O presidente do Vasco, Pedrinho, classificou como “covardia” a possibilidade de sua equipe precisar enfrentar o Boca Juniors (ARG) fora do Brasil. Em entrevista concedida à ESPN nesta terça-feira (13), o dirigente também criticou Bap, presidente do Flamengo, por supostamente não reconhecer o acordo que prevê a utilização do Maracanã pelo clube cruz-maltino.
Pelo lado rubro-negro, o diretor de futebol José Boto preferiu deixar a discussão sob responsabilidade da presidência. Ainda assim, o português reconheceu que existe preocupação com as condições do gramado do estádio, administrado pelo Flamengo em parceria com o Fluminense.
O embate entre os clubes acontece em meio à disputa judicial sobre o local da partida de volta da semifinal da Copa Sul-Americana, marcada para 20 de outubro, às 21h30 (horário de Brasília).
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A situação ganhou outro capítulo após a Conmebol informar ao Vasco e à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que o confronto poderá ser transferido para Assunção, no Paraguai, caso uma nova decisão liminar impeça a realização do jogo no Maracanã.
O que Pedrinho e José Boto disseram sobre a disputa?
Pedrinho concedeu entrevista à ESPN antes do primeiro duelo entre Vasco e Boca Juniors, disputado na Bombonera, em Buenos Aires. Na conversa, o presidente explicou os motivos que levaram o clube a solicitar o Maracanã e criticou a posição da concessionária responsável pelo estádio.
“Eu só pedi para jogar no Maracanã porque sou proibido e não cumpro alguns critérios da Conmebol. O presidente do Flamengo diz que não reconhece o contrato, sendo que foi assinado pela dupla Fla-Flu. A decisão tomada pelo Tribunal de Justiça foi tomada pela segurança, o Ministério Público reconhece que é um jogo pesado. É uma covardia com a instituição e com a competição, porque o Vasco vai jogar fora do país e fora do estado se isso acontecer”.
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Durante a mesma entrevista, Pedrinho admitiu que é alvo de um processo movido por Bap. Apesar disso, afirmou esperar que eventuais desentendimentos pessoais não interfiram nas decisões tomadas pelas instituições envolvidas.
José Boto, por sua vez, evitou comentar os aspectos jurídicos da disputa. O dirigente do Flamengo, entretanto, comparou a situação a alguém utilizar uma casa preparada por outra pessoa para organizar uma festa.
“Essa questão do Vasco eu deixo para a diretoria, para o presidente. É óbvio que nos preocupa o gramado e também… Eu preparar a casa, pagar a casa e outra pessoa pegar a casa para fazer uma festa. Preocupa um pouco”.
Fla-Flu Serviços recorre ao STJ após nova decisão favorável ao Vasco
As declarações de Pedrinho aconteceram poucas horas depois de mais uma mudança no processo judicial. Às 7h11 desta terça-feira, o desembargador Joaquim Domingos de Almeida Neto, integrante do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), reconsiderou uma decisão tomada durante o plantão judicial.
Com isso, o magistrado restabeleceu a autorização para que Vasco x Boca Juniors seja disputado no Maracanã. A medida voltou a dar validade à determinação do desembargador Marco Antônio Ibrahim, que havia liberado a utilização do estádio na sexta-feira (9).
Na fundamentação da decisão, Almeida Neto levou em consideração manifestações dos órgãos de segurança pública e o fato de o Vasco já ter comercializado 46.014 ingressos. Pouco tempo depois, os torcedores cruz-maltinos esgotaram as entradas disponíveis para o confronto.
A concessionária, no entanto, decidiu continuar a batalha judicial. A Fla-Flu Serviços S.A. apresentou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) um pedido de suspensão de segurança para tentar reverter a autorização.
Segundo Pablo Ramadas, sócio do Vasco que acompanha o caso, o processo foi distribuído ao presidente do STJ, ministro Luis Felipe Salomão. Ele é tio de Paulo Salomão, que ocupou o cargo de primeiro vice-presidente geral do Vasco durante a gestão de Pedrinho.
Paralelamente, o Órgão Especial do TJRJ ainda deverá analisar o mandado de segurança. Conforme consta na decisão, o julgamento está previsto para a primeira sessão presencial do colegiado, que deverá acontecer na véspera da partida.
Conservação do gramado é o principal argumento da concessionária
Desde que recusou inicialmente o pedido do Vasco, a concessionária utiliza a preservação do campo como principal justificativa. Toda a grama do Maracanã foi substituída entre 29 de setembro e 3 de outubro, após a realização de um evento da NFL.
A administradora também defende que exista um intervalo mínimo de 72 horas entre partidas no estádio. Com base nesse argumento, sugeriu que o Vasco utilizasse o Estádio Nilton Santos para enfrentar o Boca Juniors.
Os posicionamentos dos órgãos de segurança, porém, foram favoráveis à realização do confronto no Maracanã. O Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (Bepe) manteve o estádio como opção preferencial.
O Ministério Público também se posicionou a favor da partida no local, considerando o histórico de confrontos entre as torcidas envolvidas.
O Vasco, por sua vez, fundamenta sua solicitação em um Memorando de Entendimentos firmado com Flamengo e Fluminense em abril de 2025. De acordo com Pedrinho, o documento estabelece o direito de o clube realizar quatro partidas por temporada no Maracanã.
Os atritos entre os dirigentes não se limitam à disputa atual. Em setembro, Bap solicitou à NFL que impedisse a comercialização de produtos do Vasco no Maracanã.
Flamengo tem compromisso no Maracanã dois dias depois
O conflito judicial também interfere no planejamento do Flamengo. O Rubro-Negro receberá o Estudiantes (ARG) no dia 22 de outubro, às 21h30, pelo confronto de volta da semifinal da Libertadores. Na véspera desse compromisso, a Conmebol realizará uma vistoria no Maracanã.
Caso seja mantida a autorização para Vasco x Boca Juniors, o estádio receberá duas partidas com aproximadamente 48 horas de intervalo entre elas. A preocupação com o desgaste do campo nesse curto período representa justamente o principal argumento apresentado pela concessionária para tentar impedir a realização do duelo vascaíno.
A decisão judicial desta terça-feira também provocou alterações na programação do basquete rubro-negro. O desembargador determinou que a partida entre Flamengo e Botafogo, pelo Novo Basquete Brasil (NBB), tenha seu dia ou horário modificado.
O confronto estava programado para 20 de outubro, às 20h30, no Maracanãzinho.
Flamengo e Vasco voltam a se enfrentar pelo Brasileirão
Depois dos compromissos pelas competições continentais, os rivais cariocas terão outro encontro marcado. Flamengo e Vasco jogarão em 29 de outubro, pelo Campeonato Brasileiro, em partida com mando de campo do clube cruz-maltino.













