A temporada de 2024 ficará para sempre marcada na memória de Evertton Araújo. O jovem volante, de 21 anos, viveu momentos emocionantes no Flamengo, incluindo seu primeiro gol como profissional e a conquista da Copa do Brasil, com papel importante na equipe. Para coroar o ano dos sonhos, Evertton renovou contrato com o clube até 2028, recebendo um aumento salarial significativo.
– “No ano passado, as oportunidades foram poucas. Mas, graças a Deus, esse ano tudo aconteceu. Sou muito grato ao Tite e à comissão técnica dele, porque foram eles que me deram as primeiras chances. Não imaginava que seria tão rápido, mas trabalhei muito para isso e continuo me dedicando todos os dias”, contou o jogador.
No início da temporada, Evertton acumulava apenas três partidas pelos profissionais, todas em jogos com equipes alternativas. Com a chegada de Filipe Luís como treinador, seu cenário mudou completamente. Após ser testado na vitória por 4 a 2 contra o Juventude, o jovem ganhou confiança e assumiu a titularidade em oito dos últimos nove jogos disponíveis, mostrando consistência e recebendo elogios.
– “Antes do jogo contra o Juventude, o Filipe me pediu para fazer o que eu já fazia nos treinos, sem pressão. Além dele, o David também foi um grande paizão, sempre me dando dicas. Eles me deixaram muito à vontade e isso fez toda a diferença”, relatou.
Mesmo com a ascensão meteórica, Evertton teve que lidar com momentos difíceis, como o erro que resultou no empate por 1 a 1 contra o Internacional, após uma grande atuação individual. Apesar disso, o jogador não se abalou e brilhou no primeiro jogo da final da Copa do Brasil contra o Atlético-MG, contribuindo para a vitória por 3 a 1.
– “Errar faz parte do futebol. Até os mais experientes passam por isso. Naquele jogo contra o Inter, eu estava jogando muito bem e, infelizmente, aconteceu o erro no fim. O Filipe e o grupo me deram muito apoio, me pediram para não olhar redes sociais e seguir focado. Isso foi fundamental para manter minha confiança.”
Além das conquistas em campo, Evertton viveu a realização de um sonho pessoal ao estreitar sua relação com Gerson, um de seus grandes ídolos.
– “O Gerson é nosso paizão. Eu o via jogar em 2019 e ficava impressionado. Pensava: ‘Caraca, olha esse cara jogando!’. Hoje, estar ao lado dele, receber conselhos e ter uma amizade é algo muito gratificante. É a realização de um sonho.”
A parceria com Gerson e outros companheiros como David Luiz e Erick Pulgar tem sido essencial para o crescimento do jovem no clube. Consolidado entre os profissionais, Evertton agora aproveita o momento, ciente de que sua trajetória ainda reserva muitas conquistas com a camisa do Flamengo.
Outros tópicos:
Quais são ídolos? No Brasil e no futebol internacional?
– Eu gosto muito do estilo de jogo do Erick Pulgar. Para mim, joga demais. E o Casemiro também.
E entre estrangeiros que jogam fora?
– O Pogba também, gosto muito dele.
Ele está no livre no mercado… Já pensou?
Imagina ele vindo para o Mengão (risos)?
Primeiro gol como profissional, contra o Athletico-PR
– Não sabia, cara. Na verdade eu nem iria para a área, mas no finalzinho do jogo me deu uma coisa na cabeça de ir para a área. Eu fui e, graças a Deus, fiz o gol. Não sabia comemorar, mas foi muito motivo de alegria para mim e para a família. Sonho realizado fazer o primeiro gol como profissional, ainda mais pelo Flamengo. Então fiquei muito feliz.
Chegou a treinar com o Filipe Luís quando ele jogava?
– Eu treinei com ele no final do ano passado. Ele até brincava comigo que eu não ganhava contra eles nos treinos. Tinha uma relação muito boa. O cara é sem palavras. Tento absorver o máximo que posso dele, cara muito inteligente e que viveu muito tempo na Europa. Entende muito de futebol, e o máximo que eu puder escutar dele, da comissão e dos jogadores vai ser importante para eu evoluir dentro de campo.
Como é o treinador Filipe Luís?
– Acredito que seja um pouco diferente, sim. Já jogou, sabe o que a gente passa no dia a dia. Vai de relação em relação. Ele já viveu, sabe como é a cabeça do jogador, sabe como a gente pensa. Acho que ele consegue nos entender melhor no dia a dia.
Qual foi o seu melhor jogo pelo Flamengo?
– O melhor foi contra o Inter e esse último contra o Atlético, o do Brasileiro.
O da finalíssima da Copa do Brasil você não considera?
– Não, no meu ponto de vista não achei, perdi algumas bolas ali que eu achei que poderia ter feito melhor.
Marcação firme em Deyverson no 0 a 0 e comemoração da galera a cada chegada
– É um cara muito engraçado. Dei uma chegada nele e aí fui pedir desculpas para ele. Depois ele veio falar comigo e dizer que estava tranquilo. Trocamos camisa, mas é um cara sensacional, campeão. Fiquei muito feliz, é um grande jogador e agradeço pela consideração que teve por mim.
– É um cara que gosta de fazer uma graça, então a gente não pode deixar batido. Tem que dar uma chegadinha mesmo, a torcida gosta, mas acredito que é do jogo.
Voltando ao erro contra o Inter: te trouxe intranquilidade para a sequência?
– Fiquei tranquilo, logo após o jogo o Filipe falou comigo no vestiário, disse que fiz uma grande partida e que um erro não iria apagar o jogo que eu fiz. Todos os jogadores me apoiaram, falaram para eu ficar tranquilo e que não seria a última vez que eu iria errar. Isso acontece com todo jogador infelizmente, a gente não quer errar, mas acontece.
Imaginava ser campeão da Copa do Brasil aos 21 anos?
– Sonho, né, cara? Sonho realizado. Espero conquistar muitos títulos pelo Flamengo, tenho o sonho de ganhar a Libertadores, o Brasileiro e é daí para mais. Fico muito feliz pelas duas finais que eu fiz e por ter sido campeão pelo Flamengo.
“Infância doída” e com dificuldades
– Tive uma infância bem doída, bem complicada, mas, graças a Deus e aos meus pais, minha família me apoiou muito e não me deixou desistir de nada. Questão dentro de casa, de passar algumas dificuldades e de não ter muita oportunidade.
Filme na cabeça
– Olho para trás e passa filme na cabeça de tudo que passei, de tudo que minha mãe passou e das vezes que ela deixou de comer para permitir que eu e minha irmã comêssemos. É muito gratificante poder ajudá-los e realizar o meu sonho e o deles. Fico sem palavras e agradeço a Deus todos os dias por isso. Espero dar o mundo para eles porque eles são tudo para mim.
Época em que era barbeiro, no fim da base no Volta Redonda
– Foi uma fase complicada na minha vida. Tinha recebido muitos nãos em alguns clubes e também não queria desistir do futebol. Mas é uma fase que a gente quer o nosso dinheiro, quer sair e quer ajudar em casa. Foi uma forma que achei de ganhar um dinheiro a mais. Consegui conciliar os dois. Eu treinava de manhã, e o meu tio pagou um curso de barbeiro para mim. Saía do treino e já ia para a casa dos moleques do lado do CT e cortava o cabelo deles. Cobrava R$ 10, R$ 15, para poder ajudar em casa e para ter o meu dinheirinho no dia a dia.
– Acho que fiz isso por uns cinco meses porque aí teve a Copinha. Na Copinha mesmo cheguei a cortar cabelo dos moleques na Copinha, levei a máquina para a Copinha. Vim para cá depois da Copinha, fiz o teste e, graças a Deus, passei. Até hoje estou aqui.
Um jovem atleta tem que ser minucioso igual a um barbeiro evitando falhas, certo?
– Com certeza a gente tem que estar sempre de olho, não pode deixar buraco, não pode deixar falha (risos). A gente sabe como é jogar no Flamengo, sabe a pressão que é, mas sempre tenta dar o melhor em campo para levar o Flamengo ao alto nível.
– O nome do meu tio é Marco Antônio, até agradecer a ele por ele ter pago o curso para mim. Acho que durou um mês, porque eu fazia duas vezes na semana.
O que achou dos elogios do Filipe Luís, que disse que você tem o maior dom de um ser humano, que é a boa vontade para aprender?
– Fiquei muito feliz quando vi essa entrevista coletiva dele. Ele falou a verdade: a gente tem que ter a humildade de saber escutar os mais velhos e quem já viveu isso. A gente aprende e evolui a cada dia. Por isso procuro sempre escutá-lo e tirar o máximo dele para poder crescer também.













