
Existe um velho conceito no futebol de que o campo é capaz de responder por si. E, neste momento, Pedro vem deixando suas respostas dentro das quatro linhas. Com a decisão contra o Cruzeiro se aproximando, o atacante apresenta argumentos cada vez mais fortes para mostrar que pode ser titular do Flamengo independentemente das características do adversário.
A qualidade técnica do camisa 9 nunca esteve em discussão. A inteligência para compreender os movimentos da partida também é uma de suas virtudes. O diferencial, porém, está na capacidade de encontrar diferentes maneiras de contribuir quando o jogo apresenta obstáculos.
O que aconteceu no primeiro duelo com o Cruzeiro?
Na partida de ida das oitavas de final da Libertadores, disputada no Mineirão, Leonardo Jardim decidiu iniciar o confronto sem Pedro entre os titulares. A estratégia tinha uma explicação: o treinador esperava um Cruzeiro agressivo na pressão e avaliava que o atacante poderia encontrar dificuldades para receber nas condições em que costuma ser mais perigoso.
O empate em 1 a 1 deixou a classificação completamente indefinida. Dentro de campo, entretanto, o Flamengo conseguiu avançar, encontrou espaços pelos corredores e teve oportunidades para trabalhar a bola no setor ofensivo.
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O problema apareceu justamente na área. Faltava uma presença capaz de ocupar a pequena área, incomodar os zagueiros, disputar bolas e transformar a chegada do time em chances mais perigosas.
A entrada de Pedro modificou o ataque
Quando o camisa 9 entrou, o Flamengo passou a contar com uma referência mais clara no ataque. A equipe ganhou presença no último terço e encontrou em Pedro um jogador capaz de dar continuidade às jogadas.
Em um dos momentos importantes daquele confronto, foi o próprio atacante quem sofreu a falta que posteriormente deu origem ao gol de empate do Flamengo, marcado por Lucas Paquetá.
A decisão de Jardim possuía uma lógica dentro do planejamento. Contudo, a dinâmica da partida mostrou que a presença de Pedro poderia oferecer outras soluções. E é justamente esse aspecto que ganha importância na discussão atual sobre o atacante.
Pedro mostra que seu futebol vai muito além dos gols
Se contra o Cruzeiro Pedro mostrou como sua entrada pode alterar o funcionamento ofensivo do Flamengo, diante do Mirassol o centroavante apresentou ainda mais argumentos.
Na goleada por 5 a 1 sobre o Mirassol, no último domingo, o jogador balançou as redes duas vezes e protagonizou uma atuação que reforçou sua capacidade de ser útil em diferentes cenários.
Pedro não se limitou a finalizar. Ele participou da construção, fez o trabalho de pivô, abriu espaços, ajudou na criação e apareceu para concluir as jogadas.
Mergulhe na História Rubro-Negra:
Foram quatro finalizações, sendo três no alvo, além de vencer os dois duelos que disputou e registrar 1,05 de gols esperados. Os números ajudam a dimensionar uma atuação bastante completa.
A capacidade de marcar gols é uma das principais características do atacante, mas resumir seu futebol apenas a isso seria ignorar uma parte importante de seu repertório.
Pedro consegue sair da área para participar da criação, proteger a posse, atacar espaços, movimentar a defesa adversária e abrir caminhos para os companheiros. Quando a bola chega ao momento da conclusão, também possui enorme capacidade para transformar oportunidades em gols.
Esse conjunto de características faz com que ele possa ser útil em diferentes tipos de partida.
Os números reforçam o momento do camisa 9
Com os dois gols marcados diante do Mirassol, Pedro chegou a 23 gols em 39 partidas pelo Flamengo na temporada. Além disso, o atacante contabiliza cinco assistências, totalizando 28 participações diretas em gols com a camisa rubro-negra em 2026.
No Campeonato Brasileiro, os dois tentos também fizeram o centroavante retornar à liderança da artilharia, agora com 14 gols.
Apesar de expressivos, os números não contam toda a história. As estatísticas mostram os resultados alcançados, enquanto as atuações ajudam a compreender como eles são produzidos. E Pedro vem demonstrando justamente essa variedade.
Contra um time que pressiona, ele pode servir como referência. Diante de uma equipe mais fechada, consegue atacar a área. Quando o Flamengo precisa circular a bola, pode participar da construção. Se for necessário ganhar terreno, pode atuar como pivô. E, quando os companheiros precisam de espaço, também consegue arrastar os marcadores.
Caso receba uma oportunidade clara dentro da área, ainda possui uma das finalizações mais eficientes do elenco.
Decisão contra o Cruzeiro aumenta importância
É nesse cenário que o próximo encontro com o Cruzeiro ganha ainda mais relevância. O Flamengo terá novamente pela frente uma equipe que conhece seus mecanismos, em uma partida que vale uma vaga nas quartas de final da Libertadores.
Depois do 1 a 1 no Mineirão, a classificação será definida no Maracanã. Pedro chega ao confronto decisivo em um momento no qual suas atuações recentes fortalecem os argumentos a favor de sua presença entre os titulares.
Isso não significa que Leonardo Jardim esteja impedido de escolher outra formação. O treinador possui suas próprias convicções, analisa cada adversário e define suas estratégias de acordo com o que considera necessário.
A questão é outra: diante do repertório apresentado pelo camisa 9, até que ponto é possível abrir mão dele antes mesmo de saber como a partida vai se desenvolver?
No primeiro encontro com o Cruzeiro, a avaliação era de que Pedro poderia ter dificuldades para encontrar espaços. O que aconteceu, porém, mostrou que o Flamengo sentiu falta de sua presença para transformar o domínio territorial em maior ameaça ofensiva.
Contra o Mirassol, o atacante reforçou que não depende de um cenário específico para ser decisivo. Ele simplesmente esteve em campo e teve uma atuação de alto nível.
O campo vem dando a resposta
Pedro não precisa mais demonstrar que sabe marcar gols. Os 23 tentos na temporada já são uma resposta suficiente. Agora, o atacante mostra algo além: sua capacidade de contribuir mesmo quando o jogo exige características diferentes das tradicionalmente associadas a um centroavante.
Um jogador capaz de participar da criação, fazer o pivô, abrir espaços, atacar a área e finalizar com qualidade oferece inúmeras alternativas ao time.
Isso não significa que o Flamengo seja incapaz de atuar sem Pedro. A questão é que, diante do repertório apresentado recentemente, torna-se cada vez mais difícil encontrar motivos para deixá-lo fora de partidas importantes.
O futebol apresentado pelo camisa 9 vem apontando na mesma direção: Pedro tem argumentos para estar em campo.
Agora, diante do Cruzeiro, ele terá mais uma oportunidade de transformar esses argumentos em desempenho dentro do Maracanã. Depois da goleada sobre o Mirassol, o próprio atacante falou sobre o desafio que terá pela frente:
— Vai ser mais um grande duelo contra o Cruzeiro, eles são uma grande equipe. Vai ser difícil, mas vamos trabalhar muito nesses dias que temos para chegarmos fortes e conseguir o resultado em casa — disse Pedro.
Pedro já deu sua resposta. Agora, novamente, caberá ao campo dar a palavra final.












