Carlos Noval, que ocupou o cargo de diretor da base do Flamengo por 15 anos, foi desligado no mês passado, mas guarda na memória a transformação radical do clube e, principalmente, do Ninho do Urubu. Ele presenciou o local passar de um espaço simples, com mato e casas abandonadas, para um CT milionário reconhecido internacionalmente.
“O Ninho não tinha nada. Era mato, uma casa muito abandonada onde ficavam seis, sete meninos alojados. Só dois campos praticamente. A porta era uma porteira de fazenda, não tinha muro, nada. Para quem chega hoje lá e vê, não acredita que 15 anos atrás o Flamengo fosse aquilo ali. Com o tempo o clube foi se estruturando, melhorando a parte financeira e orçamentária. Deu para construirmos aos poucos”, relembrou Noval em entrevista ao “ge”.
As condições de trabalho eram limitadas, e até a alimentação era insuficiente para os atletas.
“Começou mais pela alimentação, que não tinha. Os que eram alojados, na época, comiam até arroz com linguiça, salsicha, um pedacinho de carne. Era precário. Passamos a realmente dar uma alimentação mais adequada. Dois amigos meus eram donos de supermercado e começaram a ceder essas comidas. Para muitos ali o café da manhã era a alimentação que eles tinham o dia inteiro. Era muito difícil de trabalhar. Hoje tem tudo. Os departamentos estruturados, tudo do bom e do melhor, departamentos funcionando em conjunto. Nutricionista, fisiologista, tudo o que um atleta precisa para se desenvolver e estar no profissional”, afirmou.
Estrutura comparável aos maiores clubes do mundo
O CT rubro-negro se transformou em referência no continente. Reforços vindos da Europa chegam a afirmar que a estrutura não deixa nada a dever aos centros de treinamento de seus antigos clubes. O atacante Samuel Lino, por exemplo, disse que o Ninho do Urubu é melhor que o CT do Atlético de Madrid.
Hoje, o espaço conta com dez campos, miniestádio, academia, quartos de concentração e uma infraestrutura completa. No passado, o cenário era bem diferente, como lembra Noval.
“Quem entra hoje não acredita no que era. O Flamengo não tinha uma academia para base. A academia foi montada em 2014 dentro de um galpão de madeira que era o refeitório dos funcionários das obras. O profissional mudou os equipamentos e sobraram alguns mais antigos. Pegamos para montar a academia dos moleques. Era um chão de cimento, mas aquilo foi uma felicidade monstra para todos nós. Um passo a mais”, contou.
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Investimentos e autonomia para a base
A venda de jovens talentos como Vini Jr e Lucas Paquetá possibilitou novos investimentos e a criação de um orçamento próprio para a base, algo que não existia antes.
“O clube foi se reestruturando, foi ter um orçamento melhor com a venda do Vinicius, dos meninos. Começou atrás até, com a venda do Samir, Jorge. Consegui de a base ter um orçamento só dela. Antes era englobado com o profissional, não sabíamos o que tinha de autonomia para usar ou não para a base. Começou a melhorar e hoje é isso, essa potência. Dois CTs maravilhosos, não tem o que reclamar. O CT da base acho que é melhor que o de vários clubes”, finalizou.
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