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Jose Boto cogita deixar o Flamengo após veto a Michael Johnston

Pressão interna cresce e expõe racha entre diretoria de futebol e a presidência

José Boto diretor de futebol do Flamengo
José Boto diretor de futebol do Flamengo

O ambiente no departamento de futebol do Flamengo voltou a ferver. Segundo informação publicada pelo jornalista Diogo Dantas, em O Globo, o diretor de futebol José Boto ficou profundamente contrariado com a decisão do presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap) de abortar a contratação do atacante irlandês Michael Johnston – nome bancado por Boto e também endossado pelo técnico Filipe Luís. Tamanho descontentamento levou o executivo português a considerar a possibilidade de entregar o cargo, movimento que indicaria uma ruptura entre o comando do futebol e a cúpula política rubro-negra.



O episódio ocorreu às vésperas da chegada de Johnston ao Rio de Janeiro. Com acordo salarial fechado, exame médico agendado e passagem emitida para esta terça-feira (8), o ex-jogador do West Bromwich Albion foi informado de que o negócio estava suspenso. O recuo partiu de Bap, pressionado por conselheiros e dirigentes que classificaram a operação — avaliada em aproximadamente 5 milhões de libras (R$ 37,1 milhões) — como “aposta cara” em meio às recentes críticas pela eliminação na Copa do Mundo de Clubes.

A decisão expôs publicamente um racha interno: de um lado, Boto e Filipe Luís, que enxergavam no ponta de 26 anos peça ideal para o esquema, sobretudo após a saída de Gerson e a cirurgia de Erick Pulgar; do outro, setores do Conselho Deliberativo que exigem “nomes de impacto” antes de reforços considerados de oportunidade. O veto foi entendido como interferência direta na autonomia do departamento de futebol e, nos bastidores, sinal de que o diretor luso ficou “mais frágil” politicamente.



Ainda de acordo com O Globo, Boto avalia os próximos passos e não descarta pedir demissão nas próximas horas. O clima ficou ainda mais tenso porque o treinador Filipe Luís havia dado aval técnico e contava com Johnston para recompor o setor ofensivo após as oscilações de Michael e Everton Cebolinha. A crise se soma ao desgaste provocado pela venda de Gerson para o Zenit — operação que colocou nos cofres rubro-negros 25 milhões de euros (R$ 160 milhões), valor que o Dínamo Moscou agora usa como argumento para endurecer a negociação por Jorge Carrascal.

Internamente, conselheiros favoráveis ao veto argumentam que o clube precisa investir primeiro em jogadores prontos, lembrando que a equipe lidera o Brasileiro, mas enfrentará um calendário apertado com oitavas de Copa do Brasil (contra o Atlético-MG) e oitavas de Libertadores (diante do Internacional). A rejeição de parte da torcida ao nome de Johnston, expressa nas redes sociais, reforçou a decisão de Bap.



Enquanto isso, a diretoria estuda retomar contatos com alternativas mais “confiáveis”, como o argentino Esequiel Barco — atualmente no Spartak Moscou e visto como plano B para a meia — e segue tentando alinhavar as garantias bancárias exigidas pelo Dínamo por Carrascal.

Caso Boto confirme a saída, será a segunda mudança de peso no organograma rubro-negro em menos de seis meses, lembrando que o ex-CEO Bruno Spindel já havia sido substituído no início do ano. O temor nos corredores da Gávea é de que nova turbulência administrativa venha a impactar a preparação da equipe, que volta a campo no sábado (12) contra o São Paulo, no Maracanã, pela 13ª rodada do Brasileirão.



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