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Amizade com Filipe Luís e estilo boleiro agravam crise entre Boto e diretoria do Flamengo

Conflito interno expõe desgaste entre diretor e presidente após sequência de atritos e decisões contestadas

O técnico Filipe Luís e o diretor Jose Boto
O técnico Filipe Luís e o diretor Jose Boto

O que começou com promessas de profissionalismo e mudanças estruturais, hoje virou motivo de tensão nos bastidores do Flamengo. A relação entre o diretor técnico José Boto e o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, vive seu pior momento desde a chegada do português ao clube. O pivô da crise atual é o veto à contratação do atacante Mikey Johnston, mas esse foi apenas mais um episódio entre tantos que têm provocado ruídos internos no Ninho do Urubu.



Segundo informações da ESPN, a insatisfação de Bap não se limita à negociação fracassada. Um dos pontos mais sensíveis é a amizade de Boto com Filipe Luís, técnico da equipe. A expectativa da diretoria era contar com um diretor de postura mais independente, com pulso firme e capacidade de tomar decisões impopulares se necessário — mesmo que contrariando a comissão técnica. No entanto, o comportamento “boleiro” de Boto e sua proximidade com o ex-lateral são vistos por Bap como um entrave para essa visão.

Logo nos primeiros meses da gestão, a lealdade de Boto a Filipe Luís ficou evidente. Em uma das primeiras decisões polêmicas, Filipe tentou barrar cortes nas equipes médica e de comunicação. O diretor técnico endossou a posição do treinador e comprou briga com a presidência, o que foi encarado por BAP como quebra de hierarquia. Desde então, os atritos se intensificaram.



Decisões polêmicas no trato com ídolos e mercado de transferências

Outro motivo que alimentou o desgaste da diretoria com José Boto foi sua conduta em episódios envolvendo jogadores de peso no elenco. No caso de Gerson, por exemplo, enquanto o presidente Bap criticava publicamente o pai e empresário do atleta, o departamento de futebol, sob comando de Boto, preferiu adotar um tom mais cauteloso, gerando incômodo e sinal de falta de firmeza.

Já com Pedro, a situação ganhou contornos ainda mais problemáticos. Após a eliminação para o Bayern de Munique na Copa do Mundo de Clubes, circulou a informação de que o clube estaria disposto a vender o atacante por 15 milhões de euros. A origem do vazamento foi atribuída a uma conversa informal entre Boto e o jornalista Mauro Cezar Pereira. O dirigente negou, mas nos bastidores o episódio foi taxado como amadorismo por expor um ídolo em momento delicado.

Enquanto isso, jogadores como Arrascaeta aguardam renovação contratual sem definição, o que vem aumentando o descontentamento entre atletas influentes do elenco.



Postura questionada também nas negociações de reforços

No campo das contratações, José Boto também tem sido alvo de críticas. A primeira janela sob sua liderança foi considerada apática. A chegada de Juninho, por exemplo, teria acontecido sem aval de Filipe Luís. Já Danilo e Jorginho eram nomes que o clube já monitorava há algum tempo, ou seja, não foram necessariamente frutos do novo comando técnico.

Para piorar, Boto deu entrevistas durante a disputa do Mundial nos EUA e citou nomes de possíveis alvos do Flamengo, como o sérvio Dušan Vlahović, da Juventus. A atitude desagradou a cúpula, que entendeu como imprudente revelar planos estratégicos em meio à competição.

O último movimento do dirigente foi a tentativa de contratar o atacante irlandês Mikey Johnston, da segunda divisão inglesa. A negociação, orçada em cerca de R$ 35 milhões, sofreu forte rejeição interna e externa. O veto final partiu de Bap após pressão do conselho, colocando em xeque mais uma vez a autonomia do diretor.



Futuro incerto, mas respaldo garantido (por enquanto)

Apesar de todos os episódios negativos e do ambiente pesado no Ninho do Urubu, a ESPN afirma que José Boto ainda tem respaldo da presidência para seguir no cargo. A diretoria acredita que, com ajustes, ainda é possível extrair bons frutos do trabalho do português.

Enquanto isso, o Flamengo volta a campo neste sábado (12), no Maracanã, contra o São Paulo, pelo Brasileirão. Mas, longe das quatro linhas, a bola da vez continua sendo o relacionamento entre os principais nomes do comando rubro-negro, cada vez mais marcado por desconfiança e falta de sintonia.



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