O Flamengo empatou por 1 a 1 com o São Paulo, neste domingo (26), pela 20ª rodada do Campeonato Brasileiro. Após a partida, o técnico Leonardo Jardim concedeu entrevista coletiva, analisou a atuação da equipe, criticou a arbitragem de Anderson Daronco e respondeu perguntas sobre desempenho, elenco e opções para a sequência da temporada.
Jardim critica primeiro tempo e cita arbitragem
Na avaliação do treinador, o Flamengo apresentou uma postura muito lenta na etapa inicial e só conseguiu evoluir depois do intervalo. Além disso, ele destacou que detalhes impediram a vitória rubro-negra.
— Acho que na primeira parte foi pouco dinâmica, lenta na construção. Permitimos o adversário a ocupar os espaços. Precisávamos mudar a nossa atitude e sermos mais rápidos. Na segunda parte, isso aconteceu. Mas foi um jogo de detalhes -, disse, antes de finalizar:
— Nós dominamos, mas três centímetros do pé do Wallace Yan o gol foi anulado. O detalhe também do jogador (do São Paulo), que o árbitro não deu pênalti, e em muitos lances será pênalti no Brasileirão. E o detalhe do gol deles, o único remate a gol. Faltou pressão ao portador da bola e a linha defensiva abaixo de forma lenta, permitindo jogar a bola entre o goleiro e a linha -, concluiu Jardim.
Treinador reclama de lance envolvendo Arrascaeta
A principal reclamação de Leonardo Jardim foi um lance ocorrido aos 30 minutos do primeiro tempo. Após passe de Pedro, Arrascaeta tentou passar por Wendell, e a bola bateu no braço do lateral do São Paulo.
Apesar dos protestos dos jogadores do Flamengo, Anderson Daronco considerou que o braço do defensor estava junto ao corpo. O VAR também não recomendou a revisão do lance.
O que mudou no intervalo?
Ao explicar a melhora do Flamengo na segunda etapa, Leonardo Jardim revelou qual foi a principal mensagem passada aos jogadores no vestiário.
“Quando cheguei ao intervalo, escrevi uma palavra no quadro que temos dentro da nossa cabine: agressividade. Agressividade com a bola. Você analisou muito bem esse lance, porque foi justamente o exemplo que utilizei para falar sobre agressividade com a bola. Nós circulávamos a bola, mas precisávamos ter agressividade para conduzi-lá para a frente, criar desequilíbrios e depois soltar os jogadores. Durante grande parte do primeiro tempo, o que aconteceu? Circulávamos a bola, mas apenas passávamos de um jogador para o outro.
A bola ia para a direita, voltava novamente para trás e, muitas vezes, acabávamos até facilitando a pressão do São Paulo. A partir do momento em que começamos a ter essa agressividade e a conduzir a bola para a frente, o São Paulo, mesmo pressionando de um lado, já não conseguia se equilibrar do outro. Foi aí que começamos a ter um poder ofensivo maior. Mais do que uma questão de estratégia, faltou dinâmica, velocidade na circulação e agressividade com a bola no primeiro tempo.”
Empate decepciona, mas serve de aprendizado
Leonardo Jardim admitiu a frustração pelo resultado e afirmou que o desempenho precisa servir de lição para a equipe.
“Ser jogador do Flamengo, ser treinador do Flamengo, se não vier vitórias, é decepção. Mas temos que ser honestos naquilo que foi a análise de jogo. Isso é: os jogadores ficam decepcionados pela primeira parte, porque não há aquilo que trabalhamos. Não há aquela energia, não há aquela dinâmica que eu quero que os jogadores tenham.
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Os jogadores podem fazer mais e melhor, têm feito em muitos jogos. Na segunda parte, dentro da mesma estratégia, temos uma dinâmica muito mais forte. Mais agressividade com bola, muito mais forte. E isso com certeza muda logo a forma de jogar e a velocidade do jogo.”
Análise da atuação rubro-negra
O treinador voltou a destacar que a principal deficiência da equipe foi a postura adotada durante os primeiros 45 minutos.
“Com certeza que nós não gostamos. E os próprios jogadores também, com certeza perceberam que não estiveram bem. No futebol, às vezes, isto tem que ser um ensinamento: que não podemos abordar os jogos desta forma. Temos que começar a agredir os adversários logo no início, com maior velocidade, maior dinâmica e maior agressividade com bola.
Que é uma coisa que eu gosto das minhas equipes. No futuro corrigir. E o futuro é daqui a dois dias, a três dias. Ter essa forma para jogar 90 minutos, mais o tempo, e não somente jogar os 45 minutos da segunda parte. Por isso, espero bem e acredito que eles são capazes de impor uma dinâmica diferente, como têm feito já muitas vezes ao longo do ano.”
Jardim explica critérios para escalar a equipe
Ao comentar a situação de jogadores com menor minutagem, como Saúl, o treinador afirmou que suas escolhas são baseadas no rendimento apresentado diariamente.
Mergulhe na História Rubro-Negra:
“Claro que contamos com todos esses jogadores. O Flamengo trabalha comigo há três ou quatro meses. Acho que ficou muito claro que o Evertton teve um grande destaque. O Erick saiu da equipe por questões de suspensão e lesão. O Jorginho também teve um grande destaque.
Agora, eu preciso tomar uma decisão: vou colocar os jogadores que tiveram mais destaque ou vou dar oportunidades a outros? A partir daí, cria-se uma determinada hierarquia. A minha hierarquia, neste momento, é essa. Sei que temos dois jogadores que, por alguns problemas físicos, não conseguiram apresentar o máximo deles. Mas, neste momento, também é uma questão de hierarquia e de rendimento, como falei. O que observo é o rendimento. É aquilo que eu dizia sobre o Ortiz. É fácil montar a equipe pelos nomes, não é? “Qual é o seu currículo? Você joga. O outro está treinando e jogando bem? Não interessa, sai. Você joga.”
Isso não funciona assim, porque a gestão do grupo e da equipe vai toda abaixo. Ninguém passa a acreditar no trabalho, ninguém passa a acreditar no desempenho. O jogador atua bem ou mal e, mesmo assim, não recebe oportunidades. Por isso, na minha equipe, sempre existem hierarquias. E quem constrói essas hierarquias? Não é o treinador. São os jogadores. E como os jogadores constroem essa hierarquia? Com o desempenho, a atitude, os comportamentos, a regularidade e todas essas ações.”
Outros temas abordados na coletiva
Durante a entrevista, Leonardo Jardim também respondeu sobre a disputa pelo Brasileirão, o desempenho defensivo da equipe, a concorrência na lateral direita entre Varela e Emerson Royal, a ausência de Léo Ortiz, a readaptação dos atletas que retornaram da Copa do Mundo, a situação física de Nico De La Cruz, a evolução de Lorran e a carência de opções pelas pontas após as ausências de Gonzalo Plata e Luiz Araújo. Em todas as respostas, o treinador reforçou que suas decisões são tomadas com base na condição física, desempenho nos treinamentos e gestão do elenco.













