O técnico Filipe Luís demonstrou insatisfação com o desempenho do Flamengo na derrota por 1 a 0 para o Fortaleza, neste sábado (25), pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro, na Arena Castelão. Em entrevista coletiva após a partida, o comandante rubro-negro destacou os erros técnicos e a insegurança da equipe, principalmente na etapa inicial.
“Temos que esquecer rápido a derrota e corrigir os erros. Realmente fizemos um primeiro tempo muito abaixo tecnicamente, cometemos erros que não costumamos cometer. Demos inúmeras chances para o adversário poder ganhar terreno no campo. Isso nos deixou cada vez mais inseguros com a bola. Esquecer o mais rápido possível o que aconteceu hoje, corrigir os erros e pensar na quarta-feira. Quarta-feira temos o jogo mais importante da temporada. Não tenho dúvida que a ambição de todos é estar nessa final em Lima. Nossa cabeça vai estar focada. Quatro dias de descanso nos dá a oportunidade de recuperar todo mundo fisicamente.”
Decisão de escalar Bruno Henrique como centroavante
Sem Pedro, que sofreu fratura no antebraço, Filipe Luís voltou a utilizar Bruno Henrique como centroavante, apesar do jogador já ter pedido para atuar em outra posição. O técnico explicou a decisão e a conversa que teve com o camisa 27.
“O Bruno me falou há umas semanas que se sentia mais confortável jogando em outra posição, mas que estaria à disposição para ajudar sempre que eu precisasse. Tendo o Pedro disponível, optei por colocar o Bruno na posição em que ele se sentia mais confortável. Mas sempre está à frente do interesse pessoal o interesse da equipe. Hoje, entendi que a equipe precisa do Bruno Henrique de 9 e ele se colocou à disposição. Precisamos do sacrifício dos jogadores para ajudar a equipe. Infelizmente, não conseguimos a vitória, e a culpa sempre cai em cima dos mesmos jogadores. Sempre os que estão fora são os que deveriam ter jogado, mas sigo minha convicção.”
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Sobre a melhora no segundo tempo
O treinador avaliou a reação do time na etapa final e ressaltou que todos os jogadores estão buscando espaço no elenco com boas atuações e treinos consistentes.
“Os jogadores estão sempre tentando mostrar para o treinador, no campo, nos treinamentos, que estão em bom nível para ajudar a equipe. Eu tenho muita informação, vejo todos os treinos, vejo tudo que eu acredito que os jogadores me passam de mensagem no campo para tomar as melhores decisões. Sempre que um jogador entra bem e a equipe melhora, ele se credencia para ter mais.”
Filipe comenta peso da derrota e sequência desgastante
O técnico destacou o impacto físico e mental da sequência de jogos e reforçou a necessidade de absorver o revés rapidamente.
“Cada jogo tem uma história, o adversário te coloca dificuldades, cada adversário tem peças com características diferentes que vão te colocar sempre em dificuldades. O Fortaleza foi assim, não contávamos com essa derrota. Viemos de uma sequência muito pesada, com jogo a cada três dias. Jogos duros a nível físico e mental. Temos que absorver o mais rápido possível, gosto de tirar a limpo o que a gente fez mesmo na vitória, e nas derrotas também não foram só coisas ruins, tem coisas boas. Vou conversar com os jogadores sobre o que aconteceu no campo e, depois, vamos nos preparar para quarta-feira.”
Plano para o Racing e possível uso do “falso 9”
Com o duelo decisivo contra o Racing pela Libertadores se aproximando, Filipe evitou confirmar a formação que pretende usar, mas indicou que ainda vai estudar o adversário.
“Ainda temos que preparar o jogo, temos que estudar bem o que aconteceu no último jogo e o que pode acontecer no próximo. O Racing é um time que joga praticamente da mesma forma sempre. Isso nos dá certas pistas, mas eu só defino o time mais perto quando eu tiver o plano de jogo montado.”
“Nunca tiramos o pé”
Questionado se os jogadores teriam diminuído a intensidade por medo de lesão antes da semifinal, o treinador negou e afirmou confiar na entrega do elenco.
“Pelo menos quando eu jogava, nunca, jamais. Entrava no campo e dava minha vida, independentemente do adversário pela frente. E eu acredito que eles também. Como falei, hoje o nível técnico, domínios, passes e até mesmo atacar o espaço, coisas que a gente fez pior do que a gente vinha fazendo nos últimos jogos. Isso deixou o Fortaleza mais confortável dentro do campo. Cometemos cada vez mais erros e demoramos a entrar no jogo. Quando entramos, já estava 1 a 0 para o Fortaleza. Não entendemos rapidamente onde estavam deixando os espaços. Somente no segundo tempo, conseguimos criar chances mais claras de gol. Mas não acredito que tenha sido por ‘não colocar o pé’, e sim pelo contexto do jogo que aconteceu hoje.”
Sem surpresas e com convicções mantidas
Filipe afirmou que o Fortaleza não surpreendeu e elogiou a organização tática do adversário.
“Não, nenhuma surpresa. Um treinador com as ideias muito claras, estava muito evidente o que iria acontecer no jogo. Sabíamos que íamos ter dificuldade para entrar no bloco do Fortaleza e que eles iriam apostar nessa transição, já foi assim contra o Cruzeiro. Com Breno Lopes e Bareiro, sabíamos bem dessa dupla e dos contra-ataques que eles iam nos proporcionar. Sobre a parte física, vínhamos de três jogos em seis dias, isso afeta um pouco. Mas, para quarta-feira, temos quatro dias. Isso nos permite recuperar os jogadores.”
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Decisão sobre titulares e confiança nas escolhas
Por fim, o técnico explicou o motivo de ter escalado força máxima mesmo com a semifinal da Libertadores à vista.
“Primeiro, porque o time que entrou em campo hoje é o time que eu acreditava que era o melhor para ganhar do Fortaleza. Tenho que pensar simplesmente em ganhar do Fortaleza, era o que eu tinha em mente. Eram jogadores bem recuperados, frescos, em bom momento para poder vencer, tendo em conta tudo que aconteceu nos últimos três jogos. Infelizmente não vencemos, sempre vai entrar na questão poupar ou não poupar, se poupar está errado, se não poupar está errado. Como falo sempre, eu sigo minhas convicções, e vocês estão aí para criticar ou para elogiar.”













