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Flamengo mira expansão global e coloca gigantes do entretenimento no radar

Flamengo aposta em modelo de entretenimento para ampliar receitas e fortalecer marca mundial

Marcos Senna, diretor comercial e de marketing do Flamengo. Reprodução: Lucas Bayer / Lance!
Marcos Senna, diretor comercial e de marketing do Flamengo. Reprodução: Lucas Bayer / Lance!

O Flamengo passou a adotar uma visão de mercado que vai muito além das quatro linhas. Durante participação no Web Summit Rio, o diretor comercial e de marketing do clube, Marcos Senna, explicou como o Rubro-Negro vem estruturando novas fontes de receita, reformulando o relacionamento com os torcedores e planejando a expansão internacional da marca.



Segundo o dirigente, o clube deixou de se enxergar exclusivamente como uma equipe de futebol e passou a atuar como uma instituição capaz de criar conexões emocionais em larga escala. Para Senna, essa capacidade é o que sustenta o crescimento comercial do Flamengo e direciona os próximos passos da organização.

Flamengo vê emoção como principal ativo

Ao abordar a estratégia adotada pelo clube, Marcos Senna afirmou que o maior patrimônio do Flamengo não está em estruturas físicas, tecnologia ou até mesmo no tamanho da torcida, mas sim na capacidade de despertar emoções.

“Na nossa visão, o ativo mais valioso de um clube de futebol numa economia digital é a capacidade de gerar emoção em escala, é a capacidade de escalar o vínculo emocional.”



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O diretor explicou que esse pensamento altera completamente a forma como o clube enxerga seus produtos. Como exemplo, destacou o programa de sócio-torcedor e questionou se o Flamengo vende apenas ingressos ou algo muito mais profundo relacionado aos sentimentos dos torcedores.

“Então, a gente está vendendo ingresso ou a gente está vendendo todos esses sentimentos, todas essas emoções? O nosso sócio-torcedor, a gente está monetizando o otimismo desse torcedor.”

Gigantes digitais entram na lista de concorrentes

Com essa mudança de mentalidade, o Flamengo também passou a redefinir quem considera seus concorrentes. Na avaliação de Marcos Senna, a disputa atual acontece pela atenção do consumidor, e não apenas dentro do universo esportivo.



“Quem é que está competindo conosco em buscar a atenção do consumidor, ser relevante com ele, criar um vínculo emocional? São esses gigantes da economia digital. Então, quando a gente olha para o nosso negócio, quem são os concorrentes do Flamengo hoje? É o Corinthians, é o Vasco, é o Fluminense ou é a Netflix, a Disney, o TikTok, o Instagram?”

Apesar disso, o dirigente destacou que essas empresas também atuam como parceiras em diversas iniciativas. Entre os exemplos citados estão a FlamengoTV no YouTube, que soma pouco mais de 8 milhões de inscritos, além de ações de divulgação e projetos realizados em conjunto com plataformas como Netflix e Disney.

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“Estamos competindo, mas estamos cooperando. Ainda bem que eles estão cooperando. Se a gente estivesse só competindo, a gente estava ferrado.”

Marketing do Flamengo passou por transformação

No evento, Marcos Senna também relembrou a evolução do departamento de marketing do clube desde sua chegada ao Flamengo, em 2021. De acordo com o executivo, os clubes brasileiros tradicionalmente concentravam esforços em três áreas principais: venda de ingressos, negociação de patrocínios e contratos de transmissão.

“Você entrava ali no marketing, tinha lá cinco, seis, oito colaboradores, que tinham basicamente três funções: vender ingressos para o jogo seguinte, vender os patrocínios na camisa e, a cada 10 anos, mais ou menos, assinavam um contrato com a Globo. Hoje o Flamengo não tem 10 funcionários nessas áreas de negócio, tem 110. (…) A gente consegue ir ao mercado e ser percebido como uma organização capaz de pegar uma audiência gigantesca e transformá-la em negócio.”

O dirigente acrescentou que o crescimento das receitas comerciais não ocorreu pelo aumento de patrocinadores ou da audiência da televisão, mas sim pela capacidade do Flamengo de entregar mais valor aos parceiros comerciais.

Projeto mira alcance global da marca

Na parte final da palestra realizada no Riocentro, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, Marcos Senna apresentou os planos de internacionalização do Flamengo. Segundo ele, a expansão da marca passará por tecnologia, inteligência artificial e adaptações culturais inspiradas em referências globais do esporte.

“A gente tem um presidente que falou que quer que o Flamengo seja o Real Madrid das Américas (…) A emoção não tem passaporte. Nós somos hoje milhões de torcedores, queremos ser no futuro bilhões de simpatizantes.”

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