O Flamengo continua classificando o contrato firmado com o Banco de Brasília (BRB) como um risco financeiro em seu balancete referente ao segundo trimestre de 2026. O documento registra R$ 42,46 milhões relacionados ao acordo como uma “perda possível”, valor que corresponde ao montante total do novo contrato firmado entre o banco e o Rubro-Negro.
Essa classificação contábil é utilizada em situações nas quais existe uma possibilidade concreta de perda financeira na Justiça, mas sem um grau de probabilidade elevado o suficiente para exigir que o clube faça uma reserva imediata de recursos. Diferentemente da categoria “perda provável”, a perda possível não obriga a constituição de provisão financeira.
Contrato representa um dos maiores riscos apontados no balanço
O montante relacionado ao contrato com o BRB representa mais de um terço das contingências cíveis classificadas como perdas possíveis pelo Flamengo, que totalizam R$ 113,7 milhões no balanço consolidado.
Dentro dessa relação, o caso aparece como o segundo maior item individual, ficando atrás apenas da ação envolvendo a desapropriação do Gasômetro, avaliada em R$ 39,6 milhões.
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Por que o Flamengo ainda considera o contrato um risco?
Embora a suspensão dos pagamentos do BRB tenha sido derrubada pela Justiça mais de um mês antes do encerramento do balanço, a situação jurídica ainda não foi totalmente encerrada.
Na ocasião, a magistrada responsável apenas indeferiu a petição inicial da ação. Entretanto, ainda existe a possibilidade de apresentação de recurso para tentar retomar o processo que questiona os repasses financeiros ao Flamengo.
Além disso, o contrato continua sendo acompanhado em outras duas frentes. Uma delas é o questionamento aberto no Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). A outra envolve a própria situação institucional do BRB, que segue sendo alvo de investigações relacionadas ao escândalo do Banco Master.
Esses fatores ajudam a explicar por que o Flamengo optou por manter o valor registrado como um risco financeiro em seu balanço.
Como começou a disputa judicial?
O caso teve início em maio de 2026, quando foi ajuizada uma ação popular na Justiça do Distrito Federal questionando o contrato de R$ 42,6 milhões firmado entre o BRB e o Flamengo.
A autora da ação alegava que o banco, que enfrentava um momento de crise de confiança em razão do escândalo envolvendo o Banco Master, não deveria ampliar despesas com patrocínio esportivo. Segundo o argumento apresentado, os repasses ao clube representariam risco ao patrimônio público.
Mergulhe na História Rubro-Negra:
Liminar suspendeu pagamentos, mas decisão foi revertida dias depois
Em 22 de maio, a juíza da 6ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal concedeu uma liminar determinando a suspensão de qualquer pagamento do BRB ao Flamengo relacionado ao contrato.
Na própria decisão, porém, a magistrada reconheceu que aquela vara não possuía competência para julgar o mérito da ação, considerando que o BRB possui personalidade jurídica própria e atua em regime de concorrência no mercado bancário.
A situação foi revertida poucos dias depois.
Em 28 de maio, a juíza da 7ª Vara Cível de Brasília indeferiu a petição inicial e revogou a liminar, entendendo que não existiam indícios concretos de ilegalidade na celebração do contrato entre o banco e o Flamengo.
Com essa decisão, os repasses financeiros do BRB ao Rubro-Negro voltaram a ser realizados normalmente.













