O técnico Leonardo Jardim demonstrou insatisfação com o empate em 2 a 2 entre Flamengo e Vasco, neste domingo, pelo Campeonato Brasileiro. Após abrir dois gols de vantagem, o Rubro-Negro permitiu a reação adversária no último lance da partida e segue na vice-liderança da competição.
— Em relação ao jogo, posso dizer que tivemos 30 minutos, 35 minutos aceitáveis. Fizemos dois gols, tivemos uma ou duas situações. Entregamos o jogo ao adversário. Deixamos de ganhar duelos, deixamos de pressionar os corredores. Eles cruzaram com muita facilidade. Fizeram dois gols de cruzamento. O Flamengo tem que jogar. Foi a mensagem que deixei ao jogadores. Eu sou o grande responsável por não conseguir que os jogadores mantivessem o nível de exibição nos primeiros 30 minutos. A gente quebrou. O adversário conseguiu reagir e ter o domínio de bola. Disse a eles: quando a gente entra a ganhar, temos que ter mais responsabilidade. É fundamental. Isso tem que uma diretriz marcante naquilo que acredito como equipe — disse Jardim.
Resumo do clássico
O Flamengo saiu na frente logo no início, com gol de Pedro. Já no segundo tempo, Jorginho ampliou e deixou o cenário confortável para o Rubro-Negro. No entanto, o Vasco reagiu com gols de Robert Renan e Hugo Moura, sendo o empate no último lance da partida.
Dificuldades táticas e desfalques
— Não pudemos utilizar três meias. Dois lesionados e um suspenso. Com certeza que algum déficit de perdas de bola que aconteceu deve-se muito a adaptações. Alguns jogadores tiveram que jogar por dentro, Plata jogou por dentro. Na parte final, quando reforçamos o meio com jogadores experientes, a minha ideia era ter mais a bola e equilibrar mais o jogo. Não surtiu efeito e acabamos por ser dominados, mas é importante termos nossos meias, porque nosso jogo está elaborado para jogar com meias, pontas e atacantes. Não é justificativa para empatar o jogo.
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Gols sofridos em cruzamentos
— Existe sempre duas formas de abordar o assunto. Não esperamos que a bola entre na área, tentamos sempre evitar. Até facilitamos esse tipo de jogo de cruzamento, não reduzimos e não fomos agressivos nos corredores. Depois, se acontecer, queremos ganhar duelos dentro da área. No jogo da Libertadores, jogamos com uma equipe que se baseava em duelos. Hoje, o Vasco também fez isso. Não sou de contar história. A gente sabe que a equipe do Vasco estava fresca e iria tentar com tudo. Nós estávamos mais cansados. Mas, com o nosso elenco, precisávamos dar outra resposta de maturidade e controle do jogo. Não conseguimos, e o responsável sou eu.
Falhas defensivas e controle do jogo
— O jogo tem várias fases. A primeira fase é: se tivermos a bola, a bola controlada, o adversário não vai jogar. Segunda fase: quando o jogador adversário tem esse tipo de lance, temos que eliminar na origem. A gente quer ganhar os duelos, mas eles tem jogadores fortes, a gente não joga contra anões. Muitas vezes jogadores menos dotados tecnicamente tem a valência da agressividade e dos duelos. Os duelos é a parte final da situação.
Substituições e decisões
— Em relação às mexidas, foram com o objetivo de segurar mais a bola no meio de campo e ter alas mais rápidos, para defender as laterais. Acabou que não aconteceu, mas era a ideia inicial. Quando mexi na equipe, o Plata era o melhor jogador em campo. Não tiraria em uma substituição. Poderia mexer em um volante, mas acabei optando por não mexer.
Momento da equipe
— Em relação aos jogadores que você mencionou, Pedro e Plata, desde o início quando eu cheguei eu valorizei, porque esses jogadores estavam em momento difícil, mas já provaram a qualidade e ainda são jovens. Foi uma conversa muito aberta, falei sobre o que fizeram no passado. Em relação a expulsão, sinceramente, achei tão injusta quanto a do colega do Estudiantes. Porque o guarda-redes deles empurrou o Royal, o outro dá uma cotovelada, pensei que teria uma coisa mais grave. Aí eu entrei. Fui surpreso com a expulsão. São decisões. A minha situação é muito igual a do colega da Argentina.
Escolha por Alex Sandro
— Não troquei o Alex porque os cruzamentos eram a arma deles. O Varela tirou duas bolas ali, o Alex tirou mais três. Ele era o nosso jogador mais forte no jogo. Eu colocaria o Ayrton em uma situação que não era a dele. Se precisássemos atacar, era capaz de colocar o Ayrton no jogo, para dar qualidade na construção. Em termos defensivos, a 10 minutos no fim, o Alex era a melhor opção. O problema não foram os laterais, foi os pontas não serem mais agressivos.
Falta de controle no fim
— Isso é muito importante. Era o que eu estava a falar sobre maturidade. Segurar mais a bola, aguentar mais a bola… Não conseguimos fazer esse jogo mais apoiado. Por demérito nosso e por mérito do adversários. Acabamos por nos expor.
Desfalques e retornos
— O jogador (Evertton) tem sido mais utilizado nessa fase. O Erick é um jogador extraordinário também, vai ter que recuperar da lesão, vai ter que voltar a treinar com os outros e mostrar sua competência. O Eric, 100%, com certeza ia entrar no jogo, para equilibrar a equipe em termos estratégicos e de duelos. É um jogador que eu gosto muito. Vamos esperar que ele recupere, o Paquetá também, porque a gente precisa de soluções, o desgaste é grande.
Retorno de Paquetá
— O Paquetá eu não sei quando volta, não está treinando com o grupo, nem ele nem o Erick. Vamos ver. Com certeza, nessa situação, se a gente baixasse no último minuto o risco era muito grande. Se baixássemos, poderíamos estar mais confortáveis pra atacar a bola. Eu acho que a pressão no corredor também muito mal feita. Eu não vi o lance, mas a gente podia ter uma posição mais efetiva no corredor e não aconteceu.
Mergulhe na História Rubro-Negra:
Opção por três volantes
— Já fizemos essa opção. Em Cusco, jogamos com Paquetá, Nico e Evertton. O que acontece: muitas vezes, quando se joga com três volantes, os pontas têm que ser jogadores mais agudos, com entrada na área e capacidade de finalização. Senão, fica um jogo muito circulado e pouco na zona central. Gosto que os jogadores entrem na área. As equipes grandes têm esse volume de jogo. Não gosto de ter três volantes, porque precisaria de pontas mais diferentes, mais como o Bruno (Henrique).
Situação na tabela e próximo jogo
O empate mantém o Flamengo com 27 pontos, na segunda posição, cinco atrás do líder Palmeiras. O Fluminense, com um ponto a menos, ainda joga na rodada.
Agora, o time de Leonardo Jardim volta a campo na quinta-feira, às 21h30 (de Brasília), contra o Independiente Medellín, pela quarta rodada da fase de grupos da Libertadores.













