A CBF deu início a um movimento inédito no futebol brasileiro ao anunciar oficialmente o processo de criação de uma regra de Fair Play Financeiro no país. A portaria que regulamenta o início do projeto foi assinada nesta segunda-feira pelo presidente Samir Xaud, com a meta de elaborar um plano dentro de 90 dias.
Inspirado no modelo já utilizado com sucesso na Europa, o Fair Play Financeiro visa limitar os gastos dos clubes com base em suas receitas, exigir a quitação de dívidas atrasadas e estabelecer uma gestão mais sustentável do ponto de vista econômico. No Brasil, o regulamento será chamado de Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF).
O processo de definição das regras será conduzido por um grupo de trabalho composto por representantes da própria CBF, além de clubes das Séries A e B, federações estaduais e consultores técnicos. As equipes interessadas em participar do grupo têm cinco dias para manifestar esse desejo. Caso haja uma procura excessiva, o vice-presidente da CBF será responsável por escolher os participantes.
Embora seja uma iniciativa importante, essa não é a primeira tentativa da CBF de introduzir um Fair Play Financeiro. Durante a gestão de Rogério Caboclo, uma proposta chegou a ser elaborada, mas foi barrada por resistência de clubes como Atlético-MG e Corinthians, que enfrentavam sérios problemas financeiros e se opuseram ao modelo. O projeto acabou engavetado sem avanços.
A retomada do tema agora indica um novo momento no futebol nacional, com a possibilidade de finalmente estabelecer parâmetros claros para equilibrar as finanças dos clubes e incentivar uma administração mais responsável. Se implementado com êxito, o Fair Play Financeiro brasileiro poderá representar um marco na transformação da saúde econômica do esporte no país.













