Após 13 anos atuando nos bastidores do Flamengo, Bruno Spindel revelou qual foi, na sua visão, a crise mais delicada vivida dentro do clube. Demitido em agosto de 2025, o ex-diretor executivo rubro-negro passou por diferentes funções — do marketing à diretoria de futebol — e afirmou que o episódio mais tenso ocorreu em 2023, quando o atacante Pedro foi agredido pelo preparador físico Pablo Fernández, integrante da comissão técnica de Jorge Sampaoli.
O caso aconteceu após uma vitória sobre o Atlético-MG, quando Pedro, insatisfeito por não ter sido utilizado, discutiu com um membro da comissão e acabou sendo agredido com um soco. O episódio causou enorme repercussão dentro e fora do clube, impactando diretamente o ambiente do elenco e a sequência da temporada.
“Acho que crise mais difícil foi a agressão ao Pedro. Foi muito difícil de tomar as decisões, dar apoio total ao Pedro, aparar todas as arestas para voltar ao trabalho. É óbvio que teve consequências, o time estava voando naquele momento, vínhamos de uma atuação impecável contra o Grêmio e a quebra do tabu com o Atlético-MG. Aconteceu a crise do jeito que foi e tirou o trabalho dos trilhos. Foi a crise mais difícil e que teve mais consequências”, destacou Spindel em entrevista ao portal ge.
Spindel relembra bastidores e apoio a Pedro
Bruno Spindel explicou como lidou com o episódio nos dias seguintes e revelou que, ao lado de Marcos Braz, prestou todo o suporte necessário ao atacante. Mesmo assim, admitiu que o episódio deixou marcas internas e afetou o ambiente do grupo.
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“A primeira coisa que eu e Braz fizemos foi dar todo apoio ao Pedro. Fomos conduzindo as ações que precisavam ser conduzidas. Demos suporte na delegacia ao Pedro, conversamos com o pai, os empresários. Tivemos conversas com o Pedro e com os empresários para aparar as arestas. Era uma situação muito difícil. Demos todo apoio ao Pedro para ele se reintegrar e o Pablo foi demitido. Tentamos colocar o trabalho nos eixos, mas ficou uma trinca em todas as relações. Teve suas consequências”, relatou o ex-dirigente.
Por que Sampaoli não foi demitido na época?
Mesmo após o incidente, Jorge Sampaoli permaneceu no comando da equipe até quase o fim da temporada. Spindel revelou que a decisão de manter o argentino foi extremamente complexa, já que a diretoria acreditava que o elenco ainda tinha condições de disputar títulos nas três frentes em que estava envolvido.
“Era uma decisão muito complexa. Muito difícil. O ocorrido teve consequências na performance esportiva durante a temporada, isso não tem dúvida. A gente estava brigando para ser campeão brasileiro, desempenhando muito bem, acreditávamos de verdade que daria para brigar e até sair campeão nas três competições. Mas é óbvio que o ocorrido teve consequência. É difícil falar se tomaria outra decisão ou não, mas, com certeza, teve consequência para o resto da temporada. A saída do Paulo Sousa foi complicada, mas a gente conseguiu corrigir o rumo e saímos campeões da Libertadores e da Copa do Brasil”, explicou Spindel.
Depois da turbulência, novas mudanças no comando
Sampaoli acabaria deixando o cargo após a perda da Copa do Brasil, dando lugar a Tite. No entanto, a aposta também não trouxe os resultados esperados. Um ano depois, o treinador foi demitido, e o comando da equipe passou para Filipe Luís, que estreou como técnico profissional e conduziu uma nova fase no clube.
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