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MPRJ volta a suspender organizadas do Flamengo e exige controle contra violência

Raça Rubro-Negra e Torcida Jovem ficam afastadas por dois jogos no Maracanã, enquanto Ministério Público rejeita possibilidade de torcida única

Torcida Raça Rubro Negra no Maracanã
Torcida Raça Rubro Negra no Maracanã

A Raça Rubro-Negra (RRN), fundada em 1977, e a Torcida Jovem do Flamengo (TJF), criada em 1967, passaram longos períodos impedidas de frequentar as arquibancadas por conta de episódios violentos envolvendo integrantes. O histórico de punições também atingiu organizadas de outros clubes, como Fúria Jovem do Botafogo (FJB), Young Flu (TYF) e Força Jovem do Vasco (FJV).



Com o passar do tempo, essas torcidas conseguiram retornar oficialmente aos estádios por meio de Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) firmados com as autoridades. No caso das duas organizadas do Flamengo, entretanto, houve uma nova suspensão pouco depois do retorno da TJF.

MPRJ cobra mudança de comportamento

O promotor de justiça Márcio Almeida, responsável pela coordenação do Grupo de Atuação Especializada em Desporto e Defesa do Torcedor do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAEDEST/MPRJ), afirmou que as torcidas precisam demonstrar disposição para evitar novos episódios de violência.

“Eles têm que nos mostrar o que querem. Abri uma reunião com as torcidas perguntando o que nós queríamos quando ela acabasse. Voltar para casa. Não é razoável sair disposto a matar ou morrer”,

O Ministério Público recebeu informações do Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (BEPE) depois dos confrontos entre Flamengo e Cruzeiro pela Libertadores. O primeiro aconteceu em 12 de agosto, em Belo Horizonte, e o segundo no dia 19, no Rio de Janeiro, justamente quando a Torcida Jovem voltou às arquibancadas após 353 dias afastada.



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Nos relatos encaminhados ao MPRJ, a Polícia Militar do Rio de Janeiro apontou que já havia identificado desentendimentos entre as duas organizadas do Flamengo. A situação teria se agravado novamente no encontro entre Flamengo e Cruzeiro realizado em Minas Gerais no sábado (22), desta vez pelo Campeonato Brasileiro.

Raça e Jovem ficam fora de dois jogos

Diante das informações, o MPRJ considerou adequado confirmar a recomendação feita pelo BEPE para afastar as duas torcidas. Com isso, Raça Rubro-Negra e Torcida Jovem ficarão suspensas por dois jogos no Maracanã: contra o Botafogo, neste domingo, e diante do Mirassol, na quarta-feira.

“A ideia é que se entendam, ou entendam que se houver violência, serão necessárias outras medidas, que poderão privar as torcidas de frequentar as arquibancadas”,

O Ministério Público possui autonomia para determinar punições que podem variar de um jogo a três meses de afastamento. Caso seja necessária uma penalidade ainda maior, será preciso ingressar com uma ação civil pública, que possui grandes possibilidades de ser aceita.

Antes mesmo do início da suspensão deste domingo, a Raça Rubro-Negra divulgou uma nota informando que não estaria presente no jogo para evitar possíveis problemas com a Torcida Jovem.



“A Raça retornou há mais de um ano (no Fla-Flu de 20 de julho de 2025) e desde então nenhum problema foi registrado. A Jovem reapareceu pela segunda vez e está novamente gerando problemas”,

O promotor, contudo, reconhece que os comportamentos das duas organizadas não necessariamente são iguais.

Torcida Jovem voltou aos estádios e foi suspensa novamente

A Torcida Jovem do Flamengo havia retornado aos estádios no ano passado, depois de sofrer suspensões determinadas pela Justiça a partir de relatórios relacionados a episódios de violência registrados desde 2021.

O retorno oficial ocorreu em 31 de agosto, no confronto contra o Grêmio, no Maracanã, após a assinatura de um TAC intermediado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Porém, somente 16 dias depois, a organizada voltou a ser punida devido a tumultos provocados durante o deslocamento de integrantes em direção ao Maracanã naquele domingo.

O retorno também evidenciou um crescimento expressivo da TJF durante o período em que esteve proibida. A caminhada realizada pela organizada mostrou um número de integrantes maior do que em qualquer outro momento anterior.

Mergulhe na História Rubro-Negra:

O MPRJ entende que simplesmente impedir a presença de uma organizada nos estádios não impede o aumento do número de integrantes. No caso da Torcida Jovem, segundo o Ministério Público, ocorreu justamente o contrário.

Por isso, a estratégia passou a envolver todos os integrantes, buscando fazer com que as lideranças impeçam atos violentos, afastem os responsáveis e permitam novamente a presença da torcida nos estádios.

“A ideia é envolver a todos no problema para ter resultado, e não basta se manifestar com interesse em agir corretamente, é preciso controlar os grupos e integrantes, ter liderança”,

Ministério Público rejeita torcida única

Márcio Almeida também revelou que chegou a reunir três organizadas de cada um dos quatro grandes clubes do Rio de Janeiro. O objetivo foi estabelecer um pacto para promover uma atuação institucional voltada à pacificação do ambiente relacionado às torcidas.

Durante esses encontros, o promotor questionou diretamente os representantes sobre a possibilidade de torcida única.

“Perguntei se eles querem torcida única. Por que essa é uma ideia que nós, no Ministério Público, não admitimos”,

A rivalidade entre Torcida Jovem e Raça Rubro-Negra está relacionada às alianças mantidas por cada grupo com torcidas do Cruzeiro. A Jovem possui ligação com o Pavilhão, enquanto a Raça é aliada da Máfia Azul.

Márcio Almeida também citou outros episódios acompanhados pelo Ministério Público, incluindo os envolvendo as torcidas do Botafogo, Fúria e Torcida Jovem. A primeira possui aliança com a Gaviões da Fiel, do Corinthians, enquanto a segunda mantém proximidade com a Mancha Verde, do Palmeiras.

O MPRJ também acompanha a situação envolvendo esses grupos.

Uniformes e punições individuais

Com o aumento da Torcida Jovem durante o período de proibição, o BEPE informou ao Ministério Público que integrantes impedidos de comparecer aos jogos passaram a utilizar uma camiseta comercializada como padrão “punição”, fazendo referência à TJF.

Por esse motivo, no confronto entre Flamengo e Estudiantes pela Libertadores passada, as autoridades impediram a entrada de torcedores que utilizavam esse tipo de vestimenta e aplicaram uma nova punição de dez jogos.

“A ideia de abrir o diálogo é para abrir a possibilidade de controlar. Eles pedem que se puna o CPF, mas para isso têm que atualizar a relação de integrantes, por sinal, um compromisso que todos assumiram. A partir daí será possível individualizar as penalidades”,

O problema, segundo o MPRJ, é que a dificuldade de identificar e punir individualmente quem participa de atos violentos acaba levando à aplicação de penas coletivas e suspensões.

Por isso, o Ministério Público exige que as organizadas tenham maior controle sobre seus integrantes e saibam para quem comercializam camisas, bonés e outros acessórios, além de manterem o cadastro atualizado.

“Se o pelotão X não é controlável, excluam e esse grupo passa a ser problema da polícia, mas a diretoria da torcida precisa indicar quem criou o problema e excluir”,

Caso da Força Jovem do Vasco é usado como exemplo

O coordenador do GAEDEST/MPRJ relembrou ainda um episódio registrado em 17 de agosto de 2025. Na ocasião, o Vasco goleou o Santos por 6 a 0 no Morumbis, enquanto integrantes da Força Jovem do Vasco se envolveram em confrontos com a Torcida Jovem do Santos.

“Os participantes da confusão foram apontados com ajuda do Ministério Público de São Paulo e colaboração da Força Jovem. Então reduzimos a punição em vigor de oito para quatro partidas”,

O promotor ressaltou que a colaboração das próprias organizadas pode contribuir para a redução das punições.

“Mas se alegarem que não querem caguetar, então têm que arcar com as consequências por não conseguirem ter controle”,

Márcio Almeida também lembrou que o reconhecimento facial, obrigatório para acesso aos jogos, pode facilitar a identificação de indivíduos e permitir que as punições sejam aplicadas diretamente aos responsáveis pelos atos.

Suspensões podem ficar mais severas

Atualmente, o MPRJ tem optado por punições de menor duração, como a aplicada à Raça Rubro-Negra e à Torcida Jovem nos dois próximos jogos do Flamengo. Em outros casos, as penalidades podem chegar a cinco ou seis partidas.

Entretanto, caso os episódios de violência continuem ou se agravem, o Ministério Público admite solicitar novamente uma suspensão judicial, que pode chegar a cinco anos de afastamento.

Márcio Almeida também destacou que as torcidas precisam compreender que o Flamengo continua conquistando títulos mesmo sem a presença delas nas arquibancadas.

“As torcidas precisam entender que os clubes seguem sem elas. O time foi campeão várias vezes nos últimos anos e eles não estavam lá, representados”,

O promotor recordou que, durante essas conquistas, não era possível encontrar faixas e bandeiras da Raça Rubro-Negra e da Torcida Jovem nos estádios.

Por fim, Márcio Almeida deixou um alerta sobre a possibilidade de novas punições ultrapassarem as fronteiras do Rio de Janeiro.

“E novas punições poderão se estender a outros Estados”,

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