A chegada de Michael Johnston ao Flamengo parecia questão de tempo, mas foi interrompida de forma inesperada após uma decisão direta do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap. O veto, mesmo com viagem do atleta ao Rio de Janeiro marcada, gerou repercussão e levantou questionamentos sobre uma possível interferência do presidente no departamento de futebol, liderado por José Boto.
Durante o período eleitoral, Bap havia garantido que não interferiria diretamente nas decisões do futebol e que o setor teria autonomia total. Na prática, essa postura tem sido mantida, com o mandatário evitando se envolver nas contratações. No entanto, ele assumiu publicamente que interveio neste caso específico, alegando que a vinda do jogador seria prejudicial ao planejamento do clube, principalmente por limitações físicas apontadas em relatório médico.
“O relatório médico no clube de lá diz que ele está apto para jogar 1.800 minutos ao ano. Quanto já jogou esse ano? 900. Então eu vou trazer um jogador para jogar 900 minutos quando eu ainda tenho que jogar 4 mil? São escolhas que você tem que fazer. Não é contra o atleta, é a favor do Flamengo”, declarou Bap à Flamengo TV.
Decisão não foi pessoal: BAP diz que jogador tem qualidade, mas não atende necessidades do clube
Bap reforçou que a decisão não partiu de desconfiança quanto à capacidade técnica de Johnston, e sim de uma análise objetiva das demandas do elenco frente à condição física do atleta.
“Ele pode ser ótimo atleta, ótimo profissional, mas para as necessidades do Flamengo, neste momento, na minha opinião, não era o ideal. Esse é o meu trabalho, isso é ser profissional, independentemente da opinião de outras pessoas. A gente escuta o pessoal do scout, o Filipe Luís, o Boto, o Departamento Médico… A única certeza que eu tenho é o seguinte: esse processo é mais longo, é mais penoso, mas ele traz muito mais certeza e acuracidade no final das coisas. E benefício ao longo prazo”, completou.
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BAP explica como funciona o processo de contratação no Flamengo
Na entrevista, o presidente também detalhou as etapas de uma negociação no Flamengo. Segundo ele, o clube analisa muitos nomes e só realiza exames médicos na etapa final, quando o atleta já passou por todas as avaliações técnicas e táticas.
“São várias etapas. Então as pessoas falam: ‘Mas como é que a avaliação médica detona ou acaba com a contratação’? Gente, você está avaliando 40 atletas, você não faz a avaliação médica de 40, é um funil. Se fosse um campeonato, você só ia fazer isso na semifinal. Então quando é que ia fazer o exame médico? Só nos finalmente que você olha essa parte, não faz sentido ficar avaliando jogadores numa quantidade enorme”, relatou Bap.
Por fim, ele reforçou que sua decisão se baseou unicamente no parecer técnico do departamento médico, e que sua função é considerar o cenário completo antes de aprovar um reforço.
“O processo é desenhado dessa maneira. Eu não sou médico, não entendo de medicina esportiva, apesar de poder dar palpite. Quando você pergunta alguém que é profissional, ele não vai responder tecnicamente se o jogador é bom ou ruim. Se o cara está apto a jogar no 4-3-3 ou no 3-5-2, se é um jogador combativo… Não é essa a praia dele. O que ele vai dizer é o seguinte: ‘Olha, esse atleta está íntegro do ponto de vista físico, ele não tinha problema físico nos últimos três anos'”, concluiu o presidente do Flamengo.













