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Flamengo se manifesta contra MP das apostas e leva mensagem de protesto à Vila Belmiro

Jogadores rubro-negros utilizaram camisas com mensagem contrária à medida que proíbe apostas no país e ameaça contratos de patrocínio de clubes brasileiros

Camisa do Flamengo com a mensagem
Camisa do Flamengo com a mensagem "Proibir não é proteger"

O Flamengo aproveitou o confronto contra o Santos, realizado na noite desta quinta-feira (08), na Vila Belmiro, para participar de uma manifestação contrária à Medida Provisória que proibiu as apostas de quota fixa no Brasil. Antes da partida, os jogadores rubro-negros entraram em campo utilizando camisas com a mensagem “Proibir não é proteger”.



A iniciativa faz parte de uma mobilização promovida por organizações e empresas ligadas ao mercado de apostas, que demonstram insatisfação com as novas restrições estabelecidas pelo governo federal.

A campanha também ganhou visibilidade em outros confrontos do Campeonato Brasileiro. Durante o clássico entre São Paulo e Santos, realizado no Morumbis, a mensagem foi exibida em placas publicitárias do estádio. O protesto voltou a aparecer em outras partidas da 29ª rodada do Brasileirão, ampliando a repercussão da manifestação.

Entenda a mensagem exibida pelos jogadores do Flamengo

A frase “Proibir não é proteger” integra um manifesto desenvolvido pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), com a participação de empresas que possuíam autorização para atuar no mercado brasileiro de apostas.

As organizações contestam a decisão de proibir as casas de apostas e argumentam que impedir o funcionamento das plataformas regulamentadas não significa acabar com a prática entre os brasileiros.



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Segundo o posicionamento defendido pelo setor, a proibição pode provocar uma migração de usuários para plataformas clandestinas, que operam fora dos mecanismos oficiais de controle, fiscalização e proteção aos consumidores.

Outro ponto destacado pelas entidades envolve a possibilidade de expansão do mercado ilegal. Na avaliação apresentada no manifesto, sites não autorizados podem aumentar a exposição dos apostadores a fraudes e golpes, justamente por não estarem sujeitos às exigências aplicadas às empresas regulamentadas.

As associações também ressaltam ferramentas de segurança já utilizadas pelas operadoras legalizadas, como verificação de idade e CPF, mecanismos de autoexclusão e restrições destinadas a beneficiários de programas sociais.

Para as entidades, esses instrumentos representam formas de proteção que poderiam perder efetividade caso os apostadores passassem a utilizar serviços sem autorização para funcionar no país.



Medida do governo Lula provoca impacto nos patrocínios do futebol brasileiro

A discussão ganhou força após a publicação da Medida Provisória nº 1.394/2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro de 2026.

A legislação determina a proibição da exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa em território nacional. As restrições abrangem tanto as apostas relacionadas a eventos esportivos quanto os jogos disponibilizados pela internet.

As consequências da decisão atingem diretamente o futebol profissional brasileiro, especialmente pela presença expressiva de empresas de apostas entre os principais patrocinadores dos clubes.

Na data em que a medida foi publicada, 14 dos 20 participantes da Série A do Campeonato Brasileiro mantinham contratos de patrocínio master com empresas desse segmento.

Mergulhe na História Rubro-Negra:

Com as novas determinações, as equipes que possuem acordos comerciais com casas de apostas deverão retirar as marcas dessas empresas de seus uniformes, respeitando o prazo previsto na própria medida provisória.

A situação representa uma mudança significativa para clubes que utilizam esses contratos como parte de suas receitas comerciais.

Medida provisória ainda depende de análise do Congresso Nacional

Embora já esteja produzindo efeitos, a MP nº 1.394/2026 ainda precisará passar pela avaliação do Congresso Nacional.

Por se tratar de uma medida provisória, o texto possui força de lei desde sua publicação, mas depende da análise dos parlamentares para sua conversão definitiva em lei.

O prazo inicial de validade é de 60 dias, podendo ser prorrogado uma única vez por mais 60 dias, caso a votação não seja concluída dentro do período originalmente estabelecido.

Enquanto o processo legislativo segue em andamento, clubes e empresas do setor precisam lidar com as consequências das novas restrições.

Governo defende combate ao endividamento, enquanto setor pede maior fiscalização

O governo federal justifica a medida como parte de uma estratégia destinada a enfrentar o endividamento das famílias brasileiras e os problemas associados à participação em jogos de apostas.

A iniciativa busca restringir uma atividade que, segundo o posicionamento governamental, pode contribuir para dificuldades financeiras e outros prejuízos relacionados ao comportamento dos apostadores.

Por outro lado, as entidades representantes das empresas de apostas defendem que existem alternativas à proibição completa do setor.

Entre as propostas apresentadas estão o fortalecimento da fiscalização das operadoras, a criação de limites para depósitos e tempo de utilização das plataformas, o estabelecimento de normas mais rigorosas para publicidade e a intensificação das ações de combate aos sites clandestinos.

Nesse cenário, a manifestação realizada pelo Flamengo antes da partida contra o Santos reforça a participação do futebol brasileiro no debate sobre o futuro das apostas esportivas no país, especialmente diante dos possíveis efeitos da medida sobre os contratos de patrocínio dos clubes.

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