O debate em torno da venda do Maracanã ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (24), após o jornal O Globo publicar um editorial defendendo a privatização do estádio. O texto argumenta que a medida seria positiva para “o governo, as torcidas e o futebol”, desde que o comprador preserve o valor histórico do local e mantenha o estádio como palco dos grandes clássicos cariocas.
A publicação ocorre poucos dias depois de uma reunião entre Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, e deputados estaduais como Rodrigo Bacellar e Alexandre Knoploch, relator do projeto que autoriza o Governo do Rio de Janeiro a vender o estádio. A proposta já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alerj e seguirá para votação em plenário.
Editorial reforça protagonismo do Flamengo
O texto do O Globo classifica como “oportuna” a inclusão do Maracanã, do Maracanãzinho, do Parque Aquático Júlio Delamare e do Estádio Célio de Barros na lista de possíveis ativos à venda. Segundo o editorial, “não faz sentido o governo possuir ou administrar um estádio de futebol”, especialmente diante dos altos custos de manutenção e do rombo fiscal estimado em quase R$ 19 bilhões até 2026.
Parlamentares favoráveis à venda citam o Flamengo como principal interessado e potencial comprador. O deputado Alexandre Knoploch já havia declarado que o clube é “o único com capital financeiro e torcida suficientes para manter o estádio de pé”.
O jornal reforça esse posicionamento e aponta que o Complexo do Maracanã poderia gerar até R$ 2 bilhões aos cofres públicos — valor que ajudaria a reduzir parte da dívida do Estado.
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“Estima-se que o conjunto formado por Estádio Mário Filho, Maracanãzinho, Parque Aquático Júlio Delamare e pelo antigo Estádio Célio de Barros, de atletismo, possa ser vendido por R$ 2 bilhões.”
“Na ponta do lápis, é menos que o custo de um estádio novo, como o que o Flamengo projeta erguer na região do Gasômetro. Com a vantagem de já haver experiência de clubes na gestão.”
Dúvidas e obstáculos jurídicos
Apesar do apoio político e midiático, o projeto ainda enfrenta dúvidas jurídicas e patrimoniais. O Maracanã é tombado pelo Iphan desde o ano 2000, o que impõe restrições a reformas estruturais e ao uso do espaço.
Além disso, o estádio está sob concessão de Flamengo e Fluminense até 2044, com investimento previsto de R$ 186 milhões e pagamento anual de R$ 20 milhões ao Estado.
O deputado Rodrigo Amorim, presidente da CCJ, foi questionado sobre o impacto da proposta nos contratos vigentes e nas prerrogativas do Estado, mas ainda não respondeu oficialmente.
Flamengo e Fluminense mantêm cautela
Desde 2024, Flamengo e Fluminense administram o Maracanã em modelo definitivo de concessão, com duração de 20 anos. Em nota, a gestão do estádio afirmou ter “descoberto o assunto pela imprensa” e garantiu que, por ora, “não há motivo para preocupação”.
Mesmo com postura cautelosa, o Flamengo segue sendo o centro das discussões sobre o futuro do estádio. O editorial do Globo fortalece a narrativa de que o clube é o candidato natural à compra e principal agente do debate sobre o destino do patrimônio esportivo do Rio de Janeiro.
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Um debate que vai além do esporte
Caso o projeto avance, o governo estadual precisará resolver questões contratuais, jurídicas e patrimoniais relacionadas ao tombamento histórico. Ainda sem data para votação, a proposta já movimenta o cenário político e esportivo fluminense.
A convergência entre o discurso político de parlamentares e o posicionamento editorial do Globo cria um novo capítulo na disputa sobre o Maracanã — que deixa de ser apenas um caso de concessão para ser discutido como um bem público de valor histórico e simbólico.
A expectativa é de que o tema siga em pauta ao longo de 2026, ano de eleições, com o Flamengo novamente no centro da conversa.













