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Silvio Matos: quem é o CEO da Libra no centro da crise com o Flamengo

Publicitário experiente, Silvio Matos lidera a Libra e defende divisão igualitária de receitas, mas acumula polêmicas e enfrentou resistência de clubes, especialmente do Flamengo.

Sílvio Matos, CEO da Libra
Sílvio Matos, CEO da Libra

O Flamengo vive atualmente um imbróglio envolvendo sua relação com a Libra, entidade criada para negociar, de forma coletiva, direitos de transmissão, marketing e a estrutura do Campeonato Brasileiro.



Por trás dessa disputa está Silvio Matos, o CEO da Libra, um profissional com longa trajetória na comunicação e que busca transformar o futebol brasileiro, principalmente em relação à equidade financeira entre os clubes.

A polêmica, no entanto, cresceu após o bloqueio judicial obtido pelo Flamengo — que questiona a autenticidade de um suposto documento assinado por Rodolfo Landim. Para entender o cenário, é essencial conhecer quem é Silvio Matos, o homem que se tornou um dos nomes mais comentados dos bastidores do futebol nacional.

Quem é Silvio Matos: trajetória e experiência antes da Libra

Silvio Matos assumiu o comando da Liga do Futebol Brasileiro (Libra) desde sua consolidação. Com mais de 30 anos de experiência no mercado publicitário, ele é responsável por conduzir o projeto que promete redefinir o modelo de negócios do futebol no país.



Formado em comunicação, Matos construiu uma carreira sólida em grandes agências internacionais como FCB, Bates, Young & Rubicam e Grey. Trabalhou inclusive em Paris e integrou o conselho criativo global dessas empresas.

Ele também atuou como sócio sênior do grupo WPP — a maior holding de comunicação do mundo — por quase uma década.

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Em 2007, fundou o MatosGrey Group, focado em estratégias de branding e design corporativo. Posteriormente, criou o Black2Black Festival, evento musical realizado no Rio de Janeiro, e passou a integrar o conselho da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), ligada à OHM Research e ao grupo XP.



Com a Matos Projects, Silvio iniciou sua aproximação com o esporte, desenvolvendo estratégias financeiras voltadas para o segmento. Hoje, à frente da Libra, ele lidera as negociações entre clubes e emissoras, defendendo uma divisão de receitas baseada em igualdade, desempenho e audiência.

Relação conturbada com o Flamengo

Em abril de 2024, Silvio Matos provocou mal-estar entre conselheiros do Flamengo. Durante votação de um contrato com a Globo, o CEO da Libra participou presencialmente na Gávea e declarou seu “amor ao Flamengo” para tentar convencer os dirigentes a aceitarem o acordo.

O contrato — assinado por Rodolfo Landim — reduziu em cerca de R$ 80 milhões por ano a receita do clube, totalizando uma perda aproximada de R$ 400 milhões em cinco anos.



“Antes de tudo, eu sou um flamenguista absolutamente da melhor espécie. Cresci aqui na Selva de Pedra, joguei todos os esportes na tentativa de ser alguma coisa perto dos jogadores, fracassei em todos os esportes, mas joguei, nadei, joguei tênis, futebol de salão, tudo aqui na Gávea.”

Em seguida, Matos compartilhou uma história pessoal envolvendo seus filhos, nascidos em São Paulo:

“Cresci aqui até os 20 anos, mudei para São Paulo e aí que vem minha declaração de amor ao Flamengo. Eu tive três filhos paulistas. Vocês não têm ideia do que é ter o amor que você tem pelo Flamengo, ir para São Paulo, ter três meninos estudando com aqueles caras que são são-paulinos. São palmeirenses, é uma desgraça.”

O CEO ainda contou que “enganava” os filhos assistindo reprises de vitórias do Flamengo:

“Eu só assistia aos jogos Flamengo x São Paulo, Flamengo x Palmeiras, Flamengo x Corinthians com os meus filhos, primeiro tempo ao vivo o jogo real, se o Flamengo estivesse ganhando eu deixava, se estivesse perdendo eu botava jogo antigo. Assim criei meus filhos apaixonados pelo Flamengo.”



As falas de Silvio Matos, no entanto, irritaram conselheiros, que o chamaram ironicamente de “amigo paulista”. Também houve descontentamento quando o CEO afirmou que o Flamengo havia sido “magnânimo” ao abrir mão de vantagens no contrato com a Globo.

Rejeição da LFF e acusações de conflito de interesse

Antes mesmo da consolidação da Libra, Silvio Matos já enfrentava resistência. Em 2022, a Liga Forte Futebol (LFF) questionou sua nomeação como CEO, alegando um conflito de interesses.

Na época, ele presidia a IMM Creative Marketing — antiga IMC, empresa que pertenceu a Eike Batista e foi posteriormente adquirida pelo fundo Mubadala, dos Emirados Árabes.

A polêmica aumentou quando o mesmo fundo demonstrou interesse em comprar 20% de participação na Libra, gerando desconforto entre os clubes da LFF.

Flamengo “magnânimo” e o alerta sobre divisões

Em entrevista à CNN, Silvio Matos exaltou a postura do Flamengo durante as negociações da Libra:

“O Flamengo acaba se tornando quase um mito nas conversas. O Flamengo exige o melhor que pode exigir, mas sempre pensando no conjunto de clubes que estão na Libra.”

Mergulhe na História Rubro-Negra:

Ele reforçou a ideia de que o clube carioca agiu de forma generosa:

“O Flamengo teve uma postura magnânima ao abrir mão de determinados privilégios que o Flamengo por bem conseguiu ao longo da sua história, contratualmente, em nome do conjunto de clubes que forma a Libra.”

Matos também afirmou, na época, que era natural haver divergências na criação de uma liga e defendeu diálogo entre as lideranças:

“Cabe às lideranças de ambas as partes sentarem de forma transparente, ética e tentar amarrar os pontos para consolidar o movimento de Liga.”

Atualmente, com o Flamengo de Bap rompendo publicamente com a Libra, as palavras do CEO soam quase proféticas.

Modelo de divisão e o futuro da Libra

Segundo o executivo, a distribuição de receitas na Libra é feita da seguinte forma:
40% de forma igual entre os clubes, 30% por desempenho esportivo e 30% por audiência.

Silvio Matos acredita que essa combinação — 60% baseada em performance e alcance — é essencial para garantir equilíbrio financeiro e um futebol mais competitivo no país.

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