A chegada de Michael Johnston ao Flamengo gerou um misto de curiosidade e desconfiança entre os torcedores. O atacante irlandês, contratado junto ao West Bromwich, da Championship — a segunda divisão inglesa —, ainda nem desembarcou no Rio de Janeiro e já é alvo de críticas, sobretudo por conta dos números pouco empolgantes registrados na última temporada.
Johnston, que atua pelas pontas, participou de 40 partidas, marcando três gols e distribuindo cinco assistências. Estatísticas que, para grande parte da torcida, não justificariam o investimento de cerca de R$ 35 milhões feito pelo clube carioca. A falta de empolgação aumentou com a lembrança do desempenho de Gerson, que recentemente deixou a Gávea para assinar com o Zenit, da Rússia.
Porém, quando se coloca os números de ambos lado a lado, a comparação mostra que a diferença não é tão grande quanto parece — pelo menos no setor ofensivo. Gerson, que passou a atuar mais aberto pelo lado direito do campo, contabilizou em 2025 dois gols e quatro assistências em 31 jogos. Ou seja, está apenas um gol à frente de Johnston, que tem uma assistência a mais, mesmo tendo jogado nove partidas a mais.
Ao se analisar os últimos nove jogos de Gerson com a camisa rubro-negra, ele soma mais duas assistências, elevando o total para seis. Assim, em 40 partidas — a mesma quantidade disputada por Johnston — o ex-camisa 8 teria dois gols e seis passes para gol, uma vantagem pequena em relação ao novo reforço irlandês.
Temporada cheia de Gerson supera, mas em mais jogos
O ano de 2024 completo foi o melhor recorte de Gerson no Flamengo em termos de produtividade ofensiva. Ao longo de 56 jogos, o meia balançou as redes quatro vezes e deu nove assistências. São números superiores aos de Johnston, mas alcançados em 16 partidas a mais.
Ainda assim, muitos torcedores defendem cautela antes de descartar Michael Johnston. Ele chega de um futebol com estilo mais físico e veloz, e pode encontrar no sistema tático de Filipe Luís o cenário ideal para desempenhar com mais liberdade e efetividade — talvez repetindo ou até superando a função que Gerson vinha desempenhando.
A comparação ganha outra nuance quando se analisa o desempenho defensivo. E aqui, Gerson leva ampla vantagem.
Gerson domina nos quesitos defensivos
Apesar de o irlandês empatar com Gerson em média de cortes por jogo (0,3), o ex-volante rubro-negro é superior em quase todos os outros aspectos defensivos. No Brasileirão, Gerson registrou 0,6 interceptações por partida contra 0,3 de Johnston, além de impressionantes 1,7 desarmes por jogo contra apenas 0,7 do irlandês.
Em recuperação de posse no terço final, os números são mais parecidos — 0,4 para Gerson contra 0,3 para Johnston —, mas o brasileiro volta a se destacar nas bolas recuperadas no geral: 3,3 por partida contra 2,3 do novo contratado.
Nenhum dos dois, no entanto, foi responsável por erros diretos que resultaram em gols adversários na atual temporada.
Expectativa ainda é uma incógnita
Michael Johnston chega ao Flamengo cercado de dúvidas e com uma missão nada fácil: ocupar um espaço simbólico deixado por Gerson, um dos jogadores mais adorados da torcida, mesmo com a saída polêmica.
Embora as comparações entre os dois não sejam completamente equivalentes — afinal, tratam-se de atletas de características distintas —, o fato é que os números ofensivos não diferem tanto, e o irlandês terá agora a chance de mostrar em campo se foi uma aposta acertada da diretoria rubro-negra.













