
O Flamengo garantiu vaga em mais uma final de Libertadores ao empatar com o Racing por 0 a 0, em Avellaneda, nesta quarta-feira (29). O resultado confirmou a classificação rubro-negra graças à vitória por 1 a 0 no jogo de ida. A decisão de 2025 marcará a quarta final de Filipe Luís pelo clube — as duas primeiras como jogador e agora, pela primeira vez, como técnico.
Bicampeão continental dentro de campo, o treinador celebrou o feito histórico e destacou o orgulho pela caminhada coletiva da equipe.
“Estamos extremamente felizes por alcançar mais uma final de Libertadores. Flamengo tem cinco finais da sua história – contando com a desse ano – e tem jogadores desse elenco que vão jogar a quarta e eu também. Três como jogador e uma como treinador, e estou muito orgulhoso. Pessoas que fazem tudo pelo Flamengo. Quando cheguei aqui, em 2019, Flamengo tinha uma final, eu sozinho não fiz nada, mas fiz parte desse processo que começou em 2012/2013. Hoje foi uma vitória de um time com alma, competitivo, aguerrido e que sabe jogar ante todas as circunstâncias, contra qualquer adversário. Um time que sabe jogar Libertadores, que sabe o que quer. Os jogadores que são multicampeões são os mais ambiciosos e meu grupo está cheio.”
Filipe explica mudanças e elogia atuação do time
Durante a coletiva, Filipe analisou o desempenho da equipe e falou sobre as adaptações táticas ao longo do confronto. O treinador destacou que o Flamengo se sentiu mais à vontade com a posse de bola no primeiro tempo, quando criou boas chances com Arrascaeta, Carrascal e Luiz Araújo, mas também reconheceu a força defensiva do Racing.
“Nos sentimos mais confortáveis com a bola no primeiro tempo. Os espaços estavam muito claros, é um time que pressiona muito bem, salta e agride muito o portador da bola, o que gera dificuldade para jogadores que jogam entre-linhas. O Racing é um time com ideias muito claras, podem gostar mais ou menos, mas quando você vê os jogadores acreditando na ideia do treinador, é muito difícil de se jogar contra.”
Expulsão de Plata muda o jogo e exige ajustes
A expulsão de Gonzalo Plata aos 10 minutos da segunda etapa alterou completamente o cenário da partida. Filipe Luís admitiu que a ausência do equatoriano, que está suspenso para a final, pesou na estratégia.
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“No segundo tempo perdemos o Plata, que fará muita falta na final. Um jogador fundamental pra a gente. E depois disso, entender que tínhamos a vantagem, pensamos em povoar bem a última linha porque eles colocam seis ou sete jogadores ali, então achei que a linha de cinco facilitaria a marcação. As trocas foram pensando nisso. Mas mérito dos jogadores que deram tudo dentro de campo.”
Estilo de jogo e mentalidade
Filipe ressaltou que prefere uma equipe propositiva, mas reconheceu a necessidade de se adaptar às circunstâncias do jogo.
“Sempre quero jogar propondo, quero pressionar muito o adversário, ter o domínio do jogo, mas o adversário muitas vezes também quer ter volume, pressionar e ter a bola. O jogo é cheio de circunstâncias. No primeiro tempo conseguimos encontrar os espaços e as chances de gol. No segundo tempo, com a desvantagem de um jogador, optamos por nos fechar, porque uma eliminatória são 180 minutos e tínhamos que aproveitar a pequena vantagem que tínhamos do primeiro jogo.”
Rossi é exaltado por Filipe Luís
O técnico não poupou elogios ao goleiro Agustín Rossi, destaque da equipe nas partidas decisivas.
“É um jogador muito ambicioso, gosta de trabalhar, de treinar, melhorar, evoluir e aprender. Está num grande momento e esperamos que siga assim.”
Mensagem para a torcida e apoio contra o Sport
Filipe aproveitou o momento para agradecer o apoio da torcida rubro-negra e pediu incentivo no próximo compromisso, contra o Sport.
“Escutei muito alto, fiquei orgulhoso. Nesse estádio que é tão imponente, pude ouvir muito bem a torcida. E aproveito para pedir apoio para o jogo contra o Sport. Precisamos que a torcida ajude a recuperar a confiança de alguns jogadores que vão jogar no sábado. Então peço que apoiem bastante, independente o que aconteça no jogo.”
Sobre o favoritismo e críticas
O treinador comentou sobre o rótulo de favorito e reforçou a confiança no elenco.
“Acredito que todo mundo que trabalha na área de vocês tem o direito de opinar e tem a liberdade para isso. Escutamos muitas coisas durante a semana, mas acredito muito nos meus jogadores, porque eu estava no meio deles e sei o quanto querem ser campeões. Já falei também que não ganharemos sempre ou jogaremos bem sempre, mas são jogadores que são ambiciosos, eu noto no dia a dia como se cobram.”
Filipe rebate críticas e explica o estilo do Flamengo
“Quando passa a impressão para vocês de que o time não quer, é porque taticamente ou algo em campo não está deixando os jogadores confortáveis. Sempre falo que no futebol é mais fácil destruir do que construir, e o Flamengo constrói. Tem adversário que joga muito fechado, no contra-ataque, e quando o Flamengo força o jogo ou tenta encontrar os jogadores determinantes acaba perdendo bolas e o adversário contra-ataca.”
Mergulhe na História Rubro-Negra:
Respeito ao rival e maturidade do elenco
Filipe ainda comentou sobre as falas do técnico do Racing antes do jogo, ressaltando que evita se envolver em polêmicas e confia na experiência do elenco.
“Penso que se você fala demais, você bota gasolina no fogo e isso pode incendiar. Mas conhecendo meus jogadores e a ambição que eles têm. Muitos deles já jogaram final de Champions, de Libertadores, muitos já foram campeões da Libertadores. Independente se falam bem ou mal, é um time que quer.”
Momento histórico do Flamengo
Por fim, o treinador celebrou a fase vivida pelo clube e se mostrou grato por fazer parte desse ciclo vitorioso.
“Sim. Vivo um desafio diário no clube, muita pressão, mas desfruto do privilégio que é estar aqui. Antes de jogar aqui, já era torcedor e o Flamengo só tinha uma final e agora é a quinta. Por sorte ou mérito, faço parte do melhor momento da história do clube e tenho que aproveitar. Para mim, estar na final é um privilégio e um orgulho.”
O técnico ainda destacou o poder do futebol brasileiro na Libertadores:
“Nos últimos anos, desde 2019, sempre tem um brasileiro e isso é pelo poder financeiro. Melhores jogadores geram maiores chances de disputar títulos. No Brasil há times com poder econômico muito grande, como na Europa – é o nosso caso. Teremos jogadores que têm ofertas da Europa e o Flamengo consegue cobrir elas.”












