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Flamengo preserva modelo tático de Leonardo Jardim, porém perde solidez após título estadual

Flamengo mantém identidade construída no Carioca, mas enfrenta desafios maiores na temporada

Leonardo Jardim comanda o Flamengo na vitória sobre o Grêmio em Porto Alegre - Foto: Gilvan de Souza / Flamengo
Leonardo Jardim comanda o Flamengo na vitória sobre o Grêmio em Porto Alegre - Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

Passados exatamente três meses e dezesseis dias da conquista do 40º Campeonato Carioca da história do Flamengo, decidido nos pênaltis diante do Fluminense em 8 de março, o cenário atual do clube apresenta semelhanças e diferenças em relação àquele momento. Hoje, o Rubro-Negro aparece na perseguição ao Palmeiras no Campeonato Brasileiro e já assegurou antecipadamente a liderança do Grupo A da Libertadores.



Apesar do intervalo relativamente curto no calendário, o período foi suficiente para mostrar quais aspectos da equipe permaneceram intactos e quais sofreram alterações ao longo da temporada.

A estrutura tática segue a mesma

Desde que foi apresentado no início de março para comandar o Flamengo antes da decisão estadual, Leonardo Jardim manteve como principal referência o esquema 4-2-3-1. O sistema, baseado em posse de bola e intensidade para desgastar os adversários, continua sendo a espinha dorsal da equipe.

A marca registrada observada durante a campanha do Carioca também segue presente. O treinador continua exigindo pressão alta e recuperação da posse ainda nos primeiros metros do campo ofensivo. A intensidade coletiva permanece como uma característica indispensável no modelo adotado pela comissão técnica.



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Se a estrutura foi preservada, a consistência defensiva não acompanhou o mesmo caminho quando o nível dos adversários aumentou.

O exemplo mais evidente ocorreu em 23 de maio, quando o Flamengo sofreu uma derrota por 3 a 0 para o Palmeiras. A partida evidenciou dificuldades que não haviam sido tão perceptíveis durante o Campeonato Carioca. Diante de um adversário acostumado à exigência do Brasileirão, o sistema defensivo rubro-negro apresentou vulnerabilidades.

A diferença também apareceu na tabela. Antes da paralisação para a Copa do Mundo, o Palmeiras liderava o Campeonato Brasileiro com 41 pontos, enquanto o Flamengo ocupava a segunda colocação com 34. A vantagem de sete pontos refletiu a dificuldade do clube carioca em transformar o embalo do título estadual em uma disputa mais equilibrada pela liderança nacional.



Outro fator importante foi a ausência de Giorgian De Arrascaeta. Peça fundamental no esquema de Leonardo Jardim, o uruguaio sofreu uma lesão muscular na panturrilha no início de junho. Embora tenha integrado a delegação do Uruguai para a Copa do Mundo, o meia não entrou em campo na estreia da seleção.

Sem Arrascaeta, o Flamengo perdeu parte da criatividade que havia sido determinante durante a conquista estadual. A responsabilidade ofensiva passou a recair com mais frequência sobre Pedro e sobre alternativas que não conseguiram reproduzir o mesmo rendimento.

Pedro cresceu de produção

Se algumas peças perderam protagonismo por questões físicas, Pedro viveu um processo oposto.

Em entrevistas coletivas recentes, Leonardo Jardim destacou que o atacante alcançou um patamar semelhante ao de Gabriel entre os maiores goleadores do Flamengo neste século. O crescimento do camisa 9 é perceptível não apenas pelos gols, mas também pela participação mais ativa nas construções ofensivas.

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Além de decidir mais partidas, Pedro passou a depender menos da presença de Arrascaeta para produzir. Trata-se de uma evolução individual e tática construída desde a chegada do treinador português.

Rossi segue com respaldo interno

Agustín Rossi também manteve prestígio dentro do clube. O goleiro foi decisivo na conquista do Campeonato Carioca ao defender duas cobranças na disputa por pênaltis contra o Fluminense.

Mesmo com algumas falhas pontuais registradas nos meses seguintes, a comissão técnica reafirmou publicamente a confiança no argentino. A manutenção desse respaldo demonstra uma estratégia clara de preservar um jogador que já mostrou capacidade de responder em momentos de grande pressão.

Plata amplia alternativas ofensivas

Outra mudança observada no elenco foi a integração gradual de Gonzalo Plata.

Contratado após o Campeonato Carioca, o atacante passou a ser trabalhado como uma opção para ampliar o repertório ofensivo da equipe. Mais do que um reflexo de evolução imediata, a presença do jogador representa um planejamento de longo prazo da comissão técnica.

A chegada do reforço também evidencia que Leonardo Jardim identificou limitações na campanha estadual e buscou novas soluções para o decorrer da temporada.

Libertadores traz cenário mais positivo

Enquanto o desempenho no Brasileirão apresentou oscilações, a trajetória na Libertadores foi mais consistente.

O Flamengo encerrou a fase de grupos na liderança antecipada do Grupo A, somando 16 pontos e garantindo vaga nas oitavas de final antes mesmo da rodada derradeira.

O desempenho continental reforçou a impressão de que o modelo de jogo adotado por Leonardo Jardim encontra melhores condições diante de equipes que atuam com blocos táticos mais previsíveis, permitindo ao 4-2-3-1 funcionar com maior eficiência.

Gestão de elenco passou a ser prioridade

Outra diferença importante em relação ao período do Campeonato Carioca está na administração do grupo.

Leonardo Jardim passou a utilizar mais o elenco ao longo da temporada, promovendo rodízio frequente entre os jogadores. O treinador já afirmou publicamente que precisa controlar a carga física dos atletas devido às disputas simultâneas do Brasileirão, da Libertadores e da Copa do Brasil.

Essa estratégia não era adotada de forma tão intensa durante o estadual, mas tornou-se necessária diante do calendário mais exigente.

O título carioca conquistado em 8 de março manteve viva a força do Flamengo no cenário local. No entanto, os meses seguintes mostraram que o sucesso estadual não garantia automaticamente o mesmo desempenho contra adversários de maior nível técnico.

Três meses depois, o clube preservou sua identidade tática, viu alguns jogadores evoluírem e identificou limitações que não haviam ficado tão evidentes anteriormente. Enquanto segue firme na Libertadores, o Flamengo ainda busca reduzir a distância para o Palmeiras no Brasileirão. Mais do que mudanças de estilo, o período serviu para revelar os pontos fortes e os desafios que a equipe ainda precisa superar.

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