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Léo Pereira supera momentos difíceis e constrói trajetória de sucesso no Flamengo

Uma infância marcada por dificuldades ajudou a formar o zagueiro que hoje é referência no Flamengo e chegou à Seleção Brasileira

Léo Pereira em campo na vitória do Flamengo sobre o Fluminense - Foto: Gilvan de Souza / Flamengo
Léo Pereira em campo na vitória do Flamengo sobre o Fluminense - Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

Uma casa destruída pelo fogo e, logo depois, a separação dos pais. Para qualquer adolescente, seria uma sequência extremamente dolorosa. Para Léo Pereira, porém, aquele período difícil acabou se tornando o início de uma transformação que influenciaria sua trajetória. As dificuldades enfrentadas ainda na infância contribuíram para formar a personalidade do zagueiro, hoje jogador da Seleção Brasileira e uma das lideranças do Flamengo.



As dificuldades que ajudaram a formar Léo Pereira

Entre as características mais admiradas em Léo Pereira por pessoas próximas está sua capacidade de superar rapidamente os momentos negativos. Derrotas, erros durante as partidas, críticas e até vaias vindas das arquibancadas não costumam permanecer por muito tempo na cabeça do defensor.

Essa postura pode ser compreendida diante do que ele enfrentou aos 12 anos. Naquela época, Léo estudava no bairro Novo Mundo, em Curitiba, mas deixava de frequentar a escola por medo da violência. Além disso, também perdia treinamentos no clube porque precisava cuidar das irmãs mais novas.

— Ele tinha duas irmãs autistas e, como os pais trabalhavam fora, era ele o responsável por elas. Era uma família muito humilde — conta Ricardo Vargas, coordenador técnico do Trieste, de Curitiba, primeiro clube do zagueiro, atualmente com 30 anos.



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O incêndio que mudou sua vida

Depois que um incêndio destruiu a residência da família, o Trieste decidiu abrir as portas de seu alojamento para receber o jovem jogador. Vargas relembra como a situação familiar se transformou naquele período.

— O pai foi para um lado e a mãe, para outro. Nós conversamos com eles. Perguntamos se poderíamos ajudar o Léo. Eles toparam. Não tinham muita opção. Naquele momento tão difícil, era uma boca a menos para alimentar. O que aconteceu foi uma tragédia. Mas foi um divisor de águas na vida dele. Ele se alimentou bem, ganhou um quarto, passou a ter o acompanhamento de uma pedagoga. Para ele foi positivo. Deu certo.

A mudança teve impacto em diferentes áreas da vida do jogador. Léo Pereira conseguiu recuperar o desempenho nos estudos e passou a ter mais condições de se dedicar aos treinamentos. Não demorou para que seu talento com a bola começasse a chamar atenção.

No início, ele atuava como meia-atacante pelo Trieste. Com o crescimento físico, porém, a comissão técnica passou a experimentar o jogador em outra posição.



— Ele começou a ficar muito alto e perdeu um pouco a mobilidade e dinâmica para jogar na frente. Então começamos a testá-lo mais atrás. Mas como nunca perdeu a qualidade no passe, logo virou um zagueiro com muita técnica para fazer a saída de bola — explica Vargas.

— No ano em que fez 14, os três clubes da capital queriam ele. Acabou indo para o Athletico.

Passagem pelo Athletico teve altos e baixos

A trajetória de Léo Pereira no Athletico não foi marcada por uma evolução linear. Antes de ser negociado com o Flamengo, em 2020, por 7 milhões de euros, o defensor enfrentou períodos de instabilidade e chegou a perder espaço.

Durante esse processo, teve empréstimos para Guaratinguetá, Náutico e Orlando City, dos Estados Unidos. Em determinado momento, chegou a ser considerado fora dos planos da diretoria do Athletico.

Ainda assim, não se deixou abater. Em 2018, voltou ao clube paranaense, ganhou espaço no time sub-23, comandado na época por Tiago Nunes, e posteriormente acompanhou o treinador na equipe principal.

Foi nesse período que Léo Pereira se tornou um dos destaques do elenco que conquistou a Copa Sul-Americana de 2018 e a Copa do Brasil de 2019.

— Ele não teve uma infância fácil, né? Enfrentou tantas complicações que teve que se moldar. Falar: “Sou eu por mim mesmo. Tenho que dar certo” — reflete seu empresário, Ricardo Scheidt.

Amizade com o empresário e confiança no próprio potencial

Scheidt conheceu Léo Pereira em 2017, quando o defensor estava no Orlando City. A relação profissional demorou a começar, mas os dois rapidamente construíram uma forte amizade. A proximidade era tanta que criaram até um apelido usado entre eles: “Bubs”, expressão que, na linguagem particular dos dois, significa “mimadinho”.

O empresário acompanhou de perto diferentes aspectos da personalidade do jogador. Ele conhece, por exemplo, a habilidade de Léo Pereira no futevôlei e o gosto do zagueiro por videogames dos anos 90. Acima de tudo, Scheidt destaca a confiança que o defensor sempre demonstrou em si próprio.

Essa característica apareceu tanto nos primeiros momentos pelo Flamengo, quando precisou conquistar espaço até se tornar titular absoluto, quanto na tentativa de chegar à Seleção Brasileira.

— Ele sempre disse: “Eu sei que se tiver uma oportunidade na seleção eu não saio” — conta o agente.

O sonho da Seleção Brasileira

Depois de alcançar estabilidade financeira e proporcionar segurança para toda a família, faltava um objetivo importante para completar a transformação daquele garoto que enfrentou uma infância complicada: vestir a camisa da Seleção Brasileira.

A determinação fez Léo Pereira procurar acompanhamento especializado. Há dez meses, o jogador trabalha com Carlos Bertoldi, ex-atleta do Athletico e atualmente coach esportivo.

— Léo é um caso à parte, porque chegou num momento muito positivo. Foi diferente da maioria dos atletas, que procuram o treinamento mental como bombeiro. Ele não precisou buscar um processo para contornar problemas. Mas, sim, potencializar as virtudes — afirma Bertoldi.

A convocação para a Seleção finalmente aconteceu, mas Léo Pereira não chegou a disputar minutos durante a Copa. Mesmo assim, a situação não abalou o zagueiro, que agora terá mais quatro anos para buscar uma nova oportunidade.

Flamengo recusou propostas milionárias pelo zagueiro

O caminho para uma nova chance na Seleção, ao que tudo indica, continua passando pelo Flamengo. Há seis anos no clube, Léo Pereira já recebeu ofertas consideradas bastante atrativas.

Em 2023, o Al-Nassr, da Arábia Saudita, apresentou uma proposta de US$ 15 milhões ao Flamengo. Mais recentemente, há menos de duas semanas, o Besiktas, da Turquia, tentou contratar o defensor por 10 milhões de euros, aproximadamente R$ 58,8 milhões.

O Flamengo recusou as duas propostas.

Embora uma negociação em euros ou dólares pudesse representar uma garantia de segurança financeira para o futuro, Léo Pereira também valoriza a possibilidade de continuar conquistando troféus e alcançando marcas importantes com a camisa rubro-negra.

O desejo para o fim da carreira

Apesar de toda a trajetória construída como zagueiro, existe um pedido especial que Léo Pereira já fez ao seu empresário para quando decidir encerrar a carreira.

— Como sempre bateu bem na bola, um pedido que já me fez é para, quando for encerrar a carreira, eu arrumar um clube para ele jogar uma temporada como atacante — revela Scheidt.

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