Após ser acusado de recorrer a artifícios jurídicos para atrasar o pagamento das transferências de dois jogadores, o Estrela Amadora respondeu com firmeza à nota publicada pelo Flamengo. Em comunicado oficial divulgado nesta quarta-feira, o clube de Portugal não apenas rebateu as alegações rubro-negras, como também criticou diretamente a conduta do presidente Luiz Eduardo Baptista, o BAP, insinuando que ele age como se estivesse acima da lei.
O centro da polêmica gira em torno das negociações envolvendo os atletas Igor Jesus e André Luiz, vendidos ao Estrela Amadora por 500 mil euros e 2 milhões de euros, respectivamente. O Flamengo afirma que o clube português não efetuou nenhum pagamento até o momento. Diante disso, abriu um processo na FIFA e, posteriormente, os portugueses acionaram o CAS (Corte Arbitral do Esporte), pedindo a suspensão do prazo final de pagamento estipulado anteriormente para o dia 29 de junho.
Na nota divulgada pelo Estrela Amadora, o tom foi de total repúdio à postura da diretoria flamenguista: “O presidente do Flamengo e o próprio clube parecem considerar-se acima da lei. Na ótica dele, os clubes não deveriam recorrer aos mecanismos legais que têm ao seu dispor para defender os seus interesses. Em contraste, aqui em Portugal, no Estrela da Amadora, acreditamos na justiça e no respeito pelas instituições.”
O texto prossegue em tom crítico, sugerindo que o Flamengo estaria utilizando o caso como arma política interna: “Não colocamos os nossos interesses pessoais acima da justiça desportiva, nem utilizamos antigos parceiros como instrumentos de manobra para disputas políticas internas.”
Além disso, o clube português também apontou que age com seriedade e profissionalismo, dentro e fora de campo, e que acatará a decisão da justiça sem recorrer a pressões públicas ou à manipulação da mídia. Por fim, lamentou a mudança de postura da atual gestão do Flamengo: “Essa postura pouco dignifica a imagem de um clube que, até há pouco tempo, era respeitado internacionalmente.”
Entenda o conflito financeiro entre os clubes
Em 2024, o Flamengo negociou os direitos econômicos de Igor Jesus e André Luiz com o Estrela Amadora por um total de 2,5 milhões de euros (aproximadamente R$ 15,3 milhões na cotação da época). Contudo, o clube português não realizou o pagamento das parcelas acordadas. O agravante veio em 2025, quando o Estrela revendeu os dois atletas com lucro significativo: Igor Jesus foi para o Rio Ave por 2,2 milhões de euros (R$ 13,6 milhões), enquanto André Luiz foi transferido ao Los Angeles FC por 4 milhões de euros (R$ 25 milhões).
Diante do cenário, o Flamengo decidiu recorrer novamente à FIFA para exigir também os valores referentes às revendas, estimando que tem a receber mais de R$ 35 milhões no total. Apesar de decisões anteriores da FIFA terem dado ganho de causa ao Flamengo, com estipulação de prazo de 45 dias para pagamento dos débitos, o Estrela solicitou tempo adicional ao CAS para se manifestar, o que suspende temporariamente o prazo de quitação.
Nota oficial do Flamengo sobre o caso
O Clube de Regatas do Flamengo informa que o Estrela Amadora, de Portugal, tem adotado medidas com o claro intuito de postergar o pagamento dos valores devidos pelas transferências dos atletas Igor Jesus Lima e André Luiz Inácio da Silva. Mesmo após diversas decisões favoráveis ao Flamengo na FIFA, incluindo condenação formal em abril, com prazo de 45 dias para a quitação de mais de €2,5 milhões acrescidos de juros e multa, o clube português segue inadimplente.
No último dia 5 de junho, em mais uma ação protelatória, o Estrela Amadora recorreu ao CAS (Corte Arbitral do Esporte), o que suspende temporariamente o prazo final para pagamento, originalmente fixado para 29 de junho.
O Flamengo repudia a utilização de mecanismos jurídicos com o único objetivo de evitar o cumprimento de obrigações já reconhecidas e formalizadas, prática que favorece os maus pagadores. O clube reitera que apresentou todas as evidências que comprovam a dívida, incluindo faturas enviadas e confirmadas pelo Estrela Amadora, e seguirá atuando nas instâncias competentes para garantir integralmente seus direitos reconhecidos na decisão proferida pela FIFA.













