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Flamengo mira mudança cultural ao contratar diretor português

José Boto assume o desafio de implantar um modelo de gestão mais racional no clube, rompendo com a cultura tradicional do futebol brasileiro.

José Boto, diretor técnico do NK Osijek
José Boto, diretor técnico do NK Osijek

Luiz Eduardo Baptista, recém-eleito presidente do Flamengo, trouxe uma novidade à estrutura do clube ao nomear o português José Boto como novo diretor técnico, conferindo a ele ampla autonomia para gerir o departamento de futebol. A função inclui decisões sobre contratações, montagem de comissão técnica e reformulação do departamento.

Embora o modelo de diretores com maior independência não seja totalmente inédito no Brasil, casos como o de Rodrigo Caetano no próprio Flamengo servem como exemplo. No entanto, a escolha de Boto rompe com os padrões tradicionais, sendo ele um profissional com trajetória construída fora do eixo central do futebol europeu, atuando em países como Portugal, Ucrânia e Croácia.

Desde a campanha, Bap enfatizava a necessidade de uma gestão mais racional, livre de emoções que frequentemente influenciam decisões de dirigentes e torcedores. Ele mesmo reconheceu que, após derrotas, sua reação inicial é culpar a dedicação dos jogadores ou a arbitragem, mas que análises mais frias surgem somente após assistir novamente às partidas.

A missão de Boto será implementar as diretrizes do Conselho Diretor com base em práticas eficientes e imparciais. No entanto, ele terá que enfrentar desafios relacionados à cultura profundamente enraizada no futebol brasileiro, que afeta até dirigentes com formação empresarial.

Durante momentos de vitória, o modelo será elogiado, mas crises inevitavelmente trarão questionamentos, inclusive sobre decisões menos populares, como as contratações menos midiáticas realizadas nesta janela de transferência.

Um dos pontos mais discutidos pela imprensa foi a responsabilidade de Boto na avaliação sobre a permanência ou não de Filipe Luís, algo que gerou estranhamento considerando o sucesso inicial do técnico na equipe.

Vale ressaltar que a profissionalização, por si só, não garante êxito, especialmente em um ambiente como o futebol, onde o acaso desempenha papel significativo. Tanto técnicos quanto diretores podem não corresponder às expectativas ou verem suas decisões ofuscadas por resultados negativos.

Ainda assim, a mudança no Flamengo, clube que enfrenta talvez a maior pressão no futebol brasileiro, será observada com atenção.

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