A proposta de adotar o fair play financeiro no futebol brasileiro vem sendo discutida entre clubes, federações e a própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF). No entanto, o presidente da entidade, Samir Xaud, pediu calma quanto à aplicação do sistema.
Segundo ele, implantar uma medida tão significativa em um país como o Brasil requer um período de transição para que as equipes possam se ajustar. Por isso, acredita que a implementação pode demorar, apesar das conversas já em andamento.
“É uma construção, não é tão simples. Há um período de transição, alguns países demoraram anos nisso. Temos que dar tempo aos clubes se adaptarem ao novo modelo. Acredito que o pontapé inicial, o que precisava, a gente começou. O tempo determinado a gente não tem, mas queremos que seja o mais breve possível”, declarou Xaud ao Lance.
Gastos excessivos preocupam a entidade
O dirigente reconheceu que existe receio quanto à falta de responsabilidade financeira de alguns clubes no país. Sem citar nomes, destacou que há casos de equipes que gastam até três vezes mais do que arrecadam, o que compromete a saúde financeira e prejudica a competitividade.
“O que nos preocupa bastante são os gastos demasiados de alguns clubes. Você tem uma arrecadação X; o clube está gastando 3X. E o que a gente quer é dar uma lisura maior para os nossos campeonatos, deixar o campeonato mais disputável e tornar o futebol brasileiro autossustentável financeiramente”, afirmou.
LEIA TAMBÉM:
Ele também ressaltou que, enquanto alguns times honram compromissos e pagam em dia, outros acumulam contratações sem a mesma responsabilidade.
“Então, além de prejudicar o campeonato, de ser uma atitude antidesportiva com os outros clubes — os clubes menores que pagam em dia suas receitas, seus jogadores —, acaba tendo aquele, entre aspas, ‘doping financeiro'”, completou.
Apoio crescente à medida
Mesmo com a expectativa de que leve um tempo, Xaud está otimista sobre a implementação do fair play financeiro no país. O presidente destacou o engajamento nas discussões, afirmando que apenas três dos 40 clubes das séries A e B ficaram de fora das conversas.
Mergulhe na História Rubro-Negra:
“Entre os times das séries A e B, dos 40, tivemos ali 37 clubes. Não só clubes, mas federações, a CBF como um todo. Está todo mundo antenado nesse tema, um tema muito importante para todo o futebol brasileiro. E eu acredito que nós vamos construir um melhor modelo aqui no Brasil”, finalizou.













