O Flamengo chega a este momento da janela de transferências acumulando duas negociações de grande repercussão que terminaram sem sucesso. O clube investiu esforços para contratar Thiago Almada e Luiz Henrique, porém não conseguiu concluir nenhuma das operações. O meia argentino optou pelo River Plate, enquanto o atacante do Zenit acabou ficando distante do Rubro-Negro em razão dos valores envolvidos, encerrando as conversas. Com a janela aberta até setembro, o desafio agora é reorganizar a estratégia e encontrar novas opções para o elenco.
A consequência imediata dessa situação apareceu na Libertadores. O Flamengo chegou às oitavas de final sem conseguir inscrever reforços, enquanto o Cruzeiro, adversário desta fase, contratou seis jogadores. Embora o mercado brasileiro permaneça aberto até 11 de setembro, ainda existe tempo para mudar esse cenário.
Jardim já havia apontado as prioridades
A necessidade de reforçar o elenco não era novidade para a diretoria. Em diferentes entrevistas, Leonardo Jardim deixou claro quais eram as posições que precisavam de reforços.
“Nesse momento, a meia está um pouco no Arrascaeta e, às vezes, no Carrascal. Poderíamos ter um jogador ali diferente.”
Dias depois, voltou a reforçar o pedido.
“Falei que nosso meio-campo ofensivo e mais um ponta seriam interessantes.”
Com esse diagnóstico, o clube definiu como prioridades a chegada de um meia, um ponta e um centroavante, iniciando uma longa tentativa de contratar Thiago Almada.
A longa negociação por Almada
O primeiro grande objetivo do Flamengo foi Thiago Almada. O clube aguardou o encerramento da Copa do Mundo para intensificar as conversas, já que o argentino disputava a competição. Enquanto isso, o River Plate também avançava nas negociações.
A situação chegou a um ponto em que José Boto viajou à Argentina para buscar uma definição. No entanto, retornou sem a resposta esperada e reforçou que o Flamengo não participaria de um leilão pelo jogador. Pouco depois, Almada escolheu defender o River Plate, encerrando a principal investida rubro-negra.
A questão, segundo essa análise, não é a derrota em uma disputa de mercado, mas o tempo consumido em uma negociação sem que outra alternativa estivesse igualmente avançada.
Luiz Henrique virou prioridade
Depois da frustração envolvendo Almada, o Flamengo concentrou forças para contratar Luiz Henrique. O atacante demonstrou interesse em retornar ao Brasil, mas o principal obstáculo era o Zenit.
O clube russo manteve a exigência de 30 milhões de euros fixos, além de 5 milhões em bônus. Segundo apuração da jornalista Raisa Simplicio, houve flexibilidade apenas no prazo de pagamento, que poderia ser parcelado em até três anos, mas não houve redução no valor.
O Flamengo considerou que a operação ultrapassava o limite financeiro estabelecido internamente e optou por não prosseguir. A decisão foi tomada depois de semanas dedicadas anteriormente à negociação por Almada, reduzindo o tempo disponível para buscar outras soluções.
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Imagem do clube no mercado
As negociações por Almada e Luiz Henrique fizeram o Flamengo permanecer durante semanas em evidência no mercado, demonstrando forte interesse em jogadores importantes, mas sem concluir as operações.
Segundo essa avaliação, isso pode transmitir ao mercado a impressão de que o clube depende excessivamente de determinados alvos, em vez de possuir alternativas caso uma negociação não avance.
Enquanto o Rubro-Negro aguardava a definição dos dois atletas, outros clubes aproveitaram o período para reforçar seus elencos. A estratégia de esperar o fim da Copa do Mundo tinha lógica, mas o resultado final foi chegar às oitavas da Libertadores sem novos jogadores inscritos.
José Boto também passou a ser cobrado
O cenário aumentou a pressão sobre o diretor de futebol, José Boto. Durante a intertemporada realizada em Portugal, ele comentou sobre a repercussão das negociações envolvendo Almada.
Mergulhe na História Rubro-Negra:
“Uma característica que vejo no Brasil é que qualquer pessoa faz uma live e diz que o Almada vai para o River Plate. Depois, as pessoas acham que é verdade e ficam: ‘Burro, não comprou o Almada’.”
Apesar da crítica às especulações, o Flamengo acabou realmente perdendo Almada para o River Plate e, posteriormente, também não fechou com Luiz Henrique, aumentando a cobrança sobre o dirigente.
Controle financeiro segue sendo prioridade
Por outro lado, a diretoria entende que não deveria ultrapassar seus limites financeiros apenas para atender às expectativas da torcida.
No caso de Luiz Henrique, a operação poderia alcançar 35 milhões de euros, entre valores fixos e bônus. O Flamengo avaliou que esse montante extrapolava o orçamento previsto e optou por não realizar o investimento.
Essa postura busca evitar compromissos financeiros incompatíveis com a realidade do clube. Ainda assim, a análise destaca que responsabilidade financeira também precisa caminhar junto com planejamento para que o elenco seja reforçado dentro do prazo adequado.
Discurso aumenta a expectativa
Outro fator citado é a expectativa criada pelas declarações do presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap), que afirmou no fim do ano passado que o Flamengo poderia investir até R$ 1 bilhão para fortalecer o elenco e transformar o clube em um “monstro das Américas” financeiramente.
Por isso, quando negociações importantes não são concluídas por questões financeiras, parte da frustração da torcida também está relacionada à diferença entre a imagem de potência econômica e a capacidade de transformar esse potencial em contratações.
Ainda há tempo para mudar o cenário
Apesar das negociações frustradas, o Flamengo ainda pode buscar reforços antes do encerramento da janela, marcado para 11 de setembro.
O clube continua com tempo para ajustar o planejamento e atender às necessidades apontadas por Leonardo Jardim. A principal lição deixada pelas negociações envolvendo Almada e Luiz Henrique, segundo essa avaliação, é que o problema não foi necessariamente recusar valores elevados, mas permitir que duas tratativas complexas consumissem boa parte da janela sem alternativas igualmente avançadas.













