dos costumes brasileiros. Desde que chegou ao Flamengo no ano passado, o espanhol passou a interagir bastante com os torcedores e demonstrou interesse em se adaptar à vida no país.
A relação com o Brasil também ganhou um significado especial para a família do jogador. Marco Ñíguez Salamanca, terceiro filho do meio-campista, nasceu no país em setembro de 2025. A chegada do menino fez Saúl considerar a possibilidade de buscar o passaporte brasileiro.
Mergulhe na História Rubro-Negra:
— O primeiro post que fiz foi aleatório, e muita gente comentou. Depois, já não foi mais aleatório: tenho um amigo que conversa comigo e escolhe a melhor música. Está sendo bom. Tem pessoas que mandam músicas, mas não são as que eu costumo escutar. Minha família está muito feliz. Tem muita coisa para fazer, escola por perto, tudo perto de casa. Fico muito tempo fora, então isso é bom para a família. Quando vou a um país diferente, tento me integrar da forma mais intensa possível aos costumes e falar o idioma. Agora tenho um filho carioca e vou tentar o passaporte brasileiro. Todos que vêm para um país diferente têm que fazer isso. É a maneira como acredito que se deve viver. A música é boa porque tento me identificar mais – comentou.
Superação marcou temporada de Saúl
Apesar do bom momento atual, o caminho de Saúl em 2026 foi marcado por dificuldades. Depois de apresentar boas atuações na temporada anterior, o espanhol decidiu, em dezembro, realizar uma cirurgia no tornozelo esquerdo para tratar dores provocadas por uma tendinopatia insercional do Aquiles.
O problema acompanhava o jogador desde sua chegada ao Brasil, mas, inicialmente, ele vinha realizando um tratamento conservador para conseguir permanecer à disposição da equipe.
O procedimento aconteceu em janeiro. Embora a recuperação tenha ocorrido até antes do período inicialmente esperado para o retorno aos gramados, Saúl continuou convivendo com dores. Posteriormente, a intertemporada em Portugal representou uma mudança importante em sua recuperação. Nesse momento, porém, a disputa por espaço no meio-campo do Flamengo já estava bastante acirrada.
— Foi um ano complicado para mim. Fiquei alguns meses fora, fiz uma cirurgia, falam que serão dois ou três meses de recuperação, e depois demora muito até conseguir jogar sem dor. É muito difícil mental e fisicamente. Você vê os companheiros treinando e não pode treinar nem jogar. Em Portugal, conversei com o treinador e com o médico, parei de treinar e fiz cinco dias de treinamento específico. Comecei a melhorar fisicamente e também passei a me sentir melhor mentalmente, porque podia treinar. Aí depende de o treinador me colocar ou não. Poder fazer o que gosto, da maneira que sei. Quando se tem um elenco tão bom, é difícil entrar no time e trocar os jogadores. Todos os que não jogam querem jogar, mas o mais importante é o Flamengo. Os jogadores que têm a oportunidade sempre entram bem, jogam para o time – disse o jogador.
Saúl disputa espaço no meio-campo do Flamengo
O espanhol soma 13 partidas na temporada atual e uma assistência. Com a ausência de Jorginho no jogo de ida da Libertadores, Saúl aparece entre os jogadores que brigam por uma vaga na formação titular.
A lesão de Arrascaeta também pode abrir espaço para outras opções no setor. Saúl, entretanto, entende que não seria a alternativa ideal para substituir o camisa 10, principalmente pelas características do uruguaio.
— Estou fazendo o mesmo de sempre, tentar ficar preparado. Quando um jogador fica seis meses fora, joga um jogo e depois tem uma Data Fifa de três semanas. Fisicamente não basta, porque você precisa de ritmo de jogo, não de ritmo de treinamento. É totalmente diferente. Eu venho treinando muito tempo, estou bem no treino, mas preciso jogar. Compreendo que o treinador tem outros escolhidos, mas é normal quando você tem um elenco de 23, 24 jogadores de uma qualidade muito alta. Tenho que ficar tranquilo, porque quando tive o jogo, joguei bem, fiz o que tinha que fazer, o time ganhou. Agora, o treinador pode ter mais confiança em mim para escolher mais vezes. Quando me escolher, vou tentar fazer o melhor – comentou.
Saúl também ressaltou que possui capacidade para atuar em diferentes setores do campo, mas reconheceu que o elenco conta com outras alternativas consideradas mais adequadas para ocupar a função de Arrascaeta.
— Posso atuar em todas as partes do campo, já joguei (na posição). Mas acredito que o elenco tem escolhas melhores que eu. Quando se perde Arrascaeta, não vai jogar igual. É único. Não tem outro no mundo como ele. O importante não sou eu, é que o Flamengo ganhe. O elenco está bem, trabalhando bem. Tem que continuar assim – concluiu.













