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Cobrança de Bap antes da presidência volta à tona com demora do Flamengo no mercado

Presidente cobrava planejamento para fechar reforços antes da abertura da janela, mas Rubro-Negro segue enfrentando dificuldades para repetir essa estratégia.

BAP e José Boto no Ninho do Urubu
BAP e José Boto no Ninho do Urubu

A demora do Flamengo em concluir contratações voltou a colocar em evidência um discurso adotado por Luiz Eduardo Baptista, o Bap, antes de assumir a presidência do clube. Ainda durante a campanha eleitoral, ele criticava a lentidão nas negociações e defendia que o planejamento deveria garantir a chegada dos reforços antes da abertura das janelas de transferências. Entretanto, após cinco períodos de mercado sob sua gestão, esse modelo ainda não foi consolidado pelo Rubro-Negro.



Em entrevista concedida ao Flow Sport Club, em outubro de 2024, Bap citou Cruzeiro, Botafogo e Palmeiras como exemplos de clubes que trabalhavam com antecedência no mercado, além de fazer críticas à postura do Flamengo naquele momento.

“Planejamento. Você pega Cruzeiro, Botafogo e Palmeiras. A janela abriu dia 10 de julho no Brasil. Que dia eles estrearam jogadores? Dia 10 de julho. Eles trouxeram jogadores no final de abril, início de maio, trouxeram para cá, esses caras ficaram treinando, fazendo pré-temporada separada. Flamengo foi contratar jogadores faltando dois dias para fechar a janela, tinha gente que chegava, falava ‘estou pronto para jogar, se professor quiser, eu jogo’… E se machucaram.”



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Atualmente, o Flamengo ainda não anunciou reforços na segunda janela de transferências de 2026 e tem até o dia 8 de agosto para realizar alterações na lista de inscritos da Libertadores. Paralelamente, o técnico Leonardo Jardim já manifestou publicamente a necessidade de reforços para o setor ofensivo.

Na mesma entrevista, Bap reforçou a importância do planejamento nas movimentações do mercado.

“(…) De que adianta você ter dinheiro em caixa, se você não tem um planejamento que faz com que os jogadores cheguem a tempo aqui?”

Apenas duas negociações seguiram o modelo defendido

Depois de assumir a presidência, o Flamengo conseguiu repetir o planejamento defendido por Bap em apenas duas ocasiões. As exceções foram as contratações de Jorginho, durante a janela excepcional de 2025, e de Vitão, anunciado poucos dias após a abertura do mercado em 2026.



A situação se torna ainda mais evidente na atual janela de transferências. O clube precisa definir sua lista para a Libertadores até o dia 8 de agosto, enquanto a negociação por Thiago Almada segue indefinida e Luiz Henrique passou a ser tratado como uma nova prioridade da diretoria.

Cinco janelas sob a gestão de Bap

Desde o início da gestão de Bap, o Flamengo participou de cinco janelas de transferências. A primeira ocorreu em janeiro de 2025, quando Juninho foi anunciado no dia 15 e Danilo no dia 29, ambos após a abertura oficial do mercado, realizada em 3 de janeiro.

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Na janela excepcional criada pela Fifa para a Copa do Mundo de Clubes, o clube confirmou a contratação de Jorginho em junho de 2025. O volante já estava com a negociação encaminhada antes da abertura do período de inscrições e estreou na primeira partida possível após a pausa da competição.

Na segunda janela de 2025, iniciada em 10 de julho, o Flamengo anunciou Saúl, Emerson Royal, Samuel Lino e Jorge Carrascal. Todos foram oficializados somente duas semanas após o início da janela, enquanto Carrascal fez sua estreia apenas em 13 de agosto.

Já na primeira janela de 2026, aberta em 5 de janeiro, o Rubro-Negro confirmou Vitão no dia 8, apenas três dias depois do início do mercado. Posteriormente, foram anunciados Andrew, em 15 de janeiro, e Lucas Paquetá, no dia 28.

Boto pede paciência nas negociações

No dia 11 de julho, o diretor de futebol José Boto afirmou que o Flamengo já negociava a contratação de três jogadores para esta janela. Entretanto, nesta segunda-feira (4), o dirigente voltou a defender cautela nas negociações e criticou a pressão por reforços imediatos, ressaltando que investimentos elevados exigem paciência.

“Nós não vamos pagar mais do que aquilo que devemos e podemos. Em princípio, nós estamos negociando três jogadores. Não vou dizer quem são, nem as posições. O treinador sabe quem são, porque é ele quem os pede, e o presidente também sabe. Vamos demorar o tempo que for necessário”, disse em julho, antes de pregar paciência por Almada em agosto:

“Há um otimismo. Em contratações desse nível é preciso paciência para não se pagar mais do que se deve, mas também não vamos esperar eternamente.”

O Flamengo avançou nas tratativas para contratar Thiago Almada, mas a entrada do River Plate na disputa e a indefinição do jogador dificultaram o avanço do acordo. Diante desse cenário, a diretoria passou a intensificar os contatos por Luiz Henrique, atacante do Zenit.

Assim, a atual janela de transferências evidencia o contraste entre o discurso defendido por Bap antes de assumir a presidência do Flamengo e os desafios enfrentados pela atual gestão para concretizar negociações de alto nível dentro do prazo desejado.

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