A atuação do Flamengo na partida contra o Bayern de Munique, pela fase eliminatória do Mundial de Clubes, continua repercutindo fortemente. E não apenas pelo placar de 4 a 2, que decretou a eliminação rubro-negra. Para o comentarista Paulo Cobos, da ESPN, o desempenho do clube carioca foi digno de elogios — e, mais do que isso, serviu como um contraponto direto ao fatídico 7 a 1 sofrido pela Seleção Brasileira para a Alemanha, na Copa do Mundo de 2014.
Logo nos minutos iniciais da partida, o time bávaro abriu uma vantagem de 2 a 0, com gols de Erick Pulgar (contra) e Harry Kane. O cenário fez muitos torcedores relembrarem com temor o traumático duelo entre Brasil e Alemanha, mas o Flamengo reagiu de forma totalmente diferente daquela seleção. Lutou, equilibrou a posse de bola, criou mais chances e chegou a diminuir com Gerson ainda no primeiro tempo.
Cobos destacou em sua análise o quanto o Flamengo demonstrou coragem, organização e personalidade mesmo diante de um adversário com orçamento cinco vezes maior:
“Flamengo ensinou a Seleção Brasileira como ser grande contra os alemães. Bola, caráter, boa administração: Flamengo teve contra o Bayern, 5 vezes mais rico, tudo que a Seleção Brasileira não teve contra a Alemanha no 7 a 1. O sonho do Flamengo acabou, mas o sentimento é bem diferente de outra derrota do futebol brasileiro para um rival alemão (7 a 1). O Rubro-Negro provou que sua distância para os gigantes europeus é bem menor do que o Brasil ficou sabendo para outras seleções na Copa de 2014”.
O comentarista ainda fez questão de destacar as estatísticas da partida como reflexo do desempenho valente do time brasileiro:
“O Flamengo teve mais posse de bola e finalizou muito mais. Cometeu erros tolos e uma confiança exagerada nas saídas de bola, mas na maior parte do jogo encarou o rival de igual para igual. Bem ao contrário da covardia, do atraso tático, do vexame que a Seleção Brasileira cometeu em 2014, e repete com frequência nos últimos 20 anos. O Bayern fatura 5 vezes mais que o Flamengo. Mas o clube carioca, assim como o Palmeiras, mostra há mais de 10 anos que o futebol brasileiro não precisa ser uma bagunça”.
Trabalho de longo prazo
Cobos também enalteceu o planejamento de mais de uma década do Flamengo, que passou por dificuldades, crises e vexames até atingir o patamar atual de protagonismo no futebol sul-americano e respeito internacional:
“O Flamengo trabalha há mais de dez anos para chegar onde está hoje. Sofreu, passou vexames. Mas fez a lição de casa que outros grandes não são capazes de fazer. Hoje, tem dinheiro para contratar grandes jogadores. Tem as contas em ordem. Organização muito acima da média. Ainda não dá para ganhar de time grande europeu. Mas dá para voltar para casa com a cabeça erguida”.
Como foi o jogo
Mesmo começando mal e nervoso, o Flamengo conseguiu equilibrar as ações após levar os dois primeiros gols. Gerson descontou com um chute potente, vencendo Neuer. Ainda antes do intervalo, Goretzka marcou o terceiro dos alemães. No segundo tempo, Jorginho recolocou o Rubro-Negro no jogo com um gol de pênalti, mas uma nova falha defensiva permitiu que Harry Kane definisse o placar em 4 a 2.
Apesar do resultado negativo, o Flamengo terminou a partida com mais posse de bola e mais finalizações, algo que reforça a análise de Paulo Cobos sobre a coragem e a competitividade da equipe brasileira diante de um dos maiores clubes do mundo.
Retorno ao Brasil
Após encerrar sua participação no Mundial de Clubes, a delegação rubro-negra retorna ao Rio de Janeiro nesta terça-feira (1º). Os jogadores terão alguns dias de descanso e se reapresentam no sábado (5), já focados na retomada das competições nacionais e continentais: Campeonato Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil.













