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Flamengo e Corinthians rejeitam proposta e paralisam criação da nova liga do futebol brasileiro

Memorando de entendimento elaborado por 38 clubes não teve adesão dos dois gigantes, que apontam prejuízo comercial e discordâncias estruturais

Arrascaeta em campo pelo Flamengo contra o Corinthians
Arrascaeta em campo pelo Flamengo contra o Corinthians

O tão aguardado avanço na formação da Liga Brasileira de Futebol sofreu um revés importante nesta semana. Flamengo e Corinthians, os dois clubes com maiores torcidas e receitas do país, decidiram não assinar o Memorando de Entendimento (MOU) proposto pelos demais 38 times envolvidos no projeto. A recusa da dupla travou a consolidação do acordo, adiando mais uma vez a criação oficial da entidade que pretende gerir o futebol nacional de forma independente.



O documento previa dois pontos centrais: a implementação de uma governança definitiva para a Liga num prazo de até seis meses, e a obrigatoriedade da cessão de ativos comerciais dos clubes entre 2030 e 2039. Nessa cessão, a Liga passaria a controlar direitos de transmissão, placas de publicidade e até mesmo o uso das redes sociais dos clubes nos dias de jogos. Esses termos foram justamente os que causaram maior resistência por parte de Flamengo e Corinthians, que enxergam um prejuízo significativo nesse modelo.

Flamengo teme perder até R$ 100 milhões com novo formato

Entre os pontos mais sensíveis está o modelo sugerido para distribuição de receitas. A proposta atual prevê divisão em três frentes: percentual igualitário, retorno de audiência e desempenho esportivo. O Flamengo, entretanto, avalia que sairia em desvantagem com essa fórmula, principalmente por já liderar as receitas de mídia no país. De acordo com estimativas do clube, uma eventual adesão ao novo contrato da Libra/Globo significaria uma perda de R$ 100 milhões nos próximos ciclos comerciais.



Modelo comercial é impasse; clubes querem discutir primeiro o futebol

Flamengo e Corinthians defendem que a criação da Liga deve começar pela estrutura do campeonato em si, abordando inicialmente aspectos técnicos como calendário, arbitragem e qualidade dos gramados. Apenas depois dessas definições, a dupla entende que seria o momento ideal para discutir os temas comerciais, como a venda coletiva dos direitos e a divisão dos lucros.

O posicionamento dos dois clubes foi noticiado pelo portal ‘UOL’, e mostra uma clara divisão entre os maiores e os demais participantes. Hoje, Flamengo e Corinthians são os principais beneficiários das receitas de TV e acordos de patrocínio, o que torna a negociação ainda mais delicada.



Entenda como funcionaria a nova Liga

Se a Liga for de fato criada, o Campeonato Brasileiro de 2026 ainda será gerido pela CBF. A transição completa está projetada para 2027, ano em que os 40 clubes das Séries A e B assumiriam o controle do campeonato por meio da nova entidade. Um dos pilares da Liga seria a profissionalização da arbitragem, com investimentos em tecnologia e capacitação, além de maior independência na gestão dos juízes — tema de muitas polêmicas nos últimos anos.

A Liga também planeja rever o calendário nacional, com possibilidade de redução dos estaduais para dar mais espaço às competições principais. Tudo isso, claro, dependerá de consenso entre os clubes — algo que, por ora, parece distante com a postura firme de Flamengo e Corinthians em preservar sua autonomia financeira.



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