Rodolfo Landim elevou o tom das críticas à administração de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, durante uma reunião do Conselho Deliberativo do Flamengo, realizada nesta terça-feira (3). O antigo presidente colocou em dúvida a gestão financeira do clube, apontou problemas na condução do orçamento e contestou a utilização das casas de apostas como explicação para as dificuldades financeiras previstas para 2026.
Durante sua manifestação, Landim demonstrou preocupação com as contas rubro-negras. Entre os questionamentos apresentados, afirmou que a diretoria não estaria cumprindo o planejamento financeiro aprovado e definiu o orçamento como uma “peça decorativa”.
Um dos principais temas abordados foi a alteração do planejamento orçamentário promovida pela atual administração. Para Landim, a readequação apresentada não respeitou o Estatuto do Flamengo, uma vez que a revisão deveria levar em consideração o orçamento elaborado para o período de três anos.
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O ex-presidente também colocou em discussão os valores destinados à montagem do elenco e ao pagamento dos profissionais. Segundo sua avaliação, os custos envolvendo contratações, salários e direitos de imagem estariam ultrapassando as previsões iniciais, sem que a diretoria tivesse realizado os ajustes necessários no orçamento.
Outro motivo de preocupação apontado por Landim foi a possibilidade de o Flamengo conquistar o Campeonato Brasileiro. Ele explicou que o planejamento financeiro considera a segunda colocação na competição e, por isso, não teria reservado dinheiro suficiente para quitar a premiação dos atletas em caso de título.
“Pelo que eu conheço das premiações nós não vamos ter dinheiro para pagar a premiação dos nossos jogadores pelo título do campeonato brasileiro, porque o orçamento prevê o segundo lugar”, afirmou.
Landim questiona explicações sobre as bets e cobra transparência financeira
As casas de apostas também foram alvo das críticas do ex-presidente. Landim contestou a justificativa utilizada pela atual administração para explicar os problemas financeiros e acusou a gestão de recorrer às empresas do setor como uma espécie de “bode expiatório”.
Mergulhe na História Rubro-Negra:
Na visão do antigo mandatário, o Flamengo não passava por dificuldades dessa natureza havia mais de dez anos. Ele também demonstrou insatisfação com a decisão de manter em sigilo informações detalhadas do orçamento.
A administração de Bap justifica a restrição à divulgação desses dados como uma maneira de impedir que o mercado tenha conhecimento dos recursos disponíveis pelo clube para investir na contratação de jogadores.
Landim, entretanto, mostrou não estar convencido dessa explicação. Para contestar o argumento, mencionou uma declaração pública feita pelo atual presidente a respeito da capacidade financeira do Flamengo.
“Isso é difícil de acreditar quando o próprio mandatário vem a público dizer que tem 1 bilhão para gastar”, declarou.
Em outro momento da manifestação, o ex-presidente voltou a questionar o volume de recursos utilizados pela atual gestão. Ele mencionou despesas de R$ 400 milhões em um único ano e classificou a situação como absurda.
Ao finalizar sua participação, Landim fez uma declaração direcionada ao contexto político que envolve sua relação com o clube:
“Agora eu entendo porque quiseram me tirar desse conselho e me calar”.
A manifestação foi recebida com aplausos por parte dos participantes da reunião. Bap, por sua vez, não solicitou a palavra para apresentar uma resposta às acusações feitas pelo ex-presidente.
Landim e Bap podem se enfrentar na eleição presidencial de 2027
A disputa entre os dois dirigentes acontece em meio a um histórico de influência de um mesmo grupo político nos bastidores do Flamengo. Desde 2013, o clube vem sendo administrado por representantes de uma geração que participou diretamente do processo de transformação administrativa e financeira da instituição.
O primeiro presidente desse período foi Eduardo Bandeira de Mello, que esteve à frente do Flamengo durante dois mandatos consecutivos, entre 2013 e 2018.
Na sequência, Rodolfo Landim assumiu a presidência em 2019 e permaneceu no cargo por outros dois mandatos, até dezembro de 2024. A eleição seguinte promoveu uma mudança no grupo que passou a comandar o clube, embora a geração política que iniciou esse ciclo continuasse exercendo influência nas decisões internas.
Luiz Eduardo Baptista venceu Rodrigo Dunshee, que contava com o apoio de Landim, e iniciou seu mandato em janeiro de 2025. A partir dessa mudança, antigos aliados passaram a protagonizar um confronto político cada vez mais evidente dentro do Flamengo.
Em meio ao crescimento das divergências, Landim chegou a perder sua participação nos poderes do clube após alterações estatutárias. Para recuperar o espaço político, precisou recorrer à Justiça. Com a concessão de uma liminar favorável, conseguiu retornar às atividades internas e passou a liderar o grupo de oposição à atual administração.
As críticas apresentadas na reunião do Conselho Deliberativo reforçam essa posição de Landim como principal adversário político de Bap, especialmente com a aproximação do próximo processo eleitoral, previsto para acontecer daqui a pouco mais de um ano.
Eleição de 2027 pode ampliar disputa nos bastidores rubro-negros
Diante do cenário atual, a eleição presidencial de 2027 poderá colocar frente a frente dois dos principais representantes da geração política que exerce influência no Flamengo desde 2013.
Uma eventual disputa entre Landim e Bap teria peso significativo nos bastidores do clube, considerando o histórico de participação dos dois dirigentes na administração rubro-negra.
Até o momento, porém, nenhum deles anunciou oficialmente que pretende disputar a próxima eleição. Também não houve confirmação de uma possível candidatura de Bap à reeleição.













