Desde que assumiu a presidência do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, vem tentando mudar os rumos do clube dentro da Libra — o grupo formado por clubes brasileiros para negociação coletiva de direitos de transmissão. O dirigente não só contesta o contrato assinado anteriormente como também aponta perda financeira significativa para o clube e o excesso de poder de outras equipes nas decisões do bloco.
Segundo informações divulgadas pelo UOL, a diretoria do Flamengo considera que três clubes — São Paulo, Palmeiras e Atlético-MG — concentram o poder dentro da Libra. A percepção da cúpula rubro-negra é que essas agremiações costuram decisões previamente, antes mesmo das reuniões oficiais, o que tem causado desconforto nos bastidores da Gávea.
PREJUÍZO FINANCEIRO E RECLAMAÇÕES PÚBLICAS
Além das questões de bastidores, o Flamengo também considera injusta a divisão financeira proposta pela Libra. Mesmo com uma tentativa de reajuste que garantiria cerca de R$ 40 milhões a mais, o clube ainda se vê em desvantagem. Durante encontro recente com conselheiros, Bap se pronunciou sobre o tema e foi categórico em sua análise:
“O efeito de audiência que foi aprovado na Libra, Flamengo joga com Juventude, com todo o respeito ao Juventude… Metade da audiência vai para Flamengo e metade vai para o Juventude. Mas será que metade das pessoas estão assistindo aquele jogo por causa do Juventude? Eu não tenho a menor dúvida que não. Mas na hora que você faz esse cálculo, o que é 11% cai para 3,9%. Então, esse efeito cumulativo, ao longo de cinco anos, vai gerar uma perda de potencial para o Flamengo, se a gente não fizer nada, na ordem de R$ 450 a R$ 500 milhões. Meio bilhão de reais.”
Bap ainda revelou que uma cláusula incluída após deliberação do Conselho Deliberativo acabou prejudicando o clube. Segundo ele, a mudança passou a considerar como base as receitas líquidas de 2023. E como o Flamengo teve um 2024 financeiramente muito acima da média, perdeu dinheiro com a aplicação do novo critério.
“A Libra, sistematicamente, foi criando cláusulas que tiravam o dinheiro do Flamengo. Basicamente, era uma desapropriação. Cada um real que saía do Flamengo era dividido entre os outros clubes. Então, hoje, para vocês terem uma ideia, o Flamengo vai ganhar 201 milhões de reais na Libra, e o Braga continua com 83. Alguém aqui acha razoável que um que tem 45 milhões de torcedores, e outro que não tem nem 500 mil, tenham 2,5 vezes de diferença? Esse é um dos desafios que a gente tem.”
FLAMENGO ISOLADO DENTRO DO BLOCO
A tensão entre o Flamengo e a Libra tem levado o clube a tomar caminhos alternativos em algumas frentes. Um exemplo claro foi na negociação dos direitos internacionais de transmissão do Brasileirão. Enquanto os demais clubes optaram por um modelo coletivo, o Rubro-Negro preferiu comercializar de forma autônoma, utilizando a estrutura da Flamengo TV.
Outro ponto de atrito surgiu quando a Libra organizou um manifesto coletivo contra a Conmebol, exigindo punições mais rigorosas em casos de racismo. O Flamengo, no entanto, não assinou o documento, o que gerou críticas. Nos bastidores, o clube alegou desconforto em compartilhar posicionamentos com os rivais que têm gerado ruído dentro da associação.
INCERTEZAS SOBRE O FUTURO
A Libra atualmente conta com Atlético-MG, Bahia, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, Red Bull Bragantino, São Paulo, Santos, Vitória, Paysandu, Remo, ABC, Guarani e Sampaio Corrêa. Porém, com o aumento das tensões, cresce o temor de que o Flamengo — maior clube do país em torcida e receitas — venha a abandonar o grupo. A saída rubro-negra poderia causar um impacto direto nas negociações futuras da Libra.













