Canal do Eu sou Flamengo no Whatsapp

Filipe Luís, o “treinador sem memória”, revive a essência do Flamengo em busca de novos triunfos

Em apenas nove jogos, o treinador trouxe nova vida ao elenco, despertando a conexão entre arquibancada e time

Filipe Luís em campo na Final da Copa do Brasil 2024
Filipe Luís em campo na Final da Copa do Brasil 2024

“Sou um treinador sem memória. Não guardo museus em casa, não há espaço para lembranças. Prefiro apagar o passado e seguir em frente. Os jogadores que vierem comigo entenderão minha gratidão pelo que já conquistamos, mas sabem que ficou para trás.”

Com essas palavras, Filipe Luís deixou claro que sua sede por títulos permanece insaciável. Já vitorioso como jogador com 10 conquistas pelo Flamengo, Filipe agora celebra sua primeira volta olímpica como treinador, após a vitória sobre o Atlético-MG em Belo Horizonte.

A mensagem é também um estímulo ao elenco, algo poderoso, mas Filipe Luís terá motivos para recordar esta conquista. Ela marca uma virada que pode ser exemplo para tempos de desafios e de menor inspiração.

Filipe reconheceu que não encontrou um cenário caótico, agradecendo em várias oportunidades a Tite. Porém, seu trabalho é visivelmente único e transformador, devolvendo ao Flamengo o que ele considera o seu DNA: um estilo arrojado, com riscos e constante ataque com três jogadores na área.

Sob o comando de Tite, o Flamengo apresentava um futebol lento, sem penetração e repleto de tropeços. Fora da Libertadores, o clima era ruim, culminando com a vitória magra por 1 a 0 sobre o Athletico-PR e um Maracanã em uníssono contra o técnico gaúcho, de 62 anos, que acabou demitido dias depois.

A Transformação

Convicto em suas crenças, Filipe Luís avisou que deixaria alguns jogadores insatisfeitos — o que provavelmente aconteceu. Varela e Fabrício Bruno, titulares com Tite, foram afastados logo no primeiro jogo. Embora Fabrício pudesse estar chateado, a decisão era justificável, pois jogava bem e era convocado pela seleção brasileira.

A entrada de Léo Ortiz foi um acerto. Além de boa defesa, o Flamengo ganhou um jogador com qualidade para construir o jogo. Na lateral direita, outra mudança essencial: Wesley passou a viver seu auge sob o comando de Filipe, formando uma dupla forte com Gerson, seja atacando ou defendendo.

Filipe também apostou em Gabigol, que vinha desacreditado, mas brilhou ao decidir a Copa do Brasil no jogo de ida.

Um Estilo de Jogo Definido

Na estreia contra o Corinthians, o Flamengo venceu por 1 a 0, mas poderia ter sido mais. O time fez 19 finalizações e quase garantiu a vaga na final da Copa do Brasil naquele jogo, desperdiçando várias chances, enquanto o Corinthians saiu no lucro.

“Ganhar, ganhar e ganhar”

Após a vitória por 2 a 0 sobre o Bahia, um vídeo de bastidores mostrou Filipe Luís repetindo o verbo “ganhar” dez vezes em sua preleção. Em nove jogos, ele conquistou seis vitórias, dois empates e uma derrota.

Na única derrota, contra o Fluminense, o Flamengo dominou o primeiro tempo, mas viu Jhon Arias, do tricolor, ser decisivo. O Flamengo ainda pressionou o Internacional no Beira-Rio e quase venceu. O empate veio após um erro de Evertton Araújo, que foi fominha ao conduzir a bola em direção à área adversária. Filipe, entretanto, evitou expor seus jogadores, apontando para outros lances semelhantes que não resultaram em gol. Léo Ortiz e Evertton fizeram boas partidas, apesar de alguns erros.

Flexibilidade e Prudência

Filipe Luís utilizou um esquema de três zagueiros duas vezes. A primeira foi nas semifinais contra o Corinthians, quando substituiu Gabigol por Fabrício Bruno ao ver Bruno Henrique ser expulso. A decisão foi acertada: fortaleceu a área defensiva e dificultou os cruzamentos do adversário.

A Vitória do Penta e as Cartadas Decisivas

Na decisão contra o Atlético-MG, Filipe considerou um esquema com três zagueiros, mas optou pelo 4-4-2 (ou 4-2-3-1, dependendo do ponto de vista). Embora o Galo tivesse mais posse, as chances mais claras foram do Flamengo. Gerson, Arrascaeta e Evertton Araújo ficaram perto de marcar. Na defesa, Rossi quase complicou em um passe para Pulgar, mas evitou o pior ao interceptar um chute de Hulk.

Entendendo que o Flamengo precisava de mais velocidade, Filipe substituiu Gabigol por Bruno Henrique no intervalo. A decisão foi certeira: Bruno quase marcou em duas investidas pela esquerda.

A entrada de Fabrício Bruno no lugar de Arrascaeta fortaleceu o sistema defensivo e liberou Wesley, que puxou contra-ataques, embora o Flamengo tenha desperdiçado boas chances.

Estrela e Foco no DNA

Apesar de uma postura inicial mais cautelosa, Filipe manteve o compromisso com o ataque. No primeiro tempo, o Flamengo teve seis finalizações, e no segundo, mesmo com o empate sendo suficiente, não abandonou o ataque, finalizando 12 vezes e perdendo várias oportunidades.

A jogada que definiu o título veio com Bruno Henrique e Plata: após um passe de trivela de Bruno, Plata recebeu, aplicou um belo drible e marcou um golaço com o pé menos forte.

Nos acréscimos, o Flamengo quase ampliou com David Luiz e Wesley, mas o 1 a 0 já teve gosto de goleada.

Embora se defina como um “treinador sem memória”, Filipe Luís dificilmente esquecerá o dia 10 de novembro de 2024, quando tirou nota 10 em sua atuação. Como treinador, ele precisará guardar essa conquista como inspiração para superar as dificuldades.

Ele, que tanto falou em “ganhar, ganhar e ganhar”, saiu com o título do campeonato.

SHARE