O Conselho Deliberativo do Flamengo aprovou, nesta terça-feira, a proposta de reforma do estatuto que oficializa o modelo de gestão profissional no clube. O projeto foi construído por uma Comissão Permanente e havia sido apresentado pelo presidente Bap em junho.
A votação terminou com 643 votos favoráveis, equivalentes a 92,39%, enquanto 47 conselheiros foram contrários, representando 6,75%. Outros seis integrantes se abstiveram, número correspondente a 0,86% dos votos.
Proposta dividia opiniões entre conselheiros
Antes da decisão, o tema provocava opiniões diferentes dentro do Conselho Deliberativo. Os defensores da mudança sustentavam que o Flamengo precisava atualizar seu estatuto, criado em 1992 e considerado defasado em alguns pontos.
Do outro lado, os conselheiros contrários avaliavam que a aprovação poderia resultar em mais poderes para Bap e menos transparência na relação com o Conselho.
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Diretoria profissional passa a concentrar administração do clube
A nova regra estabelece uma divisão clara entre governança, supervisão e execução, deixando a administração diária do Flamengo sob responsabilidade de uma diretoria profissional.
Essa estrutura será formada por executivos remunerados, escolhidos de acordo com critérios técnicos. As duas principais funções serão exercidas pelo Diretor-Geral, responsável pela área corporativa, e pelo Diretor de Futebol, encarregado do futebol profissional e também das categorias de base.
Novo Conselho Gestor será criado
A reforma também determina a criação do Conselho Gestor (COGE), que terá a missão de acompanhar e supervisionar o trabalho realizado pela diretoria.
O grupo será formado pelo presidente e pelo vice-presidente do Flamengo, por um Procurador-Geral e por nove a 12 integrantes indicados livremente por Bap, com mandato de três anos.
O presidente terá a prerrogativa de nomear e retirar os integrantes do Conselho Gestor, enquanto os membros deverão lhe reportar questões relacionadas a autorizações e mudanças.
COGE terá papel estratégico e de supervisão
Entre as atribuições do novo conselho estarão a análise de estratégias, metas, indicadores, riscos, estrutura organizacional e gestão de pessoas.
A emenda aprovada incorporou ao texto definitivo sugestões apresentadas por conselheiros. Mesmo assim, diversos trechos estabelecem a necessidade de veto ou aprovação do presidente do Flamengo, principalmente em assuntos ligados ao departamento de futebol.
Com a nova estrutura, as vice-presidências específicas serão extintas.
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Planejamento financeiro também será modificado
A aprovação da reforma altera ainda a forma como o orçamento do clube será planejado. O orçamento anual passará a ser elaborado junto de um planejamento para os três anos seguintes, além de incluir uma projeção para cinco anos.
Também serão utilizados indicadores de desempenho para acompanhar a evolução do Flamengo ao longo desse período.
O novo texto ainda estabelece mudanças nas regras relacionadas ao nepotismo e à participação, dentro da estrutura profissional, de associados que já tenham exercido cargos eletivos no clube.
Flamengo continuará sendo associação civil
Apesar das alterações na administração e na distribuição de poderes, a reforma aprovada não transforma o Flamengo em Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
O clube continuará funcionando como uma associação civil, mesmo após a implementação da nova estrutura de gestão profissional.













