Durante o III Fórum Empreendedor do Rio, realizado pela Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista — o Bap — voltou a criticar o atual estágio das discussões sobre a Libra. O dirigente afirmou que o futebol brasileiro ainda carece de debates profundos sobre o desenvolvimento da modalidade e que as conversas seguem restritas à divisão de receitas, sem avanços estruturais reais.
“Tem muita coisa para desenvolver no futebol além da parte comercial. Quando se fala de liga, as pessoas acham que precisa haver alinhamento em tudo. Não é necessariamente verdade. Pode haver alinhamento de fair play econômico, financeiro, regulatório do campeonato. Mas como vamos organizar o Brasileirão se não temos um diretor de competições?”, questionou Bap.
Bap aponta falta de estrutura e cita dificuldade dos clubes em lidar com temas básicos
Para ilustrar sua crítica, o presidente rubro-negro usou como exemplo a ausência de uma comissão de arbitragem independente, destacando que o excesso de clubismo atrapalha até questões simples de gestão.
“Acham que clubes, que não conseguem dividir 70 ou 80 milhões por ano, estão preparados emocionalmente para discutir quem vai ser o árbitro daqui a três dias? Um não quer o João, outro não quer a Maria, outro detesta o Pedro. Quem vai decidir isso? Não podemos ser nós, dirigentes. Precisa ter um grupo de profissionais cuidando disso.”
Criada para ser o embrião de uma futura liga nacional, a Libra segue limitada às questões comerciais e à disputa por fatias de receita. Segundo Bap, enquanto o foco estiver apenas no dinheiro, não haverá evolução real.
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“Não há, no Brasil recente, cinco minutos de discussão sobre isso. Tem muito mais coisa para ser feita pelo futebol brasileiro do que um debate de dinheiro para lá ou para cá. Isso é uma discussão comercial que vai sempre acontecer, mas existem discussões maiores. Temos que ter uma posição institucional pró-futebol. Isso não tem nada a ver com a posição na Libra.”
O dirigente completou dizendo que a criação de uma liga só será possível quando houver comprometimento coletivo e profissionalismo de fato:
“A liga só pode acontecer no Brasil quando os clubes decidirem que querem se engajar com isso. Se não, fica parecendo um discurso sobre a cor da camisa que eu escolho usar de manhã. Entre o discurso e a prática tem que ter muito trabalho, muita união e muito profissionalismo. E hoje não tem tanto trabalho, não tem quase nenhuma união e não tem gente profissional cuidando disso.”
Bap critica repetição de erros e compara Libra ao Clube dos 13
O presidente do Flamengo também lamentou o baixo nível das conversas entre os clubes que integram a Libra, afirmando que a discussão permanece superficial e girando sempre em torno do dinheiro.
“Não houve essa parte da proposta das mudanças, o assunto não entra em pauta. Estamos há nove meses discutindo o dinheiro que o Flamengo cede aos outros. Não é assim. ‘O que quer de sobremesa? Eu quero um filé com fritas. O que quer beber? Um filé com fritas. Vai ficar até tarde? Quero um filé com fritas’. O resto não é discutido.”
O cenário, segundo ele, lembra o Clube dos 13, grupo criado em 1987 com o objetivo de organizar uma liga independente, mas que acabou enfraquecido por interesses individuais.
“Para os torcedores e imprensa em geral, a conversa sobre a liga tem um palmo de profundidade. Isso é uma autocrítica, e eu me incluo nisso. Os clubes reclamam da CBF e tudo mais, mas o que fazemos de proposta concreta? Nada. Dentro da Libra, não há nenhuma discussão que não seja divisão de dinheiro.”
Por fim, Bap ironizou o momento atual e comparou diretamente a Libra ao antigo movimento dos anos 80.
“Qual a diferença disso para os Clubes dos 13 de 87? Nenhuma. A diferença é que estamos todos mais velhos, com menos cabelo, mais gordos e discutindo os mesmos problemas.”
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