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Flamengo é processado em R$ 100 milhões por racismo estrutural

Educafro acusa clube de discriminação histórica e Rubro-Negro rebate ação como oportunista

Ninho do Urubu
Ninho do Urubu

O Flamengo virou alvo de uma ação judicial movida pela Educafro, associação civil que atua em defesa da igualdade social. A entidade acusa o clube de ter praticado racismo estrutural em diferentes momentos de sua história administrativa. A informação foi publicada pelo jornal O Globo, que aponta que o processo já tramita na Justiça desde a semana passada.



A Educafro pede uma indenização de R$ 100 milhões por danos morais, apresentando um documento de 38 páginas com alegações de casos considerados discriminatórios. Entre os pontos citados, estão episódios envolvendo ídolos como Andrade e o falecido Adílio, que, segundo a associação, teriam sido “subvalorizados” pelo clube.

Outro argumento é a elitização do Maracanã, com ingressos caros, entendida pela associação como reflexo de racismo estrutural.

Declaração de Frei David

O diretor da Educafro, Frei David, reforçou que a ação busca questionar o futebol como um todo e não apenas o Flamengo:

“O nosso foco não é o Flamengo: são todos os times de futebol de todas as divisões e os órgãos administrativos do futebol brasileiro e do mundo. Temos certeza de que irão entender que, colocar frases antirracistas em camisas de jogadores, entrar no campo com faixas contra o racismo, não muda nada. Só faz cosquinha no racismo institucionalizado”, declarou.



Episódios citados na denúncia

Entre os exemplos listados pela associação está uma declaração atribuída ao diretor da base do clube em julho. Segundo a denúncia, ele teria afirmado: “A África tem valências físicas”, complementando com “a parte mental estaria em outras zonas da Europa, do globo”.

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Outro ponto que gerou críticas foi o apoio de Luiz Eduardo Baptista (Bap) ao discurso do presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, sobre racismo. Para a Educafro, essa postura foi mais um indicativo de descaso com a pauta.

A associação ainda propõe que o clube crie uma comissão de igualdade racial, estabeleça cotas raciais para cargos de liderança e democratize o acesso aos jogos, sugerindo ingressos sociais de R$ 10.



Resposta do Flamengo

Internamente, a diretoria classificou a ação como lamentável e oportunista. O clube informou que ainda não foi oficialmente citado, mas se manifestará judicialmente quando ocorrer.

O Rubro-Negro destacou que já alterou recentemente seu Estatuto, criando a chamada “emenda antirracista”, que tipifica práticas discriminatórias como infração grave.



A emenda antirracista

A proposta partiu justamente de Bap, que foi criticado pela Educafro no processo. A alteração estatutária, aprovada pelo Conselho Deliberativo no dia 19, inclui medidas educativas, preventivas e disciplinares contra o racismo estrutural e qualquer forma de discriminação racial ou de gênero.

Um trecho da emenda afirma: “medidas educativas, preventivas e combativas contra o racismo estrutural e contra qualquer espécie de discriminação racial ou de gênero, incluindo programas, campanhas, treinamentos e parcerias em apoio a iniciativas que fortaleçam a inclusão e o respeito à diversidade racial e de gênero”.

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