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Flamengo ajusta finanças e pode recorrer a crédito para viabilizar reforços de impacto

Clube trabalha para equilibrar orçamento após frustrações em receitas e gastos acima do previsto com contratações.

Finanças, balanço financeiro do Flamengo

Enquanto a torcida do Flamengo alimenta a expectativa pela chegada de nomes como Thiago Almada e Luiz Henrique, a diretoria concentra esforços para adequar os planos de investimento à realidade financeira do clube. Depois dos excelentes resultados obtidos em 2025, o cenário de 2026 apresentou receitas menores do que as projetadas, tornando necessária uma reorganização das contas antes da realização de novas contratações de grande porte.



Além da ausência dos valores arrecadados com a Copa do Mundo de Clubes da FIFA e das premiações conquistadas na temporada passada, outros fatores impactaram diretamente o caixa rubro-negro. Diante desse cenário, o Flamengo precisará recorrer ao mercado de crédito caso queira concretizar a chegada de reforços de peso.

Balanço do segundo trimestre ainda será fechado

Os números referentes ao segundo trimestre de 2026 ainda estão sendo concluídos e devem ser encaminhados para aprovação até a próxima semana. Caso o orçamento não seja revisado, existe a possibilidade de o clube encerrar o ano com resultado negativo.



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Isso, porém, não significa que o Flamengo esteja fora do planejamento financeiro ou que precise assumir um nível elevado de endividamento. O clube mantém uma estrutura econômica considerada sólida, com margem entre receitas recorrentes e despesas, sem depender tanto da venda de jogadores quanto outros concorrentes, como o Palmeiras. Mesmo assim, a diretoria entende que é preciso cautela antes de realizar investimentos elevados em atletas como Almada e Luiz Henrique.

Acordo por naming rights não saiu do papel

Parte dos impactos financeiros está relacionada ao Maracanã. O Flamengo tinha uma negociação bastante avançada com o NuBank para a venda dos naming rights do estádio, permitindo que a instituição financeira associasse sua marca ao nome da arena.



Entretanto, na reta final das conversas, o banco optou por direcionar o investimento ao mercado paulista e fechou acordo com a WTorre para nomear o estádio do Palmeiras, além de firmar parceria para dar nome à arena do Inter Miami. O contrato com o Flamengo renderia aproximadamente R$ 55 milhões por ano.

Além disso, a arrecadação obtida com o Maracanã ficou abaixo do que havia sido previsto. A paralisação do calendário durante a Copa do Mundo disputada nos Estados Unidos, Canadá e México reduziu o número de partidas e comprometeu as receitas do estádio. Situação semelhante deverá ocorrer em 2027, quando haverá interrupção por causa da Copa do Mundo Feminina, que será realizada no Brasil.

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Diferença entre vendas e contratações pesa nas contas

Outro ponto importante envolve o planejamento das negociações de jogadores. O Flamengo havia projetado arrecadar 35 milhões de euros (R$ 205 milhões) com vendas de atletas e investir 25 milhões de euros (R$ 146 milhões) em reforços.

No entanto, considerando os impostos, o clube desembolsou 50 milhões de euros (R$ 293 milhões) para contratar Lucas Paquetá no início da temporada. Em contrapartida, até o fechamento do primeiro trimestre, arrecadou apenas cerca de 8 milhões de euros (R$ 47 milhões) com as transferências de Juninho, Victor Hugo e Iago.

Na prática, o Flamengo gastou aproximadamente R$ 293 milhões na chegada de Paquetá e recebeu apenas R$ 47 milhões com vendas de jogadores. Somando a isso os cerca de R$ 55 milhões anuais que deixaram de entrar com o acordo frustrado dos naming rights, o clube passou a lidar com um déficit de aproximadamente R$ 300 milhões, sem considerar oscilações nas receitas do estádio e na folha salarial.

Outro fator que influencia esse cenário é a decisão da diretoria de não negociar atletas considerados fundamentais para o elenco, reduzindo as possibilidades de aumentar a arrecadação por meio de transferências.

Pagamentos foram reorganizados

Para preservar um fluxo de caixa saudável, o Flamengo também precisou reorganizar o calendário de pagamento das comissões de agentes envolvidos em negociações de jogadores.

Mesmo diante desses desafios, os responsáveis pelo setor financeiro entendem que a situação permanece sob controle. A avaliação interna é de que o clube possui capacidade para assumir novos financiamentos sem comprometer suas operações ou ultrapassar os limites estabelecidos no planejamento orçamentário, desde que mantenha uma postura cautelosa.

Patrocínios ajudam a aliviar o caixa

Entre os aspectos positivos está o aumento das receitas provenientes dos patrocínios estampados no uniforme da equipe profissional, fator que contribui para amenizar os impactos financeiros.

Ao comentar o remanejamento das comissões dos empresários, durante o evento oficial de homenagens a Arrascaeta e Bruno Henrique antes da partida contra o São Paulo, no último domingo, o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, também explicou a queda nas receitas geradas pelo Maracanã.

— Cai sócio-torcedor, cai renda de jogo. Você tem um faturamento de X e cai 25% durante a Copa do Mundo. Eu acho que é na alegria e na tristeza. Se tenho um hit (impacto) desses, que é temporário, eu acho que é razoável que todo mundo que está comigo no barco tenha esses 25% e 30% de problema durante um tempo. Não é para o ano que vem e não foram todos; você tem acordos diferentes com cada um desses caras.

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