
O Flamengo atravessa um momento de forte pressão nos bastidores após o retorno da pausa para a Copa do Mundo. As atuações abaixo do esperado e os resultados recentes fizeram a equipe perder terreno para o Palmeiras no Campeonato Brasileiro. Às vésperas das oitavas de final da Libertadores, o ambiente interno é de cobranças relacionadas ao estilo de jogo, além de desgastes envolvendo o diretor de futebol José Boto e o departamento médico.
Jogadores cobram evolução da equipe
Os empates consecutivos diante de São Paulo e Internacional aumentaram a insatisfação tanto nos bastidores quanto publicamente. Após os jogos, alguns atletas fizeram questão de reconhecer que o desempenho precisa melhorar.
O lateral Varela, por exemplo, destacou a necessidade de uma mudança de postura ao afirmar:
“fechar as portas e começar de novo”
Já o zagueiro Danilo adotou um discurso de autocrítica e ressaltou a importância do período sem jogos para que a equipe volte a evoluir. O próximo compromisso do Flamengo será no dia 09 de agosto, diante do Vitória, no Maracanã.
Ainda segundo Danilo:
“O Mister tem a análise dele e vamos sempre em direção ao que o treinador pensa. Estamos juntos nos desafios, mas nós, enquanto jogadores, temos de nos reconectar o quanto antes com as ideias do Flamengo. O Mister também, o mais rápido possível conseguir reagrupar essas ideias porque as decisões vêm aí, não esperam ninguém.”
LEIA TAMBÉM:
Questionamentos ao modelo de jogo
Internamente, uma ala do departamento de futebol avalia que o Flamengo perdeu boa parte das características positivas apresentadas durante o período em que Filipe Luís comandava a equipe. Entre as críticas estão a dificuldade para controlar as partidas e o aumento da vulnerabilidade defensiva.
Apesar disso, não há relatos de problemas de relacionamento entre o elenco e Leonardo Jardim, que é visto como um treinador dedicado, trabalhador e direto. As divergências estão concentradas principalmente no modelo de jogo e na metodologia de treinamentos.
O próprio treinador entende que a disputa da Copa do Mundo interferiu nesse processo de adaptação, já que nove jogadores passaram cerca de dois meses trabalhando com outras comissões técnicas e absorvendo conceitos diferentes.
Departamento médico vive momento de tensão
Outro tema que provoca desgaste no dia a dia do clube é a relação entre a comissão técnica e o departamento médico. Leonardo Jardim já demonstrou publicamente incômodo com mudanças nos prazos previstos para recuperação de atletas.
Casos como os de Pulgar e Léo Ortiz são apontados como exemplos dessa situação, já que os cronogramas inicialmente apresentados acabaram sendo ampliados, dificultando o planejamento da comissão técnica.
Durante a intertemporada realizada em Portugal, Jardim comentou o caso de Léo Ortiz:
“O Léo Ortiz, infelizmente, a avaliação inicial não foi correspondida. Era para parar 15 dias, esperamos três semanas e quando cheguei no aquecimento ele continuava lesionado. Por isso não tenho data para a volta. Infelizmente, porque é importante e queria ter nos treinos.”
A instabilidade envolvendo o departamento médico não é recente. Desde que Bap assumiu a presidência do Flamengo, em dezembro de 2024, o setor passou por uma ampla reformulação e enfrentou momentos de crise, incluindo a repercussão das declarações de José Luiz Runco, ex-chefe do departamento, sobre De La Cruz. Além disso, foi necessário recuperar a confiança de parte do elenco em relação aos procedimentos adotados.
Mergulhe na História Rubro-Negra:
José Boto segue pressionado nos bastidores
Além das questões envolvendo o departamento médico, o diretor de futebol José Boto continua sendo alvo de críticas dentro do clube. Segundo pessoas ligadas ao ambiente interno, o dirigente mantém uma relação considerada fria com jogadores e funcionários, além de adotar uma postura marcada por cobranças vistas como excessivamente duras em algumas situações.
O desgaste aumentou após a demissão de Filipe Luís, ocorrida em março. Desde sua chegada, Boto nunca demonstrou preocupação em construir uma imagem de proximidade com o grupo.
Internamente, ele também recebe críticas por aparecer com frequência em materiais institucionais do clube e por exigir que funcionários realizem serviços particulares, como tarefas de limpeza. Sua relação com o elenco também é descrita como distante.
O presidente Bap, que esteve recentemente no CT para reuniões de rotina, esperava que os títulos conquistados na temporada passada diminuíssem a pressão sobre o dirigente. No entanto, o desgaste aumentou ainda mais no início deste ano.
Mesmo tendo buscado possíveis alternativas para o cargo em determinado momento, o mandatário optou por manter José Boto, apostando também na boa relação entre o diretor e Leonardo Jardim. Ainda assim, o ambiente interno não melhorou, e a permanência do português para 2027 é vista como pouco provável.
Libertadores aumenta pressão sobre o Flamengo
Enquanto tenta reorganizar o ambiente interno, o Flamengo também precisa responder dentro de campo. O clube encara as oitavas de final da Libertadores sob forte pressão, principalmente após a eliminação precoce na Copa do Brasil.
Nos bastidores, uma nova queda em competição eliminatória é considerada um cenário extremamente negativo para o planejamento da temporada, tornando as próximas semanas decisivas para o futebol rubro-negro.












