Com a defesa menos vazada do Campeonato Brasileiro, o Flamengo tem mostrado solidez que vai além da organização promovida por Filipe Luís. Um conteúdo recente do canal Falando de Tática, comandado por Raphael Rabello, mergulhou fundo no desempenho dos defensores do clube, evidenciando suas principais características técnicas e táticas, do miolo de zaga às laterais.
Raphael inicia sua análise elogiando a performance geral do setor defensivo rubro-negro:
“Os comportamentos defensivos desses caras é em um nível muito alto”, afirma, antes de destrinchar o desempenho individual dos principais nomes do sistema defensivo do Flamengo.
Danilo: leitura precisa, imposição e saída de bola limpa
No caso de Danilo, Rabello destaca sua precisão na leitura de lances com bolas descobertas, elogiando a forma como se posiciona para impedir avanços em profundidade, perfilando o corpo lateralmente de forma técnica e eficaz.
“Danilo e a capacidade de leitura e cobertura da profundidade. Bola descoberta e o opositor mais próximo já ataca profundidade. Ele perfila o corpo lateralmente. Já está preparado para defender a profundidade. Muita leitura. Não tem como dar errado. Muita técnica e calma para pegar a bola e sair jogando”, observa o analista.
Raphael também menciona como Danilo usa o corpo com inteligência, vencendo duelos sem cometer infrações:
“Essa técnica que ele tem de vencer em força física dando só uma deslocadinha no adversário. Isso não é falta, você vence o duelo só tirando o equilíbrio do adversário”, destaca.
Além de recuperar, Danilo já conduz o time à frente, iniciando jogadas:
“Mapeia o espaço, entende o posicionamento do Léo Pereira para se posicionar melhor. Está dominando a área, bem colocado. Toma o cuidado de direcionar essa rebatida do Wesley para o Flamengo iniciar a transição. Colocação absurda”, conclui.
Léo Ortiz: leitura europeia, imposição e técnica apurada
Sobre Léo Ortiz, Raphael não economiza nos elogios, colocando-o entre os melhores do mundo na posição.
“Tem poucos zagueiros no mundo jogando mais do que esse cara. É nível Europa. Dá a impressão que ele joga contra garotos Sub-17. Ele bota os caras no bolso de uma forma absurda”, pontua.
Ortiz é eficaz tanto na antecipação quanto na cobertura dos companheiros.
“Ortiz com muita leitura de bola descoberta, capacidade de cobrir profundidade. Percebe que pode entrar na profundidade, já perfila o corpo para cobrir a profundidade. Leitura rápida, vai se deslocar, o Danilo tenta chegar e ele faz a cobertura do companheiro de zaga”, exemplifica.
Sua técnica transforma lances defensivos em ofensivos:
“Lê a jogada com muita rapidez, percebe que o Wesley não vai chegar, faz uma cobertura bem feita e desarma armando. Dá um tapa para o Wesley ficar com a bola. Ele quase sempre faz isso. Suas ações defensivas geram ataques”, detalha.
Léo Pereira: antecipação, precisão e passes inteligentes
Menos físico que os outros zagueiros, Léo Pereira compensa com inteligência de jogo e timing.
“O Léo Pereira gosta mais de antecipar do que se impor fisicamente. Se antecipa, já salta. Também busca direcionar as rebatidas para os companheiros”, explica.
Mesmo quando a antecipação não é possível, ele consegue se adaptar e neutralizar:
“Não consegue antecipar, se vira bem esperando o adversário dominar para ele meter o pé na bola. É uma técnica, faz muito bem”, completa.
Raphael destaca a eficiência nos momentos mais difíceis:
“Direciona rebatida em uma ação meio difícil. Quando vem um cruzamento forte é mais difícil, e ele consegue fazer isso. Vem cruzamento forte e ele ajeita o corpo, o pé e direciona a rebatida para um companheiro”, analisa.
Varela: coragem, precisão e leitura apurada
O uruguaio Varela vem ganhando protagonismo também na defesa. Rabello enfatiza sua coragem e técnica para antecipar jogadas.
“Varela, defensivamente, dá aula com muita leitura e coragem para se antecipar. Técnica para desarmar: percebe que o adversário vai dominar com o pé direito e vai por esse mesmo lado dar um tapa na bola. Varela tem muita técnica. Defensor de altíssimo nível”, avalia.
Ele exemplifica com um lance contra o Corinthians:
“Também tem capacidade de vencer o duelo em força sem usar tanta força. Só usa o quadril e tira a progressão do Garro sem fazer falta”, relata.
Varela também se destaca por conseguir lidar com mais de um adversário ao mesmo tempo:
“Gestão da desvantagem. Cuida do jogador mais próxima, mas também está de olho no outro. Cuida de dois ao mesmo tempo. Passe entra no outro jogador, ele chega e intercepta. Ele é fera nisso”, pontua.
Wesley: timing, marcação limpa e jogo aéreo
Já Wesley tem se mostrado confiável no um contra um e em bolas aéreas.
“Wesley faz muito bem esse recuperar as costas. Desarma sem fazer falta. Chega no ponto cego, se impõe fisicamente, mas sem falta”, diz Rabello.
Sua leitura para o momento certo do bote também impressiona:
“Espera o adversário tomar decisão para fazer a abordagem mais correta. Espera a bola subir. Quando ele entende que o adversário vai dar tapa para frente, ele acelera”, explica.
Alex Sandro: liderança e imposição
Fechando a linha defensiva, Alex Sandro impressiona pela leitura e força nos duelos.
“Alex Sandro é um monstro defendendo. Absurdo. Muita capacidade de gerir desvantagem, entender momento de pausar correndo”, diz Raphael.
Sua força pelo alto também merece menção:
“Vence o duelo do chutão do goleiro também. Tem uma taxa de duelos aéreos que beira os 90%”, aponta.
Finalizando, Raphael destaca sua experiência e eficiência nas tomadas de decisão:
“Técnica para desarme. Entende com qual pé o adversário domina a bola. Muito forte em cruzamento no lado oposto. Se antecipa e tira de cabeça”, encerra.













